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Propagandas estadunidenses e o retorno do conservadorismo na moda

Internautas criticam iniciativas de revistas e grandes marcas norte-americanas; entenda a polêmica

atualizado

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Pascal Le Segretain/Getty Images for Vogue via Getty Images
Imagem colorida de Gigi Hadid e Kendall
1 de 1 Imagem colorida de Gigi Hadid e Kendall - Foto: Pascal Le Segretain/Getty Images for Vogue via Getty Images

Entre campanhas de grandes marcas e capas de revistas renomadas, os elementos da cultura norte-americana tradicional, presente nos conteúdos dos últimos meses, chamam a atenção e causam desconforto nas redes sociais. Periódicos como Vogue, Elle UK e até mesmo a Vanity Fair apostaram em modelos brancas nas fotos, algumas delas vestidas com peças que remetem à bandeira americana ou ao estilo de vida campestre e tradicional. Já labels mundialmente reconhecidas, como a Gap e a American Eagle, exaltam a beleza de mulheres loiras dos olhos claros.

Vem saber mais!

Capas de revistas conceituadas como Vogue e Haper’s Bazzar

Irmãs Fanning na Vanity Fair

Segurando duas margaridas brancas, as irmãs Dakota e Elle Fanning posaram para a mais recente edição da revista norte-americana Vanity Fair. Na capa, elementos nas peças de roupas das irmãs chamam atenção pela similaridade com a bandeira nacional estadunidense. Entre elas, as estrelas na estampa da blusa de Elle e as listras brancas na roupa vermelha de Dakota.

Imagem colorida de publicação do Facebook
Na sessão de fotos, as duas utilizaram peças românticas, outras, que remetiam à bandeira estadunidense

O toque especial? As margaridas estão conectadas à ingenuidade, pureza e virgindade – características considerada ideais em uma mulher no ideal conservador norte-americano.

Imagem colorida de Dakota e Elle Fanning
As irmãs estiveram na capa da Vanity Fair

Pela cor azul, até mesmo os jeans utilizados entram na construção visual que remete a uma possível propaganda do nacionalismo. Loiras dos olhos claros e vestidas à caráter, é impossível não lembrar do personagem criado em 1870, o Uncle Sam (Tio Sam, em tradução livre), elaborado para as propagandas que recrutavam soldados para a Primeira Guerra Mundial.

Imagem colorida de homem com bandeira dos EUA no fundo
O cenário político norte-americano tem se inclinado para o retorno do nacionalismo extremo

Nas roupas, o personagem mantinha os elementos da bandeira norte-americana de forma caricata, assim como as irmãs na capa da revista, mas em um tom um pouco mais leve.

Gigi Hadid e Kendal Jenner como cowgirls

A capa e a polêmica em torno dela lembram a edição de outubro da Vogue com as modelos Kendall Jenner e Gigi Hadid. Em um rancho no estado de Wyoming, as fotos foram feitas pela Lachlan Bailey, e as peças utilizadas pelas modelos seguiram a linha da estética da cowgirl, com botas e chapéus, peças comumente utilizadas pelos conservadores estadunidenses.

Com vestidos longos e montadas em cavalos que correm em um campo vasto, as fotos das modelos para a edição de outubro fizeram parte de um editorial tipicamente campestre, exaltando uma beleza tradicional e romântica. Durante a entrevista, as duas falam sobre a amizade que elas cultivaram ao longos dos anos, e em como elas apreciam a vida no campo, com Jenner comentando sobre como ela imaginava já ter sido uma garota do campo na vida passada.

Imagem colorida de captura de tela de vídeo
A internauta brasileira Olivia critica a falta de inovação na escolha da Vogue

Detalhes rendados no vestido de seda utilizado por Kendall lembram um estilo de vida conservador, com mulheres felizes, com roupas tradicionais e em uma vida no interior. Nas redes sociais, internautas criticam a falta de criatividade e se questionam sobre qual a real mensagem que a revista escolheu passar.

Imagem colorida de captura de tela de vídeo
Em perfil no Tiktok, Roadman critica a alusão feita pela revista americana, relacionando ao cenário político atual

 

Imagem colorida de captura de tela de vídeo
Influencer Jasmine Darya questiona o excesso da produção de conteúdo sobre a vida campestre

Elle UK e polêmica com a Rosé

Em meio aos desconfortos do público com as revistas norte-americanas, a Elle UK ainda realizou uma publicação que causou revolta nas redes sociais. Após o desfile da Saint Laurent durante o último Paris Fashion Week, o Instagram oficial da revista publicou uma foto editada em que estavam alinhadas Hailey, Zoë, Charli e cantora sul-coreana Rosé, do Blackpink. Um detalhe não passou despercebido pelos internautas: a revista cortou Rosé da imagem, deixando apenas as primeiras três mulheres.

