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Ilca Maria Estevão

Referências fashion dos anos 1960 ressurgem nas passarelas

O período foi muito marcante para a moda. As modelos Twiggy, Brigitte Bardot e a ex-primeira dama Jackie Kennedy são alguns ícones do estilo

11/03/2018 05:26, atualizado 13/03/2018 12:52
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Referências fashion dos anos 1960 ressurgem nas passarelas

É evidente que a vibe oitentista, tão forte na última estação, esteve presente em looks com mangas volumosas, peças oversized, vestidos em lamê e paetê. Vimos também animal print, além de sobreposições com calças legging. Mas, nas passarelas internacionais, a década da vez são os anos 1960.

À época, a mulher ganhou mais liberdade. Na passarela, vestidos trapézio, com sapato estilo boneca — também conhecido como Mary Jane –, botas na altura da canela ou no modelo thigh high faziam referencia à Twiggy, Bridget Bardot e Jackie Kennedy. Além de botas envernizadas, saias lápis e trench coats apareceram nas apresentações da Balenciaga, Moschino, Chanel, Pucci e Giambattista Valli.

Miu Miu e Alexander McQueen apostaram nas jaquetas de couro, peça indispensável ao homem sessentista. Sobrepunham vestidos e até mesmo blazers. O resultado foi um look rebelde, que muito lembrava James Dean. Estampas psicodélicas ou geométricas, além das meias-calças em cores vibrantes, azul claro ou lilás, reforçaram o ode à década de 1960. Os penteados eram uma mistura entre gótico, a ex-primeira dama dos Estados Unidos Jackie Kennedy e Amy Winehouse, conhecida pelos topetes exagerados.

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1. Dior 
O cenário era o manifesto estudantil francês de 1968. A inspiração: os movimentos revolucionários, especialmente as reivindicações feministas. A entrada do Musée Rodin anunciava o clima de rebeldia. Cartazes e capas de revistas da época apresentavam frases em prol do empoderamento das mulheres. A mensagem ficou ainda mais clara quando o primeiro look apareceu na passarela: o suéter dizia C’est non non non et NON!  (É não, não, não e NÃO!”, em tradução livre).

As botas de cano alto, vestidos em saia lápis, patchworks, estampas psicodélicas e saias mais curtas deixavam ainda mais clara a força dos anos 1960 nesta coleção. As botinas, usadas com delicadas peças, reforçaram o tom de manifesto na passarela.

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A entrada do desfile estava coberta por cartazes com frases feministas
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O suéter com a frase empoderada foi a peça mais comentada da passarela
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A bota de cano alto em patchwork deu o tom sessentista à passarela, principalmente quando combinado com o vestido curto e o casacão
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A estampa colorida e psicodélica, também referência da época, levaram cor ao inverno da Dior
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Apesar de não ser curto, o vestido de patchwork também lembrou as estampas dos anos 1960
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A combinação vestido curto + casacão apareceu acompanhada da bota de cano médio e do patchwork descolado da marca

2. Moschino
A Moschino mergulhou nos anos 1960. Na passarela, surgiram várias versões de Jackie Kennedy. O terninho bem cortado, o chapéu pill box e o penteado são caraterísticos do estilo da ex-primeira dama dos Estados Unidos. Nos pés das modelos, outro hit da época: o sapato Mary Jane. Luvas e tons de lilás e azul claro também compuseram os looks e reforçaram o tom sessentista.

A grife deu um passo adiante e entrou nos anos 1970. Óculos vermelhos acompanharam pantalonas listradas, enquanto vestidos de festa em cores vibrantes, recortados em forma de raio, relembraram a capa do disco Alladin Sane, lançado em 1973 pelo icônico David Bowie – artista responsável por impactar não apenas a música, mas também a moda. Os looks avant gard eram coloridos e futuristas, lançando ombreiras, e metalizados antes mesmo dos anos 1980.

