Por Ilca Maria Estevão, Rebeca Ligabue, Sabrina Pessoa, Marcella Freitas, Carina Benedetti e Luiz Maza

Uniformes escolares do Reino Unido aderem à moda agênero

A gigante varejista Stevensons fornece itens unissex para alunos das escolas espalhadas pela Nação

atualizado 05/12/2019 13:20

Reprodução Stevensons

Ainda na infância, as crianças costumam ser vestidas com peças de roupas que representam o gênero de nascimento, geralmente com cores específicas para os meninos e recortes delicados para as meninas. Com o passar dos anos, o mercado da moda vem se adaptando a quebras de padrões obsoletos e abre espaço para a inovação dos estilistas. As roupas passam a não serem apenas vestes, mas uma forma de encontro pessoal. Na terra da rainha, não é diferente. Um dos maiores fabricantes de uniformes escolares, a partir de agora, venderá peças sem gênero.   

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Foi no século 20 que a pioneira Stevensons deu início à confecção de uniformes para as escolas do país. A empresa familiar fornece roupas escolares e esportivas para mais de 500 clientes no Reino Unido. Entre a clientela que a varejista atende, estão escolas tradicionais e militares, que engrossam a lista de demandas.

A lista engloba, por exemplo, o colégio internato para garotos Eton College, a escola do Coral da Catedral de Westminster, o internato só para meninas de Saint Paul e a Royal Ballet, a primeira e mais importante companhia de balé do Reino Unido. 

Reprodução Stevensons
Propaganda retrô da Stevensons School Uniforms

 

Reprodução Stevensons
A empresa familiar atende escolas tradicionais do Reino Unido

 

 

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É comum  para a Stevensons confeccionar a linha completa de uniformes das escolas, inclusive a parte dedicada aos esportes

 

A nova empreitada da rede varejista enfatiza a diversidade e a representatividade de gênero. Para dar continuidade ao conceito, não venderá mais os uniformes como masculinos ou femininos, mas a quem quiser se vestir de maneira livre.

Inclusive, as embalagens dos produtos também serão neutras para não representarem uma divisão de gêneros já no primeiro contato do cliente final com o produto da Stevensons.   

Além de renovar os ares do tradicionalismo que cercava os uniformes, a iniciativa veio por causa de preocupações das escolas, como explicou um porta-voz da empresa ao The Guardian.

“Me simpatizo com a mudança em relação a um uniforme escolar neutro, sem gênero. Estamos eliminando todas as referências que atingiam diretamente e indiretamente os meninos e meninas que vestimos”, disse Mark Stevenson, diretor administrativo dos negócios lançados por seu avô.

Reprodução Stevensons
Alunos da St. George’s School em 1980

 

Reprodução Stevensons
Escola do Reino Unido colocou calça para todos os alunos, atualmente

 

Com o objetivo de desenvolver uma cultura de aceitação nas escolas, um projeto de lei no Reino Unido sugerido pelos democratas liberais  prevê que as escolas permitam o uso de uniformes sem gênero durante o período letivo.

Em geral, a tendência da moda agênero ganhou força global pela quebra de padrões, especialmente em relação ao gênero e à sexualidade. O conceito existe desde o século passado e teve uma pitada de leveza no vestuário feminino criada por Coco Chanel. A estilista também trouxe itens do armário masculino para o dia a dia da mulher daquela época. 

Em 1994, Jean Paul Gaultier mesclou a moda feminina e a masculina nas passarelas internacionais. Com o mesmo viés, em 2010, a italiana Prada aderiu ao mix e trouxe um desfile feminino em plena semana de moda masculina de Milão.

Apesar de não serem recentes as modificações nos códigos, sobretudo no meio social, a aposta do genderless realmente ganhou força em 2014, ao aparecer com propriedade nos desfiles de moda e em collabs. De lá para cá, isso só aumentou e virou uma pedida constante do público.

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Peças agênero de Jean Paul Gaultier em Paris, no ano de 1994

 

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Modelos femininas riscaram as passarelas da Prada durante  semana de moda masculina em Milão 2014

 

Catwalking/Getty Images
Em janeiro de 2014, a Prada desfilou coleção de outono/inverno masculina em Milão

 

O mundo das celebs também foi invadido com saias e vestidos. Ao longo dos anos, Kurt Cobain, Jared Leto e David Bowie aderiram às peças que até então eram tidas como femininas. Em seguida, essa moda se tornou popular até no meio infantil.

No Brasil, em 2017, o Sindvest-MG (Sindicato das Indústrias de Vestuário do Estado de Minas Gerais) sinalizou que a moda agênero era uma tendência com grande potencial de expansão nos próximos anos. 

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Kurt Cobain apareceu durante show em Los Angeles trajando vestido

 

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Com modelo Gucci, Jared Leto cruzou o tapete do Met Gala 2019 com peças típicas do vestuário feminino

 

Alexis DUCLOS/Gamma-Rapho via Getty Images
Na década de 1970, David Bowie posou para sessão de fotos com vestido, traje que costumava utilizar

 

Nas passarelas, em looks de famosos ou nas araras das principais etiquetas mundo afora, a forte tendência das roupas sem gênero tem conquistado maior espaço nas ruas. De maneira geral, traduz uma maior conscientização em relação à identidade de gênero. 

 

Colaborou Sabrina Pessoa

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