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Deputado aciona CNMP contra promotora bolsonarista que fez apologia ao nazismo

Marya Olímpia Pacheco também foi responsável por arquivar denúncia sobre "cura gay" e ostenta registro ao lado de Olavo de Carvalho

atualizado 23/09/2021 15:59

Reprodução / CNMP

O deputado distrital Fábio Felix (PSol-DF), da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), ingressou nesta quinta-feira (23/9) com uma representação contra a promotora bolsonarista Marya Olímpia Ribeiro Pacheco, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), por publicar conteúdo nazista e preconceituoso nas redes sociais.

A representante do órgão fiscalizador já havia ficado conhecida por ter arquivado a denúncia contra um professor que prometia a chamada “cura gay”. Ela integra a 10ª Promotoria de Justiça Criminal.

O deputado solicita o afastamento imediato da promotora por 120 dias e a abertura imediata de um processo disciplinar administrativo contra a representante do Ministério Público.

Marya é integrante da base de apoio digital do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Nas redes sociais, a promotora também ostenta registro fotográfico com o ideólogo Olavo de Carvalho, considerado o “guru” da ala ideológica do atual governo. Nas publicações, ela também associa homossexualidade à pedofilia.

O conteúdo criminoso, que rende reclusão de até três anos, estava disponível na página pessoal da promotora, no Facebook, desde 2016. O perfil da conta passou a ser restrito após a revelação do caso. Na noite da última quarta-feira (22/9), a plataforma excluiu as publicações.

“No caso, verificou-se que a promotora de Justiça reclamada fez veicular, em seu perfil nas redes sociais, em 17 de setembro de 2016, ao menos 14 panfletos que afiguram ser originais do regime nazista, muitos deles inclusive com estampa direta da cruz suástica”.

De acordo com o parlamentar registra na ação, “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo” pode render multa e pena de reclusão de até cinco anos.

“Os fatos narrados demonstram evidente inobservância desses deveres, havendo a promotora reclamada transbordado, em muito, o direito à liberdade de manifestação de pensamento e de expressão. De fato, há indícios da prática de fatos tipificados como crimes, atos de  improbidade administrativa, além de infrações funcionais”.

Procurado, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios afirmou que abriu uma investigação preliminar contra a servidora.

“Em relação aos conteúdos postados pela promotora de Justiça Marya Olimpia, sob o aspecto disciplinar, a Corregedoria do MPDFT informa que já abriu uma investigação preliminar para examinar a matéria”.

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Nazismo

O conteúdo criminoso, que rende reclusão de até três anos, estava disponível na página pessoal da promotora, no Facebook, desde 2016. O perfil da conta passou a ser restrito após a revelação do caso.

Em uma das imagens, há menção ao “Führer” (chefe, em português) e como os seguidores chamavam Hitler durante o regime.

O nazismo foi a corrente política surgida na Alemanha no final da década de 1910 e início da década de 1920 como uma das principais expressões do fascismo europeu. O regime construiu um Estado totalitário na Alemanha na década de 1930, o que resultou na II Guerra Mundial.

O poder aos nazistas abriu caminho para a militarização da sociedade e o investimento na indústria bélica. A ação nazista resultou no extermínio de milhões de pessoas, notadamente no holocausto judeu e nas ações violentas no leste europeu.

 

 

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