Lelê Burnier compartilha detalhes sobre os bastidores de nova collab
Em entrevista à coluna, influenciadora falou sobre o processo criativo da nova coleção que assina em parceria com a Maria Filó

Com o verão em vista, a Maria Filó se juntou à Lelê Burnier para o Alto Verão 27. A colaboração entre a marca e a influenciadora digital chegou às lojas na última terça-feira (3/11), combinando trabalho artesanal, acabamentos sofisticados, referências western e uma leitura solar do verão. Em entrevista à coluna, Lelê falou sobre o processo criativo da coleção e refletiu sobre como sua experiência com o mundo digital foi importante para este momento.
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Maria Filó + Lelê Burnier
Cliente da marca há mais de uma década, Lelê Burnier foi convidada pela Maria Filó para assinar a nova coleção da loja. Desenvolvida ao longo do último ano, a collab apresenta 32 peças que misturam elementos característicos do olhar da criadora de conteúdo com os códigos da etiqueta brasileira.

Entre os destaques estão o lenço em Chevron, o jeans de estética vintage e western e o tricô Maxi Chevron, que ganha diferentes interpretações, como um vestido com franjas e um biquíni desenvolvido especialmente para a parceria.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Acho que essas referências têm muito a ver com a maneira como construo meu repertório de moda”, revela Lelê. “Gosto de observar como as pessoas se vestem, de olhar para outras culturas, para a arquitetura, para os detalhes de uma peça antiga e para a forma como diferentes elementos convivem em um mesmo look”, adiciona.
Para ela, o western e o boêmio – estilos presentes na nova coleção – têm força visual, ao mesmo tempo em que possuem uma certa liberdade, que conversa com o seu jeito de se vestir.

Do imaginário à coleção
Com um estilo marcado por misturas de referências e combinações bastante originais, Lelê propôs que a collab tivesse peças que, mesmo estampadas ou coloridas, combinassem entre si.
“Acho que o mais interessante foi justamente encontrar esse ponto em comum”, explica. “Meu jeito de me vestir tem muito a ver com experimentar, misturar coisas que, à primeira vista, talvez não pareçam pertencer ao mesmo universo e criar combinações que tenham personalidade”, afirma.



Sendo assim, a ideia do Alto Verão 27 não era simplesmente reproduzir o guarda-roupa da influenciadora, mas entender quais elementos do seu olhar poderiam ganhar vida dentro da marca.
“Foi um exercício de traduzir a minha identidade sem perder de vista a essência da Maria Filó. Gosto de pensar que o resultado tem essa mistura de universos, com peças que têm personalidade, mas que também permitem diferentes interpretações dependendo de quem está usando”, observa.


Segredo por mais de um ano
Revelada no fim do mês de outubro, a coleção foi desenvolvida ao longo de um ano, com tudo sendo mantido em segredo para os mais de dois milhões de seguidores de Lelê e da Maria Filó – uma tarefa que não foi fácil para a criadora de conteúdo.
“Quem me acompanha sabe que gosto de compartilhar os processos, as referências e os detalhes das coisas que estou vivendo. Então, desenvolver um projeto durante tanto tempo e não poder mostrar praticamente nada foi um exercício de contenção”, conta à coluna.

“Ao mesmo tempo, foi muito gostoso ter algo tão especial sendo construído nos bastidores”, continua. Por ser um processo longo e composto por diversas etapas, Burnier revela que foi criando uma grande expectativa para o momento em que poderia finalmente dividir a novidade com sua comunidade.
“Tive que me controlar algumas vezes, principalmente quando estava muito envolvida com alguma etapa da coleção e queria mostrar o que estava acontecendo. Mas acho que esperar também fez parte da experiência. Agora, poder apresentar o resultado e contar a história por trás dele torna tudo ainda mais especial”, acredita.


Influência do trabalho com a internet
Responsável por popularizar o formato viral de “get ready with me” (vídeos em que as pessoas se arrumam enquanto gravam o conteúdo), Lelê já apostou em diferentes formatos de conteúdo, o que ampliou sua atuação na internet para além de conteúdos sobre maquiagem e outfits.
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Burnier revela que as redes sociais foram fundamentais para construir sua relação com a moda e para entender o que desperta o interesse das pessoas. Porém, tudo o que acontece por trás de uma imagem foi o que sempre a fascinou: “O look que aparece em um vídeo ou em uma foto é só uma parte de um processo criativo muito maior”, conta.
“Participar de uma coleção me permitiu aprofundar esse olhar, sair um pouco da lógica de pensar em um conteúdo e acompanhar a construção de um produto desde as referências até a peça final. É uma experiência que amplia a maneira como enxergo a moda e também o meu próprio trabalho”, acredita.

“Não vejo essas possibilidades como caminhos separados: tudo o que construí nas redes faz parte do meu repertório, e poder levar isso para outros formatos é uma evolução muito natural para mim.”

