
Ilca Maria EstevãoColunas

Roubos de relógios de luxo batem recorde e o Brasil está no mapa
A alta valorização dessas peças no mercado de segunda mão transformou o setor em alvo de quadrilhas especializadas
atualizado
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Em 2025, o mundo registrou o maior número de relógios de luxo extraviados da história. Segundo o The Watch Register, plataforma que monitora peças furtadas em todo o mundo, foram comunicados o desaparecimento de ao menos 10 mil unidades, o que representa mais de um relógio por hora. E a Rolex lidera esse ranking, sendo a marca de metade de todos os registros feitos.

Não é coincidência, os relógios da marca suíça não precisam de apresentação. São um acessório que todo mundo reconhece e consegue estimar o valor.
O método
Quem vive nas grandes cidades brasileiras conhece o método: quadrilhas em motos abordam a vítima, arrancam o relógio do pulso dela em segundos e somem no trânsito.
O que mudou é que essa prática ficou ainda mais organizada. Hoje, os alvos são mapeados pelas redes sociais, restaurantes frequentados, eventos, fotos do dia a dia em que o acessório aparece em destaque. A ostentação, que sempre foi parte do luxo, agora abastece o crime com informações.

No Brasil, o assunto ficou mais sério após casos envolvendo celebridades como Isis Valverde e Wanderley Luxemburgo. A exposição na internet virou fator de risco real, e muita gente já passou a ser mais cuidadosa com o que compartilha nas redes sociais.
O destino das peças
Os relógios deixaram de ser só moda para se tornar investimento. E isso tem um preço. O mercado de segunda mão cresce ano após ano e uma peça roubada pode cruzar fronteiras e reaparecer à venda em outro continente. A plataforma rastreou peças em 34 países no último ano, das Américas ao Oriente Médio.

O setor já começou a reagir com rastreamento por número de série e apólices específicas para relojoaria de luxo. Nos Estados Unidos, o número de empresas cadastradas na plataforma cresceu 78% em 2025.

O item que era símbolo de status virou também um risco. O consumidor já começa a mudar os hábitos: exibir um relógio de luxo hoje exige uma cautela que antes ninguém cogitava.