Hailey Bieber, Zoë Kravitz, Charli xcx e Rosé no desfile SS26 da Saint Laurent - Metrópoles
Hailey Bieber, Zoe Kravitz, Charli XCX e Rosé no desfile da Saint Laurent. A imagem teria sido uma versão dessa foto, com Rosé cortada

 

Rosé no desfile de SS26 da Saint Laurent - Metrópoles
Atualmente, Rosé é embaixadora global da label

Os fãs chegaram a acusar o periódico de racismo, devido à origem asiática da compositora. Apesar do posicionamento oficial do portal afirmar que o corte teria ocorrido devido a uma formatação das imagens, a escolha de priorização de quem iria aparecer na publicação denota pouco sentido, considerando que Rosé é atualmente a embaixadora global da Saint Laurent, e a imagem é de um desfile da marca.

Rosé com o look usado para o desfile SS26 da Saint Laurent - Metrópoles
Na foto publicada no Instagram, a Elle UK priorizou por dar destaque a mulheres brancas

Polêmica da American Eagle

Entre os “genes e os jeans”, a American Eagle recuperou um trocadilho polêmico das campanhas de moda dos anos 1980, que se utiliza da homófonia das palavras “jeans” e “genes”, na língua inglesa. A ideia segue o exemplo da campanhas realizda pela Calvin Klein com a atriz Brooke Shields, em que ela explica sobre  genética, e a associa com os jeans.

Propagandas estadunidenses e o retorno do conservadorismo na moda - destaque galeria
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Sydney Sweeney em campanha para a American Eagle
Sydney Sweeney em campanha para a American Eagle
Sydney Sweeney em campanha para a American Eagle
Sydney Sweeney em campanha para a American Eagle
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Sydney Sweeney em campanha para a American Eagle

American Eagle/Divulgação
Sydney Sweeney em campanha para a American Eagle
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Sydney Sweeney em campanha para a American Eagle

American Eagle/Divulgação
Sydney Sweeney em campanha para a American Eagle
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Sydney Sweeney em campanha para a American Eagle

American Eagle/Divulgação
Sydney Sweeney em campanha para a American Eagle
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Sydney Sweeney em campanha para a American Eagle

American Eagle/Divulgação

Em uma propaganda feita com atriz Sydney Sweeney, eles repetiram o slogan, dando a ideia de que a protagonista do filme Todos Menos Você tem características genéticas positivas – por ela ser uma mulher branca, loira, dos olhos azuis. Isso reforça uma visão eugenista e incentiva estereótipos de beleza na sociedade.

Confira mais detalhes das demais propagandas polêmicas sobre jeans no link.

Gap e os “bons genes” de Gwyneth Paltrow e Apple Martin

Novamente, com jeans e mulheres loiras, a Gap lançou uma nova coleção com destaque no jeans e inspirada no estilo dos anos 1990. A campanha é estrelada por Gwyneth Paltrow e Apple Martin, filha da atriz com Chris Martin, vocalista da banda Coldplay.

Imagem colorida de Apple Martin vestida em jeans azuis
Apple Martin e Gwyneth Paltrow estrelaram a propaganda da Gap Studio

 

Imagem colorida de Apple Martin e Gwyneth paltrow vestidas em jeans azuis
Gwyneth Paltrow e a filha

No curta-metragem protagonizado pelas duas, Paltrow descreve o estilo de Martin como “único e simples, mas com um toque diferente”. Apple parece recuperar peças chaves do estilo de Paltrow, utilizadas há 35 anos atrás, em uma campanha que reforça a beleza de mulheres brancas, em jeans azuis.

Imagem colorida de Apple Martin vestida em jeans azuis
Apple Martin posa para a Gap em comercial

Retorno do discurso nacionalista estadunidense

Em um momento político diferente, haveria a chance de a imagem das irmãs Fanning, na Vanity Fair, ou mesmo a Gigi e a Hadid, na Vogue, não gerar desconforto. Entretanto, com o crescente retorno do discurso nacionalista no atual governo norte-americano, os simbolismos ativam memórias antigas do que já foi considerado, um dia, o ideal estético e de estilo de vida criado pelo país considerado a maior potência mundial.

Trazer para a indústria da moda elementos considerados parte de uma visão eugenista de mundo, ou mesmo tradicionalistas em volta do estilo de vida feminino, são formas de romantizá-los e causar desejo no público. Uma vez voltando ao ideário estético, esses padrões ameaçam um retrocesso quanto às conquistas das mulheres, que acabam se colocando, por livre e espontânea vontade, nas mesmas caixinhas que elas lutaram por décadas para sair.

Confira abaixo o comercial estrelado por Brooke Shields, em 1980:

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