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“Jackie Kennedy” e seu tailleur total red. Supermoderno!
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Os looks monocromáticos incluíram sapatos e chapéus no mesmo tom
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Para dar contraste ao vestido azul pastel, o estilista pintou a modelo de laranja
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O toque de pop art apareceu na estampa divertida
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O sapato Mary Jane apareceu modernizado. De bico fino e ornamentado por fivelas, ele complementou o look feminino, masculinizado pelas maxi golas em preto envernizado
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Seria essa a ideia de Jeremy Scott de um look mais formal?
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A estampa listrada também era muito usada na época
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Neste look, a grife deu um passo à frente e introduziu a calça boca de sino dos anos 1970
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Além da homenagem à Jackie O, a Moschino também prestigiou David Bowie — artista responsável por transformar não apenas a música, mas também a moda com seus looks modernos, punk e futuristas
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O vestido fluido em lilás apareceu na cor dos anos 1960, com um toque futurista, da década de 1970, influenciado por David Bowie
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Esvoaçante e extravagante, mais um vestido em referência ao estilo do cantor, no fim dos anos 1960
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Vestido totalmente brilhante e nada discreto, outra referência a David Bowie

3. Giambattista Valli
Na passarela da Giambattista Valli, não foi só o estilo gótico que ditou tendência. Em meio às peças escuras e misteriosas, pude perceber a vibe sessentista — principalmente no look do vestido trapézio e botas envernizadas na altura da coxa. Uma bela mistura entre Twiggy e Bridget Bardot. Estampas psicodélicas e outras em tie dye também deram o toque dos anos 1960 à coleção.

O desfile foi estampado por desenhos florais com uma pegada retrô. A padronagem geométrica brinca com as consoantes do nome da marca: G, B e V, e lembram o estilo da Pucci, que também investiu na estamparia vintage. Os looks conseguiram ser vintage e modernos ao mesmo tempo.

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A estampa com as consoantes da marca lembraram muito os anos 1960
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As botas thigh high no estilo Bridget Bardot apareceram com os vestidos trapézio – queridinhos de Twiggy
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A mistura de estampas combinam com a época
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Mais uma opção de vestido trapézio e botas. Desta vez, com outra combinação de cores e mangas bufantes
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A versão mais dark do visual totalmente sixties também tem o seu charme. Afinal, o gótico está em alta

4. Miu Miu
O desfile da Miu Miu confirmou o que eu já sabia: as passarelas, nesta temporada, estão cheias de referências aos anos 1960. As coleções da marca sempre exploraram a feminilidade de forma muito peculiar, franca e independente. A Miu Miu girl tem convicção e o seu guarda-roupa é uma ferramenta de expressão e definição dentro de uma comunidade.

A inspiração foi a personagem Barbarella, interpretada por Jane Fonda, em 1968. Os looks misturavam vestidos monocromáticos, com lenço no pescoço, além da jaqueta de couro ou blazer oversized. O look da mulher forte era reforçado ainda por botinas pontudas e decoradas por laços. Sapatos tinham uma fenda no peito do pé – super sexy. A delicadeza dos anos 1960 se fez presente em meias com babados e sapatos Mary Jane.

Em contraste ao minimalismo dos vestidos bem cortados, temos topetes enormes no estilo de Amy Winehouse. O desfile foi uma mistura entre a cantora inglesa e o ator James Dean.

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Em seu debut nas passarelas, Elle Fanning apareceu com um look oversized. O lenço azul amarrado no pescoço e topete Amy Winehouse deram a pegada sessentista. Botinas enfeitadas por laços reforçaram a mistura do masculino e do feminino – tendência recorrente na temporada
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A estampa de poá é outra característica forte dos anos 1960
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O vestido curto, bem sixties, aparece numa proposta invernal e mais contemporânea ao ser usado com o casaco largo. O sapato amarelo traz um toque de cor e já nos leva à frente, com uma pegada oitentista
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O jeans aparece com aspecto vintage e a meia esportiva é usada com um Mary Jane modernizado
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Mais uma composição usando o jeans. Desta vez, acompanhado de suéter roxo e cintos diferentes para arrematar a produção
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O trench coat largo aparece no xadrez cinza. Já o amarelo, traz o toque anos 1960 à produção
Divulgação/Miu Miu
O look mais colorido do desfile misturou cores e texturas sem abrir mão dos sapatos boneca
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A rebeldia da jaqueta larga remete a James Dean, enquanto o roxo nos sapatos reforça o gótico da temporada. Os minióculos trazem um toque futurista à produção

