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Ilca Maria Estevão

Sapatos Tabi: a história dos calçados de dedos separados da Margiela

Polêmico, mas queridinho entre as fashionistas, o item é um dos produtos de moda mais cobiçados atualmente

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Naomi Rahim/WireImage via Getty Images
Na imagem com cor, foto dos tabis da maison Margiela - metrópoles

Os sapatos Tabi, com um design icônico que divide os dedos, eram considerados apenas uma peça de nicho, admirada por fãs fiéis da Maison Margiela. Originalmente inspirada nas meias japonesas tabi, usadas desde antes do século XV, a criação de Martin Margiela estreou nas passarelas em 1988. Décadas depois, o modelo ganhou destaque mundial ao se tornar um fenômeno no TikTok.

Vem saber mais!

Na imagem com cor, foto dos tabis da maison Margiela - metrópoles
O calçado foi lançado em 1988

O modelo Tabi

Com o objetivo de criar um sapato que evocasse a sensação de andar descalço, Martin Margiela se inspirou no design das meias japonesas Tabi. Além de supostamente confortáveis, elas também eram conhecidas por promover equilíbrio e clareza mental devido à separação dos dedos.

Produzir a peça, no entanto, foi um desafio: o design era tão radical que, inicialmente, nenhum sapateiro quis fabricá-lo. A solução veio após Geert Bruloot, dono da boutique Cocodrillo, apresentar Margiela ao artesão italiano Zagato, responsável por transformar a visão do designer em realidade.

O modelo autêntico estreou no desfile primavera-verão 1989 da Maison Margiela, em Paris, na França. Apesar da excentricidade, passou décadas sendo apreciado apenas por um público restrito. Hoje, o calçado se desdobra em versões como sapatilhas, tênis e o icônico Mary Jane, ainda com a proposta de desafiar o convencional.

Na imagem com cor, foto dos tabis da maison Margiela - metrópoles
O uso das meias tabi era restrito aos membros da elite por conta da escassez de algodão na época
Na imagem com cor, foto dos tabis da maison Margiela - metrópoles
A meia era usada junto ao sapato japonês de salto alto feito de madeira chamado geda
Na imagem com cor, foto dos tabis da maison Margiela - metrópoles
Antes criar a marca homônima, Margiela vendeu o primeiro sapato tabi para a amiga e estilista Ann Demeulemeester
Na imagem com cor, foto dos tabis da maison Margiela - metrópoles
Depois, ocorreu até mesmo colaboração com outras marcas, como a Reebok

Tendência viral

Apesar de estar entre as tendências do momento na moda, foi apenas em 2023 que os sapatos Tabi se popularizaram globalmente.  Isso porque, no TikTok, uma série de vídeos intitulada “Tabi Swiper” se tornou viral naquele ano.

O motivo de toda essa atenção ao item é a história de Lexus, uma usuária de Nova York, nos Estados Unidos, que compartilhou, com humor e dramatização, a busca por um par de Tabi Mary Jane roubado após um encontro com um homem do Tinder. O relato transformou o modelo em um fenômeno, e chegou a atrair mais de 178 milhões de visualizações.

O impacto nas redes sociais foi imediato. O design, antes reservado para amantes da moda conceitual, passou a ser objeto de desejo para um público mais amplo. Segundo o Lyst Index, as Tabi Mary Jane foram consideradas o item de moda mais desejado no terceiro trimestre de 2023.

Na imagem com cor, foto dos tabis da maison Margiela - metrópoles
Bonito ou não, o calçado gera impacto
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Há quem ame e quem não goste do estilo
Na imagem com cor, foto dos tabis da maison Margiela - metrópoles
Mas ele está por toda parte
Na imagem com cor, foto dos tabis da maison Margiela - metrópoles
Principalmente em eventos de grande relevância, adornando os pés de personalidades famosas

Os Tabi da Maison Margiela tornaram-se mais do que apenas um acessório, mas uma declaração de autenticidade. Agora, ao abraçar o status de objeto de desejo global, os sapatos enfrentam o desafio de continuar representando a ousadia e a originalidade que os fizeram icônicos.