
Ilca Maria EstevãoColunas

Moda praia brasileira é impactada pelo tarifaço de Trump nos EUA
O tarifaço de Trump, que elevou para 50% os impostos sobre produtos brasileiros, ameaça a competitividade da moda praia nacional nos EUA
atualizado
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A moda praia, que tem como base as roupas de banho, corresponde a um dos principais produtos fashion de exportação do Brasil para os Estados Unidos, formando um mercado que é fortalecido pela variedade de marcas nacionais e até mesmo pela imagem construída sobre a cultura brasileira praiana e veranil. Conhecido ao redor do mundo, esse setor está sendo, contudo, impactado pelo tarifaço de Donald Trump, que elevou para 50% os impostos sobre produtos de origem brasileira importados pelos Estados Unidos.
Vem entender!

Com as tarifas impostas pelo governo norte-americano, os biquínis e maiôs brasileiros chegam aos EUA significativamente mais caros, perdendo competitividade frente a outros países e até mesmo ao mercado interno. O setor, que movimenta milhões em exportações anuais, vê riscos de uma queda abrupta em seu principal destino internacional. De acordo com o Comex Stat, 40% das vendas do setor brasileiro de moda praia têm como destino os Estados Unidos.
Para conter os prejuízos, o governo brasileiro anunciou crédito emergencial e estuda medidas de retaliação. Já a indústria nacional busca novos mercados e estratégias para agregar valor, com as marcas apostando em diferenciais como sustentabilidade e design autoral para o comércio exterior.
Moda praia: economia e cultura
Dados compilados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) revelam que as exportações de vestuário aos EUA totalizaram US$ 4,1 milhões em 2024, número que deve ser reduzido no ano atual. Além da questão econômica, há também o risco de perda simbólica.
A moda praia brasileira conquistou o mundo pelo corte considerado ousado — pelo menos lá fora — e pelo estilo ligado ao imaginário das praias tropicais. Passarelas internacionais e grandes multimarcas norte-americanas adotaram o estilo e fazem do Brasil referência no setor. Com o tarifaço, essa presença pode diminuir, reduzindo não apenas a circulação das peças, mas também a visibilidade da estética brasileira em um dos maiores mercados consumidores de moda do mundo.


