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Ilca Maria Estevão

Nike lança quatro modelos de tênis desenvolvidos com resíduos de fabricação

Com a linha Space Hippie, gigante esportiva dá um novo passo rumo à produção sustentável ao transformar lixo em calçados desejáveis

24/06/2020 12:00, atualizado 24/06/2020 13:48
Nike/Divulgação
Tênis Space Hippie, da Nike

Antes do novo coronavírus se alastrar pelo mundo, a sustentabilidade era o maior debate da indústria têxtil. Os maiores conglomerados do setor se apressavam para encontrar especialistas que os guiassem rumo a uma produção mais limpa, enquanto as marcas e consumidores abandonavam de vez o uso de peles. Por alguns meses, essa movimentação ficou à sombra da crise gerada pela pandemia, porém, conforme as políticas de distanciamento social são afrouxadas pelo mundo, as etiquetas de moda começam a retomar as ações voltadas à preservação ambiental. A Nike, por exemplo, acaba de lançar quatro modelos de tênis desenvolvidos com restos de sua produção.

Vem comigo conferir!

@danillocosta71e2/Giphy/Reprodução

Todos os calçados da linha Space Hippie são feitos com, pelo menos, 25% de materiais reciclados, retirados diretamente das lixeiras da Nike. O nome do compilado faz referência ao hábito dos astronautas de coletar, armazenar e reaproveitar coisas encontradas no espaço. Assim como é feito na Nasa, em vez de jogar fora os recortes que sobram na fabricação de seus calçados, a companhia esportiva passou a catalogar os resíduos de fabricação, para dar vida a novos itens.

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O resultado da iniciativa foi a coleção com menor quantidade de carbono da empresa. O tricô na parte superior dos tênis é completamente feito a partir de fios Space Waste, um poliéster construído com garrafas plásticas usadas e restos de tecido e linha. O amortecimento das peças, por sua vez, é criado a partir dos resquícios das solas Vaporfly, que demandam apenas metade do CO2 usado nas outras espumas da etiqueta.

Nike/DivulgaçãoLinha Space Hippie, da Nike
A Nike achou no lixo a inspiração para seu mais recente lançamento
Nike/DivulgaçãoLinha Space Hippie, da Nike
Companhia redirecionou seus detritos à criação de novos itens
Nike/DivulgaçãoLinha Space Hippie, da Nike
A linha Space Hippie tem a menor quantidade de carbono da empresa
Nike/DivulgaçãoLinha Space Hippie, da Nike
O tricô na parte superior dos tênis é completamente feito a partir de garrafas plásticas usadas e restos de tecido e linha
Nike/DivulgaçãoLinha Space Hippie, da Nike
A fabricação das solas emite apenas metade do CO2 que um sistema de amortecimento comum demanda

Os esforços para desenvolver sapatos a partir de materiais dispensados não são bem uma novidade na moda. A concorrente Adidas, inclusive, divulgou seu primeiro modelo 100% reciclado no ano passado. Todavia, a Nike conseguiu cumprir a difícil missão de tornar o upcycling desejável.

“O design pode ser uma ferramenta para impulsionar a adoção de novos comportamentos. Esse é o objetivo aqui: fazer você querer experimentar a peça”, comentou o líder de sustentabilidade da Nike, Noah Murphy-Reinhertz, ao Highsnobiety.

O intuito da companhia é tornar a sustentabilidade atraente, independente de quanto a label irá lucrar com isso. “Acho que não cabe a nós tentar enxergar a sustentabilidade como uma maneira de vender produtos. Trata-se de participar de uma conversa que existe. Os consumidores desejam opções politicamente corretas, mas eles querem que o visual seja legal”, defendeu o estilista.

Nike/DivulgaçãoLinha Space Hippie, da Nike
O designer responsável pelas criações acredita que o visual dos produtos torna a sustentabilidade desejável
Nike/DivulgaçãoLinha Space Hippie, da Nike
A cartela de cores e a modelagem estão em sintonia com as tendências do mercado
Nike/DivulgaçãoLinha Space Hippie, da Nike
Modelo feminino da linha Space Hippie
Nike/DivulgaçãoLinha Space Hippie, da Nike
Versão para elas tem duas opções de cores
Nike/DivulgaçãoLinha Space Hippie, da Nike
Edição com cano alto e fecho

Segundo Murphy-Reinhertz, o processo criativo da linha Space Hippie começou após a gigante esportiva realocar ele e sua equipe para uma sala com recursos limitados. “É exatamente assim que o futuro do design se parece, porque temos que reconhecer as limitações para depois tentar projetar algo possível naquele contexto”, analisou Noah ao portal.

A coleção, inicialmente voltada às Olimpíadas, estava prevista para chegar o mercado no dia 11 de junho, mas a Nike decidiu adiar o lançamento no mercado americano para 3 de julho. No Brasil, as criações serão vendidas na Cartel 011, custando entre R$ 599,90 e R$ 799,90. O Space Hippie 03, modelo mais caro, é feito com pelo menos 45% de material reciclado.

Nike/DivulgaçãoLinha Space Hippie, da Nike
A equipe de Noah tocou o projeto após ser transferida para uma sala cheia de materiais descartados
Nike/DivulgaçãoLinha Space Hippie, da Nike
Modelo Space Hippie 03, feito com pelo menos 45% de materiais reciclados

Embora a única solução para o impacto da moda no meio ambiente seja consumir e produzir menos, o argumento da sustentabilidade tem sido usado para colocar mais roupas em circulação. O projeto Space Hippie poderia ser apenas mais um trabalho reciclado superfaturado, porém, a Nike conseguiu entender que sacrificar o design em nome das emissões de CO2 não é o caminho para convencer o consumidor.

Ao redirecionar uma quantidade significativa de detritos, que, de uma forma ou de outra, terminariam nos aterros sanitários, a empresa demonstra estar limpando sua bagunça antes de renovar os processos de fabricação por completo. Que este comportamento contagie toda a indústria!

Colaborou Danillo Costa 

Nike lança quatro modelos de tênis desenvolvidos com resíduos de fabricação