LVMH e Kering adotam novas regras de proteção a modelos a partir de 2027
Conglomerados de luxo atualizam carta conjunta escrita em 2017 e reforçam novos requisitos para a proteção e o bem-estar das modelos

Os grupos de luxo LVMH e Kering irão endurecer as diretrizes de proteção a modelos que trabalham para suas marcas. Uma carta conjunta, criada em 2017, foi atualizada com medidas mais rigorosas contra assédio, abuso e violência, e inclui novas regras para situações que envolvam nudez e a contratação de modelos menores de idade. As mudanças entrarão em vigor em 2027, na edição da Semana de Moda de Paris que ocorrerá em janeiro.
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Idade mínima de modelos passa a ser 18 anos
Uma das principais mudanças da carta é o estabelecimento da idade mínima de 18 anos para modelos que representem adultos em desfiles ou sessões fotográficas. A medida unifica as diretrizes dos dois conglomerados: a Kering já havia adotado esse limite em 2019, mas a LVMH permitia a participação de modelos a partir dos 16 anos.

“Em 2017, propusemo-nos a ajudar a transformar o setor definindo, em conjunto, novos requisitos para a proteção e o bem-estar das modelos”, explica a diretora de sustentabilidade e assuntos institucionais da Kering, Marie-Claire Daveu. “Quase dez anos depois, é nossa responsabilidade ir além”, acrescenta.
A atualização visa ampliar a proteção de jovens profissionais em um setor que envolve jornadas de trabalho, exposição pública e pressão estética. Assim, a nova regra pretende garantir condições mais seguras durante produções de moda.
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Novas exigências para cenas de nudez
A carta também estabelece procedimentos específicos para situações que envolvam nudez total ou parcial durante ensaios fotográficos e outras produções. A partir das novas diretrizes, será necessário obter um consentimento formal prévio da modelo, além de reservar um espaço adequado para a realização das sessões.

Outra determinação é que a modelo não poderá ficar sozinha com um integrante da equipe de produção durante esses momentos, o que reforça a segurança e reduz situações de vulnerabilidade no ambiente de trabalho.
“Por meio desta iniciativa, a LVMH reafirma que a proteção das modelos não é uma medida pontual, mas um compromisso compartilhado por todas as partes interessadas do setor: marcas, agências, diretores de elenco e as próprias modelos”, comenta o diretor de imagem e meio ambiente da LVMH, Antoine Arnault. “O grupo visa contribuir para uma mudança duradoura nas práticas de toda a indústria da moda”, afirma.

Tolerância zero a assédio e violência
O documento reafirma a política de tolerância zero a todas as formas de assédio, abuso e violência, com atenção especial à violência de gênero e sexual. Para colocar as medidas em prática, a LVMH e a Kering preveem ações de conscientização e treinamento para marcas, agências e equipes envolvidas em castings, desfiles e sessões fotográficas.

Os procedimentos de denúncia também serão reforçados. De acordo com os grupos, os canais poderão ser acionados em qualquer etapa da colaboração profissional e deverão garantir anonimato e proteção às testemunhas.
Além disso, estão previstas auditorias e inspeções sem aviso prévio nos locais de trabalho, com o objetivo de acompanhar o cumprimento das regras estabelecidas na carta.

Inclusão e condições de trabalho
Outra mudança vem com o compromisso dos conglomerados com a inclusão e o combate à discriminação. Agora, os processos de seleção de modelos deverão respeitar a diversidade de talentos e evitar a reprodução de estereótipos, sem desconsiderar a liberdade artística de cada marca.
Além disso, o documento também traz acordos mais amplos relacionados às condições de trabalho, à saúde, à remuneração e ao bem-estar das modelos. A proposta é envolver não apenas as grifes, mas também agências, diretores de casting e outros profissionais que participam das produções.

Carta foi escrita em 2017
A LVMH e a Kering, responsáveis por marcas como Louis Vuitton, Dior, Fendi, Gucci, Saint Laurent, Bottega Veneta e dezenas de outras, estabeleceram a primeira carta conjunta em 2017, com o objetivo de melhorar as condições de trabalho e promover a saúde e o bem-estar de suas modelos. Desde então, o documento passou a orientar práticas adotadas pelas marcas dos dois grupos.

Quase dez anos depois, a revisão amplia as medidas de proteção, especialmente diante das discussões sobre violência de gênero, assédio e segurança de profissionais mais jovens. Em comunicado, os conglomerados afirmaram que a iniciativa busca gerar mudanças duradouras nas práticas da indústria da moda.
“Esta carta reforçada reflete uma convicção simples: o respeito, a segurança e a dignidade daqueles que personificam a moda são inegociáveis. Ao elevar coletivamente nossos padrões, queremos ajudar a promover uma mudança duradoura nas práticas de toda a profissão”, afirma o documento.

As novas diretrizes serão aplicadas a partir da próxima Semana de Moda de Paris, em janeiro de 2027, complementando os compromissos estabelecidos na carta original.
