5. Balenciaga
A moda dos anos 1960 foi vibrante e colorida, assim como a passarela do diretor criativo Demma Gvasalia para a nova coleção da Balenciaga. Saias lápis e estampas psicodélicas remetem à época, mas os destaques foram as botas em tons vibrantes em azul e laranja. Assim como os modelos da última temporada, bota e meia foram misturadas em uma única peça.

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A saia plissada e a bota fazem um efeito degradê muito chique
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A estampa psicodélica da camisa mistura-se com o xadrez clássico. Junto com a saia lápis fizeram uma homenagem à época
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Mais uma opção de bota over the knee. Desta vez, azul
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Vestidos curtos deixam as pernas à mostra. Tudo começou com as minissaias dos anos 1960

6. Alexander McQueen
No desfile de Alexander McQueen, o clima era Vamp, mas a década ainda cravada em 1960.

O principal ponto em comum entre a coleção de inverno da marca e o estilo da época são as peças estampadas em vermelho, branco, preto e cinza. Impossível não pensar nas padronagens tão marcantes da década sessentista.

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A jaqueta de couro no look cheio de sobreposições lembra, mais um vez, o estilo de James Dean, astro dos anos 1960
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O vestido em estampas geométricas, com um toque psicodélico, apareceu coberto por franjas
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A padronagem do desfile, desta vez em uma versão mais vermelha, cheia de recortes
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O vestido franjado ganhou uma fenda supersexy nesta versão

7. Givenchy
O mood do desfile da Givenchy foi mais noturno e misterioso. A mulher da grife está preparada para um inverno rigoroso, mas não vai abrir mão do glamour. Os casacos de pele largos e volumosos foram destaque na passarela.

O toque sessentista ficou por conta das botas, desta vez, de cano curto, e dos vestidos fluidos estampados que misturaram cores vivas e neutras, como o preto e o branco.

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O casaco volumoso só precisa de uma bela bota para um visual chique
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A alfaiataria, que era masculina, passou a ser usada também por mulheres a partir dos anos 1960
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A estampa psicodélica e colorida se destaca no fundo branco
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Quanto mais volume, melhor!
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No fundo preto, a mesma estampa aparece em branco e caramelo. Incrível!
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O tubinho é outro modelo de vestido supersixties, e este modelo é um must have!

8. Chanel
O desfile da Chanel é sempre o grande evento da semana de moda parisiense. A cada edição, a marca transforma o Grand Palais em um cenário com direito a cascatas e montanhas. Na floresta de Karl Lagerfeld, os looks maravilhosos de inverno desfilaram sob as folhas caídas no chão.

Peças em Jacquard, novidade da label, apareceram em vestidos trapézio, túnicas e casacos. Elas foram exibidas com botas e compuseram produções bem sessentistas. As it boots vêm em tom de dourado antigo. De salto baixo e bico fino, são simplesmente um escândalo. Fizeram parte de várias produções e apareceram em duas versões: na altura do joelho, ou over the knee.

Para finalizar, outro símbolo dos anos 1960 e da maison francesa: luvas. Elas arremataram o styling e se destacaram nos visuais da passarela.

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A bota dourada foi o destaque sixties do desfile
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O vestido trapézio era um hit da época e ressurgiu com mangas compridas no desfile da Chanel
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O colar de pérola fez toda a diferença neste look

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