
Ilca Maria EstevãoColunas

Vanity Fair usa editorial para posicionamento político nos EUA
Revista de moda inverte o jogo e usa o poder das fotos para diminuir protagonistas políticos dos Estados Unidos
atualizado
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As críticas à Vanity Fair ganharam força logo após a publicação de um editorial especial sobre o primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump, sobretudo por causa das escolhas estéticas adotadas nos retratos. As imagens foram amplamente criticadas pelo público, que apontou que os enquadramentos fechados, a luz dura e a ausência de retoques não pareciam casuais, mas sim parte de uma construção narrativa.
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Um dos principais pontos levantados foi o uso recorrente de ângulos levemente inferiores ou laterais, combinados com lentes que distorcem sutilmente o rosto, recurso que, segundo críticos, contribui para acentuar traços, expressões de cansaço e desconforto. Em vez de retratos clássicos de poder — comuns em fotografias institucionais —, as imagens evocariam vulnerabilidade, estranhamento e até certo tom caricato.
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Para parte dos leitores, por se tratar de uma publicação de moda, o olhar estético da equipe por trás do artigo estaria naturalmente preparado para “deixar qualquer pessoa bonita, como uma estrela de cinema”, como afirma o consultor de moda André do Val. “Parece um episódio da série Veep”, acrescenta.
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Outro foco de críticas esteve nos cenários considerados “poluídos” ou excessivamente informativos, contrastando com fundos vazios em outras imagens. Para parte do público, essa alternância não apenas quebra a hierarquia visual tradicional, como também dilui a presença das figuras fotografadas, fazendo com que pareçam menores, deslocadas ou engolidas pelo espaço, como se fizessem parte do papel de parede da cena. Esse tipo de composição foi lido como uma estratégia para enfraquecer simbolicamente a autoridade dos retratados.
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— VANITY FAIR (@VanityFair) December 17, 2025
Círculo íntimo de Trump
Os retratos de integrantes do círculo íntimo de Trump incluíram o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e a secretária de imprensa Karoline Leavitt. As imagens evidenciam linhas de expressão, poros e olheiras das figuras públicas.
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Karoline Leavitt e Susie Wiles se posicionam





