Nova Baguette da Fendi reacende debate sobre apropriação cultural na moda
Bolsa Baguette com miçangas e bordados foi criticada por suposta apropriação cultural de bolsas artesanais indianas

A grife italiana Fendi se envolveu em uma polêmica recente devido ao relançamento da icônica bolsa Baguette em uma versão com bordados, miçangas e espelhos. A peça foi comparada às bolsas artesanais indianas, muito vendidas durante o tradicional festival Navratri. O caso gerou diversos comentários sobre a possibilidade de a marca estar se apropriando da cultura sul-asiática. Além disso, outros casos de grifes de luxo que lançaram produtos semelhantes a peças tradicionais da Índia vieram à tona, com internautas ressaltando o quanto as marcas fazem questão de não dar os devidos créditos aos criadores das técnicas.
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Bolsa Navratri da Fendi
Após divulgação, a Fendi Baguette 24624 foi apelidada de “bolsa Navratri” nas redes sociais, justamente pela semelhança com as bolsas tradicionais indianas. O acessório foi confeccionado com 475 espelhos, 39.500 contas e 10.300 metros de fio, sendo vendido por US$ 10 mil (cerca de R$ 50 mil). O preço da peça também foi criticado, visto que o modelo artesanal da Índia é vendido por poucos mais de US$ 150, equivalente a R$ 750.


Após o lançamento, figuras do empresariado indiano se manifestaram em seus perfis, declarando que “reempacotar o artesanato tradicional da Índia como luxo, sem dar crédito aos artesãos que o criaram e preservaram, mina nosso talento e patrimônio autênticos”.
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Contudo, antes do lançamento oficial do modelo, em abril de 2026, a Fendi publicou um vídeo sobre o processo de criação do acessório, revelando que a bolsa foi produzida a partir “das mãos habilidosas dos artesãos de Chanakya”, uma renomada casa indiana de têxteis e bordados de luxo fundada em Mumbai, na Índia.
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Marcas de luxo e a apropriação cultural
No final de 2025, a Prada também se envolveu em uma polêmica devido ao lançamento de um par de sapatos no desfiles masculino de primavera/verão 2026. O calçado remete às sandálias Kolhapuri chappals, tradicionais da cultura indiana e produzidas artesanalmente. Tempos depois, a grife relançou o modelo em parceria com os governos dos estados Maharashtra e Karnataka, onde as sandálias são tradicionalmente produzidas.


Em 2018, a Gucci também enfrentou acusações de apropriação da tradição indiana. No desfile de outono/inverno daquele ano, a maison complementou os outfits com peças que remetiam aos Dastaars, turbantes sagrados do sikhismo, religião monoteísta fundada no final do século 15 na região do Punjab, na Índia.

Em 2018, a Adidas, em parceria com o rapper Pharrell Williams, também foi alvo de críticas pela coleção Hu Holi, que trazia peças brancas e coloridas, decoradas com termos em sânscrito. A linha fazia alusão ao famoso Festival Holi, celebração religiosa do hinduísmo. O lançamento foi fortemente criticado por autoridades hindus, que consideraram que a coleção esvaziava o real significado dos símbolos e termos da religião.









