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Semana de Moda de Milão desestimula uso de pele animal nas passarelas
Em comunicado, a organização da Semana de Moda de Milão pede que as marcas evitem o uso do material nos desfiles de setembro de 2026
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A Semana de Moda de Milão deu mais um passo em direção à sustentabilidade. Para a edição que será realizada em setembro de 2026, a organização do evento solicitou que as marcas evitem o uso de peles animais nas passarelas por uma questão de responsabilidade, ética e adaptação ao mercado global.
Vem entender!

Mudanças em Milão
A Câmara Nacional da Moda Italiana (CNMI), responsável pelo evento – que é um dos principais do calendário fashion global -, divulgou nesta sexta-feira (15/5), um pedido para que as etiquetas não apresentem roupas ou acessórios de pele animal durante a Semana de Moda de Milão.

A prática é de adesão voluntária, e se fundamenta em uma combinação de fatores éticos, regulatórios e estratégicos para o setor. Trata-se de uma iniciativa que dá continuidade a um compromisso assumido pela associação em 2012, alinhada aos princípios do seu Manifesto de Sustentabilidade e do Código Ético.
“A iniciativa confirma a vontade da CNMI de acompanhar a evolução do sistema da moda com equilíbrio e consciência, em coerência com as diretrizes estratégicas que estamos conduzindo”, declarou Carlo Capasa, presidente da organização.

A CNMI busca inserir Milão em um contexto internacional onde outras grandes capitais da moda já adotaram políticas e diretrizes semelhantes sobre o uso de peles. O London Fashion Week, por exemplo, tornou-se o primeiro a proibir peles de animais selvagens.
Impacto das novas diretrizes
A decisão reflete mudanças nas leis sobre o bem-estar animal. Na Europa, por exemplo, a produção de pele enfrenta um declínio acelerado, com o número de fazendas especializadas caindo 75% desde 2018, segundo a organização belga de direitos dos animais GAIA.
Além disso, o abate de animais para a indústria diminuiu quase 40% globalmente no último ano.

A queda nos números é justificada por uma crescente rejeição do público ao uso de peles. Enquanto marcas como a de Stella McCartney investem em alternativas éticas (como pele sintética e couro vegano), o setor busca redefinir o conceito de luxo para atrair consumidores mais conscientes.

Contudo, o desejo de retorno da pele animal pelos bastidores mostra como a nostalgia por materiais considerados luxuosos e o apelo comercial ainda exercem influência. Os desafios de equilibrar avanços éticos com demandas de mercado e tradição são uma importante questão no mercado da moda, que encontra um embate na cada vez menor produção de roupas com tecido animal.























