Seán McGirr deixa direção da McQueen após passagem marcada por desafios
Designer ficou à frente da grife britânica por três anos e sai em meio a mudanças na estratégia da Kering, grupo que controla a marca

O estilista irlandês Seán McGirr está de saída da Alexander McQueen após três anos à frente da direção criativa da grife britânica. Anunciada nesta quinta-feira (15/10), a mudança ocorre em um momento de reestruturação da marca, que busca recuperar espaço no mercado de luxo. Ao longo da gestão, McGirr enfrentou o desafio de imprimir sua própria visão em uma casa de moda com identidade forte e um legado difícil de ignorar.
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Estreia controversa
Anunciado em outubro de 2023, Seán McGirr chegou à McQueen após passar por marcas como JW Anderson e Dries Van Noten. Sua estreia ocorreu em março de 2024, durante a Semana de Moda de Paris, com uma coleção de outono-inverno que apostou em silhuetas distorcidas, referências góticas e botas com saltos que imitavam cascos de cavalos.

A proposta resgatava o lado mais provocador dos primeiros desfiles de Lee Alexander McQueen, mas não convenceu a todos. Parte da crítica apontou um distanciamento da alfaiataria precisa característica da grife e do apelo dramático que ajudaram a consolidar sua identidade.
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Nas temporadas seguintes, o estilista tentou encontrar um ponto de equilíbrio entre experimentação e apelo comercial. Sua segunda coleção, para a primavera/verão de 2025, recebeu avaliações mais positivas, mas McGirr ainda não conseguiu conquistar o mesmo respaldo crítico que sua antecessora, a designer Sarah Burton.

O peso do legado e a gestão de Sarah Burton
Fundada em 1992, a Alexander McQueen ficou conhecida pela alfaiataria impecável, pelos desfiles teatrais e por uma estética que transitava entre o belo e o perturbador. Após a morte do fundador, em 2010, Sarah Burton assumiu a direção criativa da grife, cargo que ocupou por 13 anos. Entre seus trabalhos mais conhecidos para a label está o vestido de casamento de Kate Middleton, em 2011.


Suceder Burton, portanto, significava assumir uma grife com uma identidade bem estabelecida e uma antecessora respeitada no setor. McGirr tentou seguir outro caminho, investindo em referências mais jovens e em uma estética experimental. O desafio foi fazer essas escolhas dialogarem com o DNA da McQueen sem que suas coleções parecessem distantes daquilo que tornou a casa reconhecida.

Saída em meio à reestruturação
A saída também ocorre em meio a mudanças na estratégia da Kering, grupo que controla a grife. Em 2026, a empresa sinalizou que pretende voltar a concentrar esforços nos códigos mais tradicionais da McQueen, como a alfaiataria, os vestidos de ocasião e os acessórios, além de reduzir sua rede de lojas.

Segundo estimativas do banco Bernstein, a receita da marca ficou abaixo de 200 milhões de euros em 2025, bem distante dos 850 milhões de euros registrados em 2022 e 2023.
Em comunicado, a Kering agradeceu a contribuição de McGirr e afirmou que pretende dar um novo rumo à casa, mas não detalhou os motivos da decisão nem anunciou quem assumirá a direção criativa.



