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Ilca Maria Estevão

Manolo Blahnik retoma direito de marca na China após ser pirateado

O estilista espanhol travava uma batalha judicial há 22 anos no país asiático pelo direito à patente da etiqueta de sapatos luxuosos

22/07/2022 02:00, atualizado 05/12/2022 14:57
Edward Berthelot/Getty Images
Sandália de salto fino azul turquesa, com uma fivela brilhosa na frente, da marca Manolo Blahnik.

A Manolo Blahnik, etiqueta homônima do designer espanhol, venceu uma batalha judicial de 22 anos na China para ter o direito ao registro da própria marca no país. A partir de agora, as chinesas não precisarão viajar internacionalmente para adquirir os luxuosos sapatos da label. 

Vem entender mais!

Giphy/Manolo Blahnik/Divulgação

Apesar de ser uma potência econômica, a China ainda é um país considerado comunista e possui leis protecionistas. Uma delas é o registro das marcas internacionais que queiram operar dentro do território chinês. 

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Esse pré-requisito faz com que a pirataria seja “facilitada” no país, uma vez que qualquer pessoa pode fazer o registro do nome de uma marca internacional. Foi o que aconteceu com a Manolo Blahnik no fim dos anos 1990.

Em 1999, o empresário chinês Fang Yuzhou solicitou o registro para uma marca, também de calçados, chamada “Manolo & Blahnik”. Em janeiro de 2000, o órgão oficial, China Trademark Office, aceitou o pedido e liberou a patente. 

Rose Hartman/Getty ImagesO estilista Manolo Blahnik, um homem branco e de meia idade, sentado em um sofá bege segurando sandálias que ele mesmo desenvolveu. Veste um terno bege e usa uma camisa branca com gravata cinza
Nascido nas Ilhas Canárias, da Espanha, Manolo foi morar em Paris, na França, em 1968, quando começou a trabalhar com moda
JP Yim/Getty ImagesO estilista Manolo Blahnik, um homem branco e idoso, sentado com os braços em uma mesa branca de mármore ao lado de um sapato desenhado por ele, na cor verde e de salto alto. Ele usa óculos de grau com armação escura, um terno preto e uma gravata listrada preta e branca
Antes fundar a marca homônima, em 1973, o designer fez sapatos para estilistas renomados como Yves Saint Laurent, Christian Dior e Calvin Klein
Dave Benett/Getty ImagesEstante de uma exposição de moda com as sandálias da marca Manolo Blahnik
Manolo Blahnik sempre se destacou por criar sapatos nada discretos
FZS/MEGA/GC Images via Getty ImagesKristin Davis e Sarah Jessica Parker, atrizes que trabalham em Sex and The City, nas gravações da série. Ambas são mulheres brancas de meia idade, mas a primeira tem o cabelo liso e castanho e a segunda é loura.
Manolo Blahnik virou uma febre entre os fashionistas com a série Sex and the City. A marca era a favorita da protagonista Carrie Bradshaw, vivida por Sarah Jessica Parker

Na sequência, a própria Manolo Blahnik entrou na Justiça para barrar o processo, mas o empresário chinês saiu vitorioso. Segundo o órgão chinês, a etiqueta espanhola não tinha vendas ou negócios no país antes do registro da marca pirata.

O cenário melhorou em 2019, quando foram feitas alterações das leis de patentes. Porém, o imbróglio judicial seguiu até junho deste ano, quando a Suprema Corte da China decidiu favoravelmente a Manolo Blahnik para ter os direitos à própria marca no país asiático.

Manolo Blahnik/DivulgaçãoMulher negra calçando sandálias de salto alto e fino na cor turquesa com uma fivela de strass na frente
As sandálias do designer são conhecidas por serem verdadeiras joias para os pés
Manolo Blahnik/DivulgaçãoMulher branca calçando bota de salto alto e fino na cor verde escuro, em camurça. O sapato é da marca Manolo Blahnik
A marca Manolo Blahnik não tinha operações comerciais na China por causa da batalha judicial que se iniciou em 2000
Manolo Blahnik/DivulgaçãoSandália de salto alto azul clara, com flores vermelhas estampadas, e aplicações de pedras que simulam diamantes. O sapato é da marca Manolo Blahnik
Um empresário chinês tinha “roubado” o nome da marca e registrado no órgão oficial de patentes do país
Manolo Blahnik/DivulgaçãoSapato estilo mocassim, em couro preto, da marca Manolo Blahnik. A pessoa que veste o calçado usa também uma meia laranja e uma calça cinza. Ao lado do seu pé é possível ver uma pilha de caixas da marca e outro mocassim, do mesmo modelo, mas em couro marrom
A Suprema Corte da China decidiu a favor do estilista e, a partir de agora, a marca pode comercializar seus produtos no país

Vale lembrar que a China é o principal mercado das marcas internacionais de luxo. Ter lojas no país – e butiques especiais com produtos exclusivos – é uma estratégia importante para a expansão dos nomes da moda e da beleza.


Colaborou Carina Benedetti

Manolo Blahnik retoma direito de marca na China após ser pirateado