Vanity Fair usa editorial para posicionamento político nos EUA

Revista de moda inverte o jogo e usa o poder das fotos para diminuir protagonistas políticos dos Estados Unidos

atualizado

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1 de 1 foto com cor. polêmica vanity fair - metrópoles - Foto: Anna Moneymaker/Getty Images

Críticas ao enquadramento das fotos, a cenários visualmente poluídos e ao uso de ângulos que supostamente “diminuem” figuras públicas tomaram conta das redes sociais após a revista americana de moda Vanity Fair publicar uma série de artigos sobre o primeiro ano do segundo governo de Donald Trump. O fotógrafo responsável pelo editorial, Christopher Anderson, passou a ser acusado de empregar recursos estéticos de forma intencional para retratar personagens centrais do círculo político do presidente dos Estados Unidos de maneira considerada “pouco lisonjeira” e até “maliciosa”, o que reacendeu acusações de viés político subversivo por parte da publicação.

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Ângulos inferiores

As críticas à Vanity Fair ganharam força logo após a publicação de um editorial especial sobre o primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump, sobretudo por causa das escolhas estéticas adotadas nos retratos. As imagens foram amplamente criticadas pelo público, que apontou que os enquadramentos fechados, a luz dura e a ausência de retoques não pareciam casuais, mas sim parte de uma construção narrativa.

 

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Um dos principais pontos levantados foi o uso recorrente de ângulos levemente inferiores ou laterais, combinados com lentes que distorcem sutilmente o rosto, recurso que, segundo críticos, contribui para acentuar traços, expressões de cansaço e desconforto. Em vez de retratos clássicos de poder — comuns em fotografias institucionais —, as imagens evocariam vulnerabilidade, estranhamento e até certo tom caricato.

 

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Para parte dos leitores, por se tratar de uma publicação de moda, o olhar estético da equipe por trás do artigo estaria naturalmente preparado para “deixar qualquer pessoa bonita, como uma estrela de cinema”, como afirma o consultor de moda André do Val. “Parece um episódio da série Veep”, acrescenta.

 

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Outro foco de críticas esteve nos cenários considerados “poluídos” ou excessivamente informativos, contrastando com fundos vazios em outras imagens. Para parte do público, essa alternância não apenas quebra a hierarquia visual tradicional, como também dilui a presença das figuras fotografadas, fazendo com que pareçam menores, deslocadas ou engolidas pelo espaço, como se fizessem parte do papel de parede da cena. Esse tipo de composição foi lido como uma estratégia para enfraquecer simbolicamente a autoridade dos retratados.

 

Círculo íntimo de Trump

Os retratos de integrantes do círculo íntimo de Trump incluíram o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e a secretária de imprensa Karoline Leavitt. As imagens evidenciam linhas de expressão, poros e olheiras das figuras públicas. 

 

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Apesar de não comentar sobre as fotografias, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, recorreu ao X na manhã de terça-feira (16/12) para rebater o autor responsável por seu artigo, Chris Whipple:

“O artigo publicado no início desta manhã é um ataque disfarçado e tendencioso contra mim e contra o melhor presidente, a melhor equipe da Casa Branca e o melhor gabinete da história”, afirmou.

Imagem colorida de Donald Trump e Susie Wiles - Metrópoles
Donald Trump e Susie Wiles

 

Suas fotos foram ironizadas como um jumpscare sem aviso” por internautas. Além do destaque para as rugas e falhas na maquiagem, a expressão da chefe de gabinete parecia de susto, ou até mesmo desconforto, com sobrancelhas arqueadas e olhos arregalados.

foto com cor. polêmica vanity fair - metrópoles
Suas fotos foram ironizadas como “jump scare”

 

O fotógrafo Christopher Anderson revelou, em entrevista, que fotografou cada integrante da administração da mesma maneira, em uma tentativa de “romper com a imagem que a política quer projetar e alcançar algo que seja mais verdadeiro”. No entanto, no caso da secretária de imprensa Karoline Leavitt, o fotógrafo optou por um close ainda mais próximo do que o feito com os demais. “Dá para ver até as marcas de injeção do preenchimento labial”, comentou uma internauta. Assim como Susie Wiles, a secretária de imprensa rebateu o conteúdo da matéria, sem comentar o teor das imagens.

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Karoline Leavitt falando com a imprensa na Casa Branca

 

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A secretária não se posicionou sobre as imagens

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