Prada quebra mais de 200 contratos por condições precárias de trabalho

Em cinco anos, grife italiana Prada suspendeu o contrato com centenas de fornecedores após aumento na fiscalização

atualizado

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Richard l´Anson/Getty Images
Loja da Prada em Milão - Metrópoles
1 de 1 Loja da Prada em Milão - Metrópoles - Foto: Richard l´Anson/Getty Images

O Grupo Prada adotou uma política de “tolerância zero” em relação a seus fornecedores, levando o conglomerado a encerrar mais de 200 contratos nos últimos cinco anos por precarização das leis trabalhistas. A medida vem de uma determinação do governo italiano, que aumentou a fiscalização das marcas de luxo do país. O objetivo é manter a veracidade do selo Made in Italy, uma das maiores características do mercado de moda italiano.

Vem saber mais!

Fachada da loja da Prada em Cortina - Metrópoles
O Grupo Prada cancelou mais de 200 contratos com fornecedores nos últimos cinco anos, devido a situações trabalhistas precárias

 

Prada e sua política de tolerância zero

Desde 2020, o Grupo Prada tem realizado inspeções in loco de fornecedores e de subcontratados no norte e centro da Itália. Até o momento, as mais de 800 inspeções causaram a suspensão do contrato com 222 fornecedores que demonstraram não seguir as exigências trabalhistas.

Trabalhador da Prada - Metrópoles
As principais violações dizem respeito a condições de trabalho ruins e falta de segurança

 

Dentre as violações, a mais grave diz respeito à existência de dormitórios dentro das fábricas, servindo como moradia de trabalhadores nas instalações. Além disso, os casos de falta de segurança do trabalho e gestão de resíduos foram os mais comuns entre as infrações.

Atualmente, a Prada tem quase mil fornecedores pela Itália, e, no último ano fiscal, realizou mais de cem inspeções, levando à rescisão de contrato de 43 fornecedores. Seis dessas decisões ocorrem devido a subcontratações não autorizadas com condições de trabalho irregulares.

 

Loja da Prada em Chengdu, na China - Metrópoles
A política de tolerância zero rendeu a grife mais de 200 rescisões contratuais

 

As investigações não são ações isoladas da grife, mas coincidem com medidas do Ministério Público de Milão, que tem investigado alegações de abusos trabalhistas na cadeia de fornecimento de artigos de luxo italianos. Junto a isso, os promotores da cidade solicitaram informações à Prada em relação aos seus fornecedores, mesmo o grupo não estando sob investigação.

 

Os consumidores da Geração Z e o mercado de luxo 

O movimento de fiscalização e suspensão de fornecedores se relaciona com a realidade do consumo atual. Ao mesmo tempo que microtendências e a rapidez de conteúdo exigem que as marcas se renovem constantemente, a nova geração de consumidores de luxo preza por questões éticas e transparência na hora de comprar.

Além disso, o contexto pós-pandêmico obrigou as marcas, até mesmo as de luxo, a se reinventarem para conseguirem manter sua relevância. Ações como a da Prada não são incomuns no cenário de moda atual.

Croqui de bolsa da Prada - Metrópoles
Pesquisas recentes demonstram que os consumidores da Geração Z tendem a unir valor, qualidade e práticas éticas ao escolher o produto de determinada marca

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