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Prada quebra mais de 200 contratos por condições precárias de trabalho
Em cinco anos, grife italiana Prada suspendeu o contrato com centenas de fornecedores após aumento na fiscalização
atualizado
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O Grupo Prada adotou uma política de “tolerância zero” em relação a seus fornecedores, levando o conglomerado a encerrar mais de 200 contratos nos últimos cinco anos por precarização das leis trabalhistas. A medida vem de uma determinação do governo italiano, que aumentou a fiscalização das marcas de luxo do país. O objetivo é manter a veracidade do selo Made in Italy, uma das maiores características do mercado de moda italiano.
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Prada e sua política de tolerância zero
Desde 2020, o Grupo Prada tem realizado inspeções in loco de fornecedores e de subcontratados no norte e centro da Itália. Até o momento, as mais de 800 inspeções causaram a suspensão do contrato com 222 fornecedores que demonstraram não seguir as exigências trabalhistas.

Dentre as violações, a mais grave diz respeito à existência de dormitórios dentro das fábricas, servindo como moradia de trabalhadores nas instalações. Além disso, os casos de falta de segurança do trabalho e gestão de resíduos foram os mais comuns entre as infrações.
Atualmente, a Prada tem quase mil fornecedores pela Itália, e, no último ano fiscal, realizou mais de cem inspeções, levando à rescisão de contrato de 43 fornecedores. Seis dessas decisões ocorrem devido a subcontratações não autorizadas com condições de trabalho irregulares.

As investigações não são ações isoladas da grife, mas coincidem com medidas do Ministério Público de Milão, que tem investigado alegações de abusos trabalhistas na cadeia de fornecimento de artigos de luxo italianos. Junto a isso, os promotores da cidade solicitaram informações à Prada em relação aos seus fornecedores, mesmo o grupo não estando sob investigação.
Os consumidores da Geração Z e o mercado de luxo
O movimento de fiscalização e suspensão de fornecedores se relaciona com a realidade do consumo atual. Ao mesmo tempo que microtendências e a rapidez de conteúdo exigem que as marcas se renovem constantemente, a nova geração de consumidores de luxo preza por questões éticas e transparência na hora de comprar.
Além disso, o contexto pós-pandêmico obrigou as marcas, até mesmo as de luxo, a se reinventarem para conseguirem manter sua relevância. Ações como a da Prada não são incomuns no cenário de moda atual.