Confira mais sobre a entrevista da coluna Ilca Maria Estevão com a influenciadora Lelê Burnier:
Metrópoles: Você é formada em Design de Produto e construiu sua carreira compartilhando referências e combinações de moda. Como foi sair do papel de quem seleciona e combina peças para participar diretamente do processo de criação de uma coleção? Sua formação teve influência nessa experiência?
Lelê Burnier: Foi muito especial poder olhar para a moda de um outro lugar. Sempre gostei de pensar no look como um todo, de misturar referências, propor combinações e encontrar novas possibilidades para uma mesma peça. Mas participar da criação de uma coleção é diferente, porque você começa a pensar também no produto em si, em como ele vai ser construído e em tudo o que existe por trás daquela roupa chegar até alguém.
Minha formação em Design de Produto me ajudou muito nesse processo, porque me fez olhar para além da estética. Você passa a pensar em funcionalidade, materiais, proporções e em como uma ideia se transforma em algo concreto. Acho que consegui unir esse olhar mais técnico à minha experiência construindo uma identidade de moda nas redes. Foi uma oportunidade de transformar referências que já faziam parte do meu universo em peças que outras pessoas também pudessem incorporar ao próprio estilo.
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M: Nas redes sociais, você tem liberdade para experimentar e testar ideias. Já no desenvolvimento de uma coleção, é preciso considerar questões como materiais, modelagem e produção. Houve alguma ideia que precisou ser adaptada ou que tomou um caminho diferente do imaginado?
LB: Com certeza. Quando você monta um look, consegue experimentar muitas possibilidades de maneira imediata. No desenvolvimento de uma coleção, existe um processo muito mais profundo, porque a ideia precisa funcionar na peça, no corpo e na produção. Às vezes, uma referência é linda visualmente, mas precisa ser reinterpretada para que o resultado tenha o caimento, o acabamento e a funcionalidade que você imaginou.
Isso foi uma das partes mais interessantes da experiência, porque me fez entender ainda mais a importância de cada etapa da criação. Você aprende a desapegar um pouco da primeira ideia e a perceber que uma adaptação não significa necessariamente perder a essência daquilo que imaginou. Muitas vezes, é justamente nesse processo que a peça encontra sua melhor versão.

M: A coleção mistura referências western, elementos artesanais, uma estética boêmia e peças que transitam entre o litoral e a cidade. De onde vieram essas referências? Existe alguma viagem, lugar, memória afetiva ou peça do seu próprio guarda-roupa que tenha servido como ponto de partida para a criação?
LB: O que me atrai é poder misturar tudo isso sem ficar presa a uma única estética. Gosto de peças que parecem ter uma história, de materiais e acabamentos que trazem textura e de roupas que funcionam em diferentes contextos. Essa ideia de transitar entre o litoral e a cidade também tem muito a ver com pensar a moda de uma maneira menos rígida, em que você consegue levar uma peça para diferentes momentos e criar novas combinações com o que já tem no guarda-roupa.

M: Como foi a dinâmica de trabalho com a equipe de estilo da Maria Filó? Você já chegou com ideias muito definidas ou o processo foi acontecendo a partir de uma troca de referências e sugestões? Teve alguma surpresa durante o desenvolvimento?
LB: Eu cheguei com um repertório de referências e com uma ideia bastante clara do universo que gostaria de explorar, mas sempre aberta à troca. Acho que uma colaboração funciona melhor quando você consegue levar a sua visão para a mesa e, ao mesmo tempo, está disposta a ouvir quem tem outra experiência e outro olhar sobre o processo.
A equipe da Maria Filó foi fundamental para transformar essas ideias em uma coleção de verdade. Existe um conhecimento técnico e um entendimento da marca que fazem toda a diferença, e foi muito rico poder construir a partir dessa troca. Acho que uma das coisas mais interessantes é perceber como uma ideia vai se transformando quando outras pessoas passam a olhar para ela. O resultado acaba sendo maior do que aquilo que você conseguiria imaginar sozinha.

M: Quando olha para os próximos anos, que espaço gostaria de ocupar no mercado da moda? Você pretende se envolver mais em processos criativos e desenvolver projetos próprios?
LB: Quero continuar explorando a moda de diferentes maneiras. Gosto muito da criação de conteúdo, porque ela me permite experimentar, trocar com as pessoas e compartilhar o meu olhar, mas também tenho muita vontade de participar cada vez mais de processos criativos e desenvolver projetos que tenham uma identidade minha.
Essa experiência me mostrou o quanto gosto de acompanhar uma ideia ganhando forma, de pensar no produto e de participar das decisões que fazem parte dessa construção. Quero continuar aprendendo e encontrando oportunidades que me permitam unir meu repertório visual à minha formação em Design de Produto. Não sinto que preciso escolher entre ser criadora de conteúdo e participar da criação de moda. Para mim, essas duas frentes podem se complementar e abrir possibilidades muito interessantes para o que quero construir daqui para a frente.











