
Uniformes, vistos e polêmicas: a política na Copa 2026
A camisa vermelha da Seleção Brasileira, o uniforme do Haiti e as barreiras para torcedores revelam que o futebol está longe de ser neutro

A Copa do Mundo de 2026 tem sido marcada por conflitos entre regras esportivas e políticas nacionais. Casos recentes envolvendo uniformes e acesso de torcedores revelam o impacto das decisões políticas no futebol: o veto da camisa vermelha do goleiro do Brasil e a proibição do uniforme do Haiti com referência à Revolução Haitiana são exemplos centrais. Além disso, a política de vistos dos EUA – herança da era Trump – tem impedido a entrada de delegações e torcedores do Irã e do Haiti, suscitando críticas internacionais.
Vem entender!

A política na Copa 2026
Desde sua fundação, o futebol mundial prometeu neutralidade política, mas a prática tem sido diferente. Assim como nos Jogos Olímpicos – onde movimentos sociais muitas vezes são repreendidos por regulamentos – na Copa do Mundo a Fifa proíbe textos ou imagens de teor político em camisas e materiais oficiais.

Essa regra colide com expressões de identidade nacional. Em comparação: nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, o COI já censurou uniformes do Haiti com o líder Toussaint Louverture, alegando “tema político”. Na Copa, episódios recentes revelam que essa tensão se mantém.

Veto ao uniforme vermelho do goleiro
Entre 2025 e 2026, o presidente da CBF, Samir Xaud, proibiu o uso do uniforme vermelho pelos goleiros da Seleção Brasileira. Em 2025 ele já havia vetado a camisa reserva vermelha assinada pela Nike, justificando que as cores oficiais são apenas as da bandeira – verde, amarelo, azul e branco.

Em junho de 2026, às vésperas do jogo contra a Escócia, a Fifa atendeu a um pedido de Xaud e mudou o kit dos goleiros para verde, vetando a camisa vermelha anunciada inicialmente. Oficialmente, a CBF afirmou tratar-se da preservação da identidade nacional e não de motivos políticos.
“Fui contra a camisa vermelha, não por questão política. Eu levei para o lado do Brasil, das cores da bandeira”, Xaud declarou em 2025 após polêmico uniforme vermelho da Nike.

Proibição do uniforme por conteúdo político
Também na Copa 2026, o Haiti viveu polêmica semelhante. Em maio, a federação haitiana apresentou à Fifa o novo uniforme azul, produzido pela marca Saeta, com estampas alusivas à história do país. O design incluía no canto inferior a Batalha de Vertières (1803) – momento fundacional da independência haitiana.
A FIFA considerou essa ilustração como manifestação política proibida em uniforme oficial, exigindo sua retirada.
Restrições de entrada nos EUA
Além dos uniformes, questões políticas afetam quem pode assistir aos jogos. A política de vistos dos EUA – herdada das restrições migratórias promulgadas pelo governo Trump – colocou vários países habilitados a participar da Copa em desvantagem.

Irã, Haiti e Senegal enfrentam impedimentos legais para torcedores e delegações. Em 2025, o presidente Trump assinou a Proclamação 10998, estendendo vetos a dezenas de países, que seguem enfrentando a suspensão total de emissão de vistos.

Às vésperas do início da Copa 2026, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, foi questionado e criticado pela imprensa após uma fala que sugeria aos jornalistas “relaxar” e “descontrair” em meio à polêmica.




























