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Apuração pelo Brasil

Ilca Maria Estevão

Grupo H&M fabricará máscaras e aventais para hospitais

A companhia está acionando a própria cadeia de suprimentos para entregar os equipamentos de proteção o mais rápido possível

24/03/2020 15:30, atualizado 24/03/2020 17:38
Chukrut Budrul / Echoes Wire/Barcroft Media via Getty Images
Mulher passando de máscara cirúrgica na frente de uma loja da H&M

Mais uma grande companhia de moda adere à luta contra o novo coronavírus. Nesse domingo (22/03), foi a vez do Grupo H&M anunciar que está movimentando sua cadeia global de suprimentos para fornecer equipamentos de proteção a profissionais de saúde e hospitais no mundo inteiro.

“Segundo nossas informações, as máscaras de proteção devem ser priorizadas, mas também há uma grande necessidade de outros equipamentos de proteção individual, como aventais cirúrgicos e luvas”, informa porta-voz em e-mail citado pela Reuters. A cadeia de suprimentos da companhia inclui as operações de compras e recursos logísticos.

A princípio, os produtos serão doados e devem ser fornecidos o mais rápido possível. A empresa, segunda maior varejista do mundo, procurou a União Europeia para saber quais são os itens mais necessários no momento e, assim, determinar o que a própria cadeia de fornecimento pode oferecer.

“Vemos esta ação como um primeiro passo em nossos esforços para apoiar de todas as formas possíveis. Estamos todos juntos e devemos abordar esta situação o mais coletivamente possível”, completa Anna Geda, chefe de sustentabilidade do Grupo H&M, no comunicado oficial.

H&M Group/DivulgaçãoLoja do grupo H&M
O Grupo H&M fornecerá equipamentos de proteção individual para hospitais e profissionais de saúde
H&M Group/DivulgaçãoLoja do grupo H&M
A companhia sueca dona da famosa rede de fast fashion fará isso por meio de sua cadeia de suprimentos
Hugo Barreto/MetrópolesMascara respiratória para proteção do coronavírus
Além de máscaras, fabricará itens como luvas e aventais cirúrgicos
Julien Mattia/Anadolu Agency via Getty Imagesmulher de máscara com sacolas de compra
“Vemos esta ação como um primeiro passo nos esforços para apoiar de todas as formas possíveis”, diz a chefe de sustentabilidade do grupo
d76 masahiro ikeda/GETTYIMAGESMãe cuidando da filha resfriada
Com a medida, a empresa entra para a lista de marcas de moda com ações em prol do combate ao novo coronavírus (Sars-Cov-2)

A companhia doou ainda US$ 500 mil para COVID-19 Solidarity Response Fund, fundo que já recebeu apoio de empresas como Google e Facebook. A ideia da iniciativa, apoiada pela Organização Mundial da Saúde, é arrecadar recursos em prol do combate ao novo coronavírus (Sars-Cov-2), como a prevenção. Inclusive, qualquer pessoa pode contribuir com o projeto.

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As propostas do grupo H&M se juntam a outras iniciativas da indústria da moda, cada vez mais engajada contra a pandemia da doença Covid-19. O segmento tem sido um dos principais afetados pelo fechamento de lojas e fábricas.

Dono das grifes Saint Laurent e Balenciaga, o conglomerado de luxo Kering fabricará máscaras nas oficinas das duas grifes em Angers e Paris, de acordo com a aprovação de autoridades locais. Além disso, deve importar 3 milhões de unidades da China. A italiana Gucci se prepara para produzir 500 mil máscaras e 55 mil macacões médicos.

Fábricas de beleza de marcas do grupo LVMH estão produzindo álcool em gel para distribuição gratuita. A empresa também se engajou na fabricação de máscaras. Ambos os grupos farão as doações ao serviço de saúde francês.

@Balenciaga/Instagram/ReproduçãoBalenciaga
Fábricas da Balenciaga, marca do grupo Kering, serão usadas para fabricar máscaras, a serem posteriormente doadas ao serviço de saúde francês
Stephane Cardinale - Corbis/Corbis via Getty Images
Oficinas da Saint Laurent, que também pertence ao conglomerado, terão a mesma finalidade
Eric-Gaillard ReutersLVMH doa máscaras à França
O concorrente LVMH fornecerá cerca de 40 milhões de máscaras ao longo de quatro semanas (10 milhões de unidades em cada semana)
@givenchybeauty/Instagram/Reproduçãoálcool em gel LVMH
Perfumarias do grupo LVMH estão fabricando álcool em gel para distribuição gratuita na França
Hugo Barreto/Metrópoles
A Covid-19 tem impactado a economia mundial em diversos sentidos, com fechamento de lojas e fábricas
Impacto nas vendas e demissões

O fechamento temporário de 3.441 lojas provocou um grande impacto nas vendas da H&M desde o início do mês de março. Ao todo, a rede tem 5.062 unidades ao redor do mundo e continua fechando pontos em países como Estados Unidos e Alemanha, que estão entre seus principais mercados. Desde a semana passada, todas as lojas do Reino Unidos estão paradas.

Neste momento de interrupção dos negócios, uma das formas de diminuir os custos da marca pode ser a demissão temporária de dezenas de milhares de funcionários em diversos setores da rede. Comunicado divulgado na manhã dessa segunda-feira (23/03) informa que a empresa ainda não sabe exatamente quantos empregados a medida pode afetar, mas considera a possibilidade.

“Várias medidas estão sendo tomadas em relação a compras, investimentos, aluguéis e pessoal, entre outras áreas. A situação está sendo revisada mercado por mercado, com base nas condições locais”, informa o texto. “O diálogo sobre demissões temporárias foi iniciado em vários mercados e será seguido por outras demissões temporárias em outros mercados afetados pela situação do coronavírus”, continua.

H&M Group/DivulgaçãoLoja do grupo H&M
Mais de 3,4 mil lojas entre as 5.062 da H&M foram fechadas devido ao coronavírus
@hm/Instagram/ReproduçãoPeças da fast fashion sueca H&M
Com isso, a marca de fast fashion está buscando formas de diminuir seus custos
H&M Group/DivulgaçãoLoja do grupo H&M
Uma dessas medidas pode ser a demissão temporária de dezenas de milhares de funcionários de diversos setores
H&M Group/DivulgaçãoLoja do grupo H&M
O grupo classificou o momento como uma “situação extraordinária”

Especializada em fast fashion, a Hennes & Mauritz começou como Hennes, em 1974, na cidade de Vasteras. Iniciamente, destacou-se pela oferta de peças acessíveis. Nas décadas seguintes, expandiu-se e acrescentou o M (de Mauritz) no nome e outras marcas no catálogo. Hoje, atua em 74 mercados ao redor do mundo.

“É uma situação extraordinária, na qual somos forçados a tomar decisões difíceis, mas, a cada desafio, também há oportunidades e estou convencido de que nós, como empresa, depois de passar por isso,  continuaremos fortes”, completa Helena Helmersson, CEO do grupo H&M.

Colaborou Hebert Madeira

Grupo H&M fabricará máscaras e aventais para hospitais