
Ilca Maria EstevãoColunas

Glenn Martens: conheça o novo diretor criativo da Maison Margiela
Famoso pelo trabalho nas marcas Y/Project e Diesel, o designer belga carrega também semelhanças com o fundador da grife, Martin Margiela
atualizado
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O caminho de Glenn Martens até a direção criativa da Maison Margiela, anúncio recente no mundo da moda, parecia natural. A grife parisiense pertence ao mesmo grupo da Diesel, em que ele também lidera as criações. Além disso, a trajetória do estilista belga tem semelhanças com a de Martin Margiela, fundador da label. O repertório de Martens, conhecido pela abordagem vanguardista, será carta na manga valiosa para assumir o posto anteriormente ocupado pelo britânico John Galliano.
Vem entender mais:
- Glenn Martens nasceu na Bélgica, país de origem de Martin Margiela, em 29 de abril de 1983. Formado inicialmente em design de interiores, ele estudou moda posteriormente, no mesmo local que o fundador da Margiela, na Royal Academy of Fine Arts de Antuérpia, na Bélgica. Ambos iniciaram a carreira trabalhando com Jean Paul Gaultier.
- Diretor criativo da Diesel desde outubro de 2020, ele também comandou as coleções da grife francesa Y/Project, de 2013 a setembro de 2024. A empresa fechou as portas recentemente, pela falta de um comprador.
- As criações ousadas de Martens para a Y/Project vestiram personalidades hypadas da cultura pop, como as cantoras Rihanna, Chappel Roan e Charli xcx. Entre as peças virais, destaque para uma “calcinