
Ilca Maria EstevãoColunas

Olivia Rodrigo é alvo de críticas seletivas por uso de babydoll
Entre o punk e o pin-up, Olivia Rodrigo e Sabrina Carpenter revelam diferentes tolerâncias ao visual feminino
atualizado
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Uma peça de roupa nunca é apenas uma peça de roupa quando o assunto é mulheres na cultura pop. Os vestidos babydoll voltaram ao centro das discussões após Olivia Rodrigo apostar na silhueta delicada para divulgar seu novo álbum e receber uma onda de críticas. Enquanto Sabrina Carpenter foi celebrada por sua sensualidade divertida e glamourosa, Olivia teve seus looks classificados como “infantilizados”, evidenciando como o público ainda reage de forma contraditória à imagem feminina.
Vem entender!

O olhar público
Olivia, desde o início de sua carreira, deixou bastante claro suas inspirações e influências musicais. Alanis Morissette, Courtney Love e Fiona Apple são algumas das cantoras que moldaram o estilo da artista.

O que as três musicistas têm em comum, é que ajudaram a romper com a expectativa de que mulheres na música precisavam ser agradáveis, delicadas ou emocionalmente contidas para serem aceitas.

Esse conceito guia a trajetória de Rodrigo nas composições líricas e visuais. Os vestidos babydoll e a estética inspirada no punk feminino dos anos 1990 retratam o oposto de uma feminilidade dócil, rendendo críticas às roupas da cantora. “Infantilizadas demais” ou “desconfortavelmente sexualizadas”, são algumas das mais frequentes.


Já Sabrina Carpenter, que também explorou os babydolls e estilo pin-up no álbum Short n’ Sweet, teve uma recepção diferente. Camisolas acetinadas, corsets, lingerie aparente e vestidos mini, foram absorvidos sob uma perspectiva divertida, glamourosa e confiante.



A diferença na recepção dos looks das artistas expõe um padrão antigo: a sociedade costuma aceitar melhor a sexualidade feminina quando ela aparece de forma controlada, polida e agradável ao olhar externo.
O visual punk girlie
Nos anos 1970, o punk começou a ganhar força, principalmente em Londres. Muitas mulheres passaram a usar peças associadas à feminilidade “inocente” de forma propositalmente irônica.

O objetivo era subverter expectativas. Em vez da mulher “bem-comportada”, o punk transformava esses símbolos em algo provocador. O babydoll deixava de representar pureza e passava a carregar deboche e contestação.

Era comum combinar a peça com coturnos, jaquetas de couro, maquiagem borrada, correntes e cabelos coloridos. O punk percebia a moda como linguagem política, transformando elementos associados ao feminino em ironia e confronto.





























