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SPFW N60: desfile no metrô, paraquedas e trends marcam primeiros dias
Passados os primeiros dias do SPFW N60, confira aqui os detalhes dos desfiles que abriram esta temporada
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São Paulo (SP) – A moda brasileira celebra 30 anos de um de seus maiores eventos nacionais, o São Paulo Fashion Week (SPFW), cuja 60ª edição acontece até o dia 20 de outubro, em diferentes locais da capital paulista. Nos primeiros dias, marcas realizaram desfiles que irão ditar as tendências de estilo no país, explorando elementos como cortes geométricos, transparência e sustentabilidade.
A coluna Ilca Maria Estevão esteve presente nos desfiles e traz destaques como um desfile realizado do metrô, uma “chuva” de paraquedistas, homenagem a Milton Nascimento e acessórios que já podemos imaginar sendo usados nas ruas do país. Vem conferir!

João Pimenta abre o SPFW
Abrindo o São Paulo Fashion Week N60, o estilista João Pimenta retornou mais uma vez demonstrando sua afinidade com técnicas de alfaiataria. O desfile, apresentado na Biblioteca Mário de Andrade, na segunda-feira (13/10), contou, além das peças, com uma performance poética protagonizada pela atriz Bárbara Paz.

Intitulada Tropicalizando, a coleção propõe uma “despadronização” dos métodos de um alfaiate, ao apróximar o design das peças às roupas leves e frescas usadas em regiões tropicais, como o Brasil. Apesar de se apoiar em cores vivas como o laranja e o turquesa, o branco foi o verdadeiro responsável pela sensação de frescor no desfile, junto às modelagens mais soltas e cheias de dobras.



Um desfile de Gloria Coelho no metrô
A designer Gloria Coelho celebrou 50 anos de carreira com a apresentação da coleção O Futuro se Constrói em Movimento. O desfile foi realizado ao longo dos vagões do metrô de São Paulo em movimento, partindo da estação Júlio Prestes e percorrendo a linha diamante do trem metropolitano.

Na passarela inovadora, as roupas urbanas ganharam requinte e sofisticação, com destaque para as texturas e tecidos que garantiram aos visuais o movimento tão reforçado pela marca. Além disso, a designer deu ênfase para a transparência, a alfaiataria, o tule e diferentes elementos visuais aplicados sobre as peças, como corações, pétalas e penas.


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Ronaldo Fraga presta homenagem a Milton Nascimento
Com a missão de encerrar a segunda-feira (13/10) e abertura do SPFW, o mineiro Ronaldo Fraga optou por transformar a sua passarela em um tributo ao cantor. Nascido no Rio de Janeiro, mas criado em terras mineiras, Milton Nascimento divide com o estilista o amor por Minas Gerais, o que dá o tema da coleção.

No primeiro momento, o desfile surpreendeu ao iniciar com crianças, como se fossem pequenos anjos, desfilando com roupas coloridas e sorrisos contagiantes, trazendo a pureza e inocência tão presentes nas obras do artista carioca. As peças em si representam as paisagens mineiras, desde o céu azul às tardes alaranjadas e o anoitecer do sertão.


Flavia Aranha, leve e consciente
O Parque Trianon foi o cenário onde Flavia Aranha apresentou uma coleção na qual o movimento e a leveza deram o tom. Imersas no ambiente natural, as peças apresentavam pétalas de tecido aplicadas em camadas, criando volume sem perder a fluidez, enquanto sementes costuradas manualmente reforçavam a conexão da marca com a sustentabilidade.
“Morar na floresta tem me feito enxergar com mais profundidade. Reconheço muitos tons de verde, observo o crescimento das folhas, identifico espécies, aprendi os sons dos pássaros e até o movimento dos peixes”, afirma Flavia Aranha sobre sua conexão com o natural.

A paleta de cores acompanhou uma evolução simbólica: começou com tons amarelos, passou pelos terrosos, verdes e azuis suaves e terminou em cores vibrantes, como nos looks cor-de-rosa e um no qual sete tonalidades dividiam espaço.
Entre os acessórios, destacaram-se os brincos em forma de aranha e guarda-chuvas, que combinaram com o forte vento que a capital paulista experimentava e que garantiu o esvoaçar dos looks mais leves.


Uma retrospectiva de Patricia Viera
A diretora criativa Andrea Viera apresentou, no desfile da Patricia Viera, um retrospectiva da história da marca, transformando diferentes décadas em designs que misturavam a nostalgia e a renovação estética. Os looks foram delicadamente trabalhados, com cortes precisos e técnicas que remetem ao kirigami, a arte de cortar o papel dobrado e em seguida abri-lo, revelando desenhos simétricos.

Outros pontos marcantes foram o poá e as flores, trabalhadas em três estágios históricos: no início, uma versão quase fauvista, de formas simples, cores planas, sem muitos detalhes. Depois, flores plenamente coloridas e em grande quantidade. Na terceira fase, as flores de diferentes materiais eram bordadas e costuradas com textura e relevo. Nos acessórios, os lenços tomaram conta do styling, com estampas e padrões assinados pela marca brasileira.


Forca Studio aterrisa com nova estética
Mudando a estética festiva e ousada pela qual a Forca Studio é nacionalmente conhecida, Silvio De Marchi e Vivian Rivaben, dupla que comanda o criativo da marca, trouxeram a estética tática para a nova coleção, apresentada no Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, nessa terça-feira (14/10). Batizada de Helyx, o acervo veio junto de um desfile envolto em adrenalina que surpreendeu a todos com a performance alçada por paraquedistas.

A estética militar foi convertida desde o desenho das peças até a paleta de cores definida, que trabalha tons terrosos, verdes musgo e traz também peças em tom cáqui. As modelagens foram desde as mais justas, com decotes e fendas, até os moldes oversized.
Outro detalhe da coleção foi a quantidade de agasalhos utilitários feito em material similar ao couro incluídos no acervo. Os calçados também brilharam, com botas estilo Chelsea reimaginadas na estética da marca.





Confira também o desfile da Forca Studio em vídeo:
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