
Ilca Maria EstevãoColunas

Humanos que agem como formigas formam grupo com 2 milhões de adeptos
Uma comunidade do Facebook finge ser um formigueiro, realizando “tarefas de formiga” como forma de escapismo coletivo
atualizado
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Para fugir da correria do dia a dia, é comum encontrar escapes virtuais, de jogos on-line a aplicativos de relacionamento. Uma comunidade na qual humanos realizam tarefas de formigas, contudo, pode ser uma surpresa para qualquer um. Trata-se de um grupo com milhões de participantes que agem como insetos, compartilhando imagens de alimentos açucarados, relatando ações cotidianas, como “levantar”, “mastigar” e “cavar”, e até mesmo obedecendo às formigas-rainhas.
Vem saber mais!

Um formigueiro on-line
O nome da comunidade no Facebook vai direto ao ponto: “Um grupo no qual todos fingimos ser formigas em um formigueiro”. Ele foi criado há seis anos e, no momento, já reúne 1.7 milhão de membros. Em postagem recente, um internauta compartilhou a imagem de uma borda de pizza jogada no chão, com a frase “Me ajudem a levantar!”. Nos comentários, usuários apoiaram o colega formiga: “Levantar”, repetem as mais de 100 respostas.


Essas são apenas algumas das primeiras imagens que se vê no momento em que entra no grupo. A cada scroll, uma nova descoberta sobre a comunidade surpreende quem acaba de chegar. “Encontrei diversas batatas fritas do McDonald’s na calçada! Preciso de ajuda para carregar!”, disse um participante ao compartilhar uma imagem de batatas no chão. Logo abaixo, outro usuário compartilhou um poema:



A origem do grupo de humanos-formigas
O grupo, que já reúne quase 2 milhões de pessoas, foi criado por Tyrese Childs e “estourou” durante a pandemia de Covid-19. Na época, ele era apenas um estudante universitário de 20 anos, que residia com sua família na Dakota do Norte, nos EUA. O inesperado crescimento da comunidade está diretamente conectado ao contexto pandêmico.
O criador afirmou, em entrevista à NBC, que o sucesso da performance de inseto se deve ao ócio vivido durante os lockdowns que ocuparam boa parte do calendário de 2020. “As pessoas estavam procurando algo para fazer, mas só podiam rolar a tela das redes sociais”, relembrou. Além disso, o grupo funcionou como uma forma de escape, pois Childs e sua equipe não aprovavam postagens sobre a doença que se alastrou pelo mundo. A ideia de buscar refúgio em comunidades on-line era vista como uma forma saudável de lidar com o estresse do momento.

Comunidades e a fuga da realidade
Assim como o formigueiro virtual, muitas outras comunidades performáticas vêm surgindo, de grupos que fingem viver em universos medievais a pessoas que se vestem e nadam como sereias. Psicólogos costumam associar esse movimento ao desejo de pertencer a ambientes leves, nos quais a identidade cotidiana é temporariamente suspensa e substituída por papéis mais simples, muitas vezes infantis.


Ao interpretar uma formiga ou qualquer outro personagem, o usuário se distancia das pressões sociais e encontra um espaço onde a brincadeira coletiva funciona como válvula de escape emocional. Além disso, esses espaços cumprem um papel social importante ao oferecer interações de baixa tensão. Em tempos de informações cada vez mais rápidas, participar de comunidades fantasiosas é uma forma de desacelerar e recuperar a sensação de estabilidade.
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