Prada valoriza desenhos manuais em nova campanha de Natal
Grife italiana foi na contramão do crescimento da inteligência artificial e fez filmes de animação a partir de desenhos manuais

A animação é um estilo de produção audiovisual centenário e passou por diversas transformações e avanços ao longo das últimas décadas. Uma das maiores mudanças na área se deu por conta da inteligência artificial, que otimizou o trabalho e expandiu as possibilidades de criações. A Prada, no entanto, escolheu ir na contramão dessa tendência e convidou artistas para ilustrarem a nova campanha natalina da marca com desenhos manuais.
Vem comigo saber mais!

Drawing Prada
Intitulada Drawing Prada, a campanha de fim de ano da grife italiana evoca a magia do Natal para revelar os novos produtos da coleção. A Holiday Collection revisita os códigos dos anos 1990 por meio de linhas depuradas, texturas marcantes e silhuetas contemporâneas, além de apostar em tecidos tecnológicos e silhuetas discretas.

Ainda, a maison apostou em uma nova geração de talentos globais da atuação para estrelar as produções, com nomes como Chen Haoyu, Luther Ford, Kelvin Harrison Jr., Maya Hawke e Sadie Sink.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDesenhos feitos à mão
A divulgação da nova coleção foi feita por meio de uma série de curtas-metragens idealizados por Miuccia Prada e Raf Simons, diretores criativos da Prada. Nas imagens, os atores interagem com personagens criados especialmente para a campanha, como coelhos, morcegos e camundongos, além de uma raposa e um lince. “É, em sua essência, uma celebração do artesanato e do processo criativo”, esclarece a marca.



As cenas combinam ação da vida real com animações ilustradas à mão por uma equipe de artistas liderados pelo renomado animador John Pomeroy – responsável por produções como Ursinho Pooh e Tigrão Também (1974), Fantasia 2000 (2000) e Os Simpsons: O Filme (2007), entre diversos outros que marcaram gerações.
“As histórias que contamos são transmitidas de geração em geração — são expressões dos sentimentos, das experiências e do envolvimento emocional do ser humano”, declara.
Na contramão da inteligência artificial
Ao ecoar tanto o charme da velha Hollywood quanto as fábulas milenares, repletas de cenas invernais dignas de contos de fadas e personagens animais cheios de fantasia, a campanha combina fotografias evocativas com ambientes ilustrados, inteiramente executados à mão.


Maison valorizou trabalho manual

Segundo a maison, essa “sensação tátil expressa uma noção fundamental de humanidade e uma conexão com o artesanato que sempre está no cerne da abordagem criativa da Prada”.
A campanha foi muito bem recebida na mídia por valorizar o trabalho manual de artistas, que vêm perdendo espaço no mercado criativo para as artes digitais, especialmente aquelas criadas com ferramentas de inteligência artificial.



Em meio à popularização da IA, que tornou a produção de imagens e animações cada vez mais rápida e acessível, a Prada apostou no caminho contrário, ao escolher valorizar um processo que exige tempo, técnica e sensibilidade humana. O trabalho manual, nesse contexto, deixa de ser apenas uma referência estética e passa a fazer parte da própria mensagem da campanha.

A escolha também reflete um movimento interessante no mercado de luxo. Em uma época em que qualquer pessoa pode gerar ilustrações com poucos comandos, aquilo que leva horas de dedicação, carrega a assinatura de um artista e não pode ser reproduzido exatamente da mesma maneira ganha outro valor.
Mais do que recorrer à nostalgia, a grife destaca que nem tudo precisa ser acelerado ou automatizado – e que o processo por trás de uma criação também pode ser parte do que a torna especial.








































