Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Ilca Maria Estevão

Tela Ambulante: brechó criativo combina arte e moda autoral

O artista plástico brasiliense Victor Hugo transforma a memória afetiva da costura em arte. O brechó está confirmado para o MFDF 2023

01/09/2023 02:00, atualizado 05/10/2023 13:04
Compartilhar notícia
Tela Ambulante/Divulgação
Duas pessoas posando para a foto. Elas estão com os corpos próximos e uma apoia a cabeça no ombro da outra - Metrópoles

Victor Hugo Soulivier, artista plástico brasiliense de 25 anos, transformou a memória afetiva da costura em brechó autoral. Fundado há três anos, o Tela Ambulante também leva o título de marca experimental. Não à toa, é um dos nomes que marcarão presença no Metrópoles Fashion & Design Festival 2023.

Vem saber mais!

Homem grafitando parede - Metrópoles
O brechó brasiliense é um dos destaques da capital

O Tela Ambulante foi criado em parceria com a amiga Juliana Gomes, que permaneceu no projeto até este ano. Desde 2020, a iniciativa repagina roupas e acessórios personalizados por meio de técnicas de upcycling, que refletem a personalidade e as experiências de Victor. A inspiração principal vem da ideia de que a moda pode ser uma forma de expressão pessoal, além de uma ferramenta de conexão com a história e a cultura.

Idealizado sobre os princípios de arte vestível, o projeto fez história em janeiro, quando vestiu o influenciador Ivan Baron durante o rito de passagem da faixa presidencial a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia 1º deste ano.

O modelito foi uma manifestação política, graças à intervenção artística de Victor Hugo. O look teve estampadas frases e palavras de protesto, como “parem de nos excluir” e “anticapacitismo”, na parte de trás do blazer.

Dois modelos posam para a foto em fundo com artes grafitadas - Metrópoles
O Tela Ambulante é um empreendimento criativo
Homem apoiado em parede grafitada. Ele está segurando os óculos de sol com uma das mãos - Metrópoles
Victor Hugo Soulivier comanda o projeto
Mulher posando para foto em frente a fundo grafitado. Ela está com uma das mãos apoiada no quadril e olhando para a lateral - Metrópoles
O Tela Ambulante fundado em parceria com Juliana Gomes
Peçaa de roupa grafitada - Metrópoles
O trabalho é repleto de texturas e cores

“Quando o Ivan encomendou a roupa com a gente, e compartilhou a história de vida dele, a gente pegou essa trajetória e as referências para criar a roupa”, destaca Victor Hugo, em entrevista à coluna. “Inclusive, a gente faz com que toda peça não seja descartada, vira uma obra colecionável porque conta a vida da pessoa”, endossa.

Outras telas marcam a história do empreendimento. Levando ao pé da letra, assim como o nome da marca, as peças de roupa são telas em branco, cheia de novas oportunidades de criações. “A peça passa a ser uma relíquia”, garante o fundador, que transita com facilidade entre as artes visuais e o design de moda.

Homem usando blazer branco em frente a parede de concreto - Metrópoles
O Tela Ambulante fez história ao vestir o influenciador Ivan Baron, na posse de Lula
Homem usando blazer branco em frente a parede de concreto - Metrópoles
“Tudo é político: o momento, o que ele veste, o lugar que ocupa, e até sua própria existência”, defende a marca
Dois modelos posando para editorial de moda. A foto está com efeito embaçado - Metrópoles
Victor já rascunhava croquis na infância
Mulher olhando para foto. Ela está com o cabelo preso em dois coques - Metrópoles
A relação de Victor Hugo com a moda começou em casa, auxiliando a mãe costureira

A arte da moda

Crescido em chão de fábrica, Victor Hugo Soulivier “flerta” com a moda desde a infância. Filho de costureira, ele sempre admirou a dedicação da mãe para colocar comida em casa. A relação com a moda se intensificou durante a pandemia de Covid-19. De pequenos reparos e auxílios no trabalho da mãe, o artista passou a criar peças.

No período, desenvolveu uma ecobag em tamanho grande com a mãe, depois a customizou e colocou à venda no Instagram. Não demorou para amigos e conhecidos se interessarem e encomendarem o acessório. A boa repercussão da bolsa foi o pontapé inicial para o lançamento da primeira coleção-cápsula.

O brechó criativo terá espaço no Metrópoles Fashion & Design Festival 2023, que ocorrerá nos dias 14 e 15 de setembro, no Museu Nacional da República. Quem passar por lá vai conferir de perto as criações recentes do designer. “Vou levar a linha A Roupa Como Órgão, que é uma série que eu trabalho e fala sobre gêneros, sexualidade e todas essas questões”, revela.

Victor também é um dos participantes do circuito de oficinas, que compõe a programação do MFDF Educa, projeto com viés educativo do evento. No dia 14 de setembro, o artista vai ministrar a Oficina de Pintura em Tecido, às 11h30.

Mulher andando com max bolsa - Metrópoles
Com a mãe, Victor Hugo criou uma maxibolsa, que foi o pontapé para a primeira coleção autoral
Homem olhando para foto. Ele está agachado no chão - Metrópoles
Depois do sucesso nas vendas, ele decidiu abrir a própria marca
Vitrine de loja com casaco colorido em exposição - Metrópoles
O Tela Ambulante também já participou da vitrine da etiqueta Dane-se

Moda Brasília

coluna deu início à série Moda Brasília em 2021. Toda semana, apresentamos marcas, designers e etiquetas locais, a fim de dar ênfase à moda criada no Distrito Federal, no Centro-Oeste.

O objetivo é compilar iniciativas e empresas que atuam em prol da cadeia produtiva regional de maneira criativa, sustentável e inovadora. Os nomes são selecionados de forma independente pela equipe da coluna, a partir de critérios como diferencial de mercado, pioneirismo e ações que valorizem a comunidade.