Por Ilca Maria Estevão, Rebeca Ligabue, Hebert Madeira e Sabrina Pessoa

Nike se posiciona contra o racismo após assassinato de George Floyd nos EUA

Enquanto protestos ganham força no mundo todo, marcas declaram apoio ao movimento antirracista

atualizado 02/06/2020 18:01

Mãos dadas em protesto contra o racismoAlex Kormann/Star Tribune via Getty Images

Nos últimos dias, protestos contra o racismo e a violência policial tomaram conta de várias cidades nos Estados Unidos. O estopim foi a morte de George Floyd. O homem preto foi brutalmente assassinado por um policial branco, na cidade de Minneapolis, em Minnesota. Em apoio ao movimento que pede por justiça, marcas e celebridades se manifestaram publicamente. Uma delas foi a Nike, que lançou um manifesto pedindo que as pessoas se posicionem contra o preconceito e a discriminação racial.

protesto contra o racismo e a truculência policial, depois da morte de George Floyd
Os protestos que pedem justiça ganharam força há seis dias nos Estados Unidos

 

protesto contra o racismo e a truculência policial, depois da morte de George Floyd
O início foi em Minnesota, mas as manifestações se estenderam a diferentes cidades dos Estados Unidos e do mundo

 

protesto contra o racismo e a truculência policial, depois da morte de George Floyd
“Eu não consigo respirar”: cartaz faz referência ao assassinato de George Floyd, que morreu asfixiado por um policial

 

protesto contra o racismo e a truculência policial, depois da morte de George Floyd
“Vidas negras importam”

 

protesto contra o racismo e a truculência policial, depois da morte de George Floyd
“Sem justiça, sem paz”

 

Para discutir o racismo, o famoso slogan “Just Do It” (“Apenas faça”, em tradução livre) foi transformado em “Don’t Do It” (“Não faça isso”). O posicionamento foi postado nas redes sociais da empresa. A Nike chegou a incentivar que os clientes participem dos protestos nos EUA, mas sem citar o nome de George Floyd.

“Não faça isso. Não finja que não há um problema na América. Não vire as costas ao racismo. Não aceite que vidas inocentes sejam tiradas de nós. Não dê mais desculpas. Não ache que isso não te afeta. Não fique em silêncio. Não ache que você não pode fazer parte da mudança. Vamos fazer parte da mudança”, recomenda.

“A Nike tem uma longa história de posição contra intolerância, ódio e desigualdade em todas as formas”, destacou a etiqueta em comunicado. “Esperamos que, ao compartilhar este filme, possamos servir de catalisador para inspirar ações contra uma questão profunda em nossa sociedade e incentivar as pessoas a ajudar a moldar um futuro melhor”, completou.

O material divulgado consiste em um fundo preto com a mensagem por escrito. No vídeo, toca uma música instrumental. “Vamos todos fazer parte da mudança”, diz a legenda do post. O conteúdo foi criado pela agência Wieden+Kennedy.

 

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Let’s all be part of the change. ⠀ ⠀ #UntilWeAllWin

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A ação recebeu apoio da Adidas. No Twitter, a concorrente respostou a publicação da Nike, declarando incentivo. “Juntos é que vamos para frente. Juntos é como fazemos mudanças”, escreveu.

A Adidas também se manifestou pelo Instagram. A marca esportiva escreveu: “Tome uma atitude. As coisas não vão mudar, a menos que criemos essa mudança”. Para ilustrar, colocou uma imagem com a palavra “racismo” riscada por um traço vermelho.

post da Adidas contra o racismo, em apoio à Nike
A Adidas se juntou à Nike contra o racismo

 

post da Adidas contra o racismo
No Instagram, a Adidas riscou a palavra “racismo”

 

post da Adidas contra o racismo
A Adidas também postou um recado: “Juntos é como avançamos. Juntos, temos o poder de fazer mudança. Juntos, devemos combater o que está errado e tentar consertar”

 

 

Outras marcas e designers do mercado fashion demonstraram apoio ao movimento Black Lives Matter (Vidas negras Importam). Marc Jacobs, por exemplo, enfatizou que “uma vida não pode ser substituída”. Já a Gucci repostou uma arte com uma mensagem da escritora Cleo Wade: “O mundo dirá para você: precisamos acabar com o racismo. Comece curando-o em sua própria família”, orienta.

O francês Simon Porte Jacquemus também está na lista. “Não posso acreditar que ainda temos que dizer isso – é realmente inacreditável”, opinou o estilista. Ele também compartilhou um vídeo do norte-americano Keedron Bryant, de 12 anos, cantando à capela. “Eu sou um jovem negro, só quero viver”, diz a canção.

 

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A life cannot be replaced. Black Lives Matter. Marc Jacobs. Los Angeles, CA. May 31, 2020

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Words by @cleowade

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MY HEART ? @keedronbryant

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Entenda o caso

O caso aconteceu em 25 de maio, em Minnesota. Tudo começou quando um funcionário do supermercado Cup Foods reportou à polícia que um consumidor havia usado dinheiro falsificado para comprar um maço de cigarros e teria se recusado a devolver o produto. O cliente acusado era George Floyd.

Logo após a chamada, policiais chegaram ao local. No momento, Floyd estava sentado com duas outras pessoas em um carro estacionado em uma esquina. Floyd já estava algemado quando o oficial branco Derek Chauvin o colocou de bruços no chão e forçou o joelho sobre seu o pescoço.

A agressão, que causou a morte do homem preto, durou 8 minutos e 46 segundos, segundo relatório oficial. Testemunhas filmaram a ocorrência e o vídeo viralizou. O episódio reacendeu a história de truculência policial contra negros nos Estados Unidos.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, a morte de Floyd provocou uma série de protestos, em busca de justiça e contra o racismo. Chauvin foi preso e é acusado de homicídio. O nomes dos outros policiais envolvidos não foram revelados, mas todos foram demitidos da corporação.

George Floyd
George Floyd foi assassinado em maio. Este mural, com o rosto da vítima, foi pintado em Berlim, na Alemanha

 

Os protestos reuniram inclusive celebridades. Ariana Grande, Michael B. Jordan, Paris Jackson, Jamie Foxx, Anna Kendrick, Camila Cabello, Shawn Mendes, Halsey, Lauren Jaregui e Kali Uchis estão entre as personalidades que foram às ruas.

George Floyd tinha 46 anos e vivia em Minneapolis há anos, mas sua cidade natal era o Texas. A imprensa local informou que o norte-americano trabalhava como segurança, mas foi demitido devido à crise econômica decorrente do surto global de Covid-19.


Colaborou Rebeca Ligabue

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