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Desfiles do SPFW N60 apostam em referências regionais e sofisticação
Dando sequência aos desfiles do São Paulo Fashion Week (SPFW), confira os destaques das passarelas de quinta e sexta-feira (16 e 17/10)
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A 60ª edição do São Paulo Fashion Week (SPFW) segue levando marcas nacionais ao Pavilhão das Culturas Brasileiras, em São Paulo, onde promove um espaço de criatividade e experimentação de tendências que devem moldar o mercado nacional dos próximos meses. Para celebrar os 30 anos do evento, essa temporada conta com uma programação extensa e nomes como À La Garçonne, Marina Bitu, Leandro Castro e Catarina Mina se destacam com criações autorais e sofisticadas.
Confira nosso segundo compilado do SPFW N60!

À La Garçonne
A presença da marca de Fábio Souza no line-up do SPFW se tornou mandatória nas edições recentes, fazendo da À La Garçonne uma das marcas mais aguardadas da programação. A quinta-feira (16/10) foi iniciada com o designer trazendo uma coleção abrangente, que transitou entre a alfaiataria, o streetwear e até mesmo referências ao sleepwear.

Começando com o tradicional preto e branco, Souza explorou novos tons quando comparado às coleções passadas, aplicando laranja, verde, lilás, roxo e dourado nas peças desfiladas. Elementos como o xadrez vichy, referências à estética clubber e estampas de flores que remetem a pinceladas na cerâmica também estiveram presentes, completando a coleção que, apesar de transitar por uma gama imensa de temas, se mantem sóbria e natural nesse caminho.


Marina Bitu
Combinando a essência do movimento modernista brasileiro dentro da moda, em 2025, a coleção Djanira, desfilada por Marina Bitu presta homenagem à pintora Djanira da Motta e Silva. Fruto de uma parceria com o Instituto Pintora Djanira, as peças recriam as obras da artista conectando a perspectiva da pintora às criações da estilista.

Fora a homenagem, a passarela propôs uma reflexão sobre memória, trabalho manual e identidade cultural. Assim como Djanira aborda gestos do cotidianos brasileiro, Marina Bitu preza pelo artesanato conduzido por mulheres. A coleção une arte e moda como instrumento de preservação e continuidade dos saberes ancestrais, reafirmando a força do coletivo e do tempo dedicado ao criar com as mãos.


Leandro Castro
Uma estética apocalíptica tomou conta do desfile de Leandro Castro neste São Paulo Fashion Week. Com bolsas carregadas como sacos de lixo e peças “descascando”, como se perdessem a integridade a cada passo, a crueza estética se juntou à sofisticação técnica e criativa. Logo se percebeu, contudo, o tema amazônico na coleção, com looks que traduziam, com potência visual, a diversidade e a força da natureza brasileira.

Acessórios grandiosos estilizaram os looks majoritariamente escuros, mas também com toques cor-de-rosa, roxos e verdes, que deram ainda mais força ao visual. Dos olhos brancos aos cortes modernos e bolsas cujo design gera curiosidade a qualquer pessoa, Leandro Castro entregou ambientação e classe em um dos melhores desfiles da semana.


Catarina Mina
Diretamente do Ceará, a estilista Catarina Mina trouxe para sua terceira participação no SPFW a coleção Carnaúba, repleta de manualidades que reforçam a ligação do artesanato com a moda. No acervo, foram incorporados detalhes feitos em palha de carnaúba, crochê, e, indo além das técnicas típicas de seu estado, o bordado de Caicó foi inserido nas peças com referêncai direta do Rio Grande do Norte.

Como de costume, Catarina trabalha cores ligadas à natureza. Nesta temporada, o destaque fica para o verde e os tons terrosos que mostram a personalidade da marca de raízes nordestinas. Indo desde os brincos às bolsas, os acessórios apresentados no desfile também somam pontos à coleção, junto dos calçados, trabalhados em parceria com a marca. Veja:




Dario Mittmann
As criações maximalistas e cheias de humor de Dario Mittmann retornaram mais uma vez para o São Paulo Fashion Week. Nesta temporada, o estilista uniu forças com o jogo Monopoly e entregou uma passarela animada, e claro, com a presença de celebridades, como os rappers Xamã, Kayblack e Duquesa, o funkeiro Mc PH e o camisa 10 do Palmeiras, o jogador Paulinho.

Batizado de Monopoly: Young Money!, o acervo segue o estilo disruptivo do estilista baseado no streetwear. Ainda sobre a coleção, peças mais conceituiais também foram incluídas, mostrando a versatilidade do designer na costura.





Foz e a saudade da infância
Imagine as memórias de uma criança transformadas em uma passarela de moda. Ao apresentar a coleção Povoado Poesia, o estilista Antônio Castro, da Foz, encerra a trilogia iniciada em 2023 transportando todos os presentes no desfile para um domingo de manhã na casa de uma avó.

Com inspiração em desenhos infantis, a passarela importou a sensação afetuosa tanto no design das peças, que trazem diversas referências à cultura nordestina e brasileira, quanto pela paleta de cores, com tons de laranja, azul, amarelo e mais. Puramente um espetáculo de moda, sustentado somente pelas peças.





Normando
A Normando apresentou a coleção Mito ou Fauna em um desfile criativo, no qual a alfaiataria ganhou características místicas. As cores criadas a partir de algas e bactérias deu vida a looks com “pinceladas”, além do tradicional preto e branco. A grife desenvolveu, com a união de referências, peças inconfundíveis, adicionando elementos amazônicos como penas e asas de aves e insetos.

O resultado é uma coleção ready-to-wear, que respira o ar metropolitano, mas se agarra às origens naturais, mantendo um tom sóbrio em sua maior parte e provando criatividade em looks mais ousados.


Sou de Algodão reúne grandes designers
Os designers à frente das marcas Alexandre Herchcovitch, Aluf, Amapô, David Lee, Fernanda Yamamoto e Weider Silveiro foram convidados pelo Sou de Algodão a montar a coleção Trajetórias, na qual mentes criativas se uniram com o propósito de mostrar a força do algodão na moda brasileira, sem perder a criatividade.

As peças de cada marca formaram um desfile coeso, em que os grandes destaques foram os looks com estampas xadrez e longos stripes. A parte criativa teve Fernanda Yamamoto como ponto alto, em que designs que remetem à arte do origami se juntaram a finas linhas brancas sobre o tecido preto, criando visuais únicos e originais com o algodão.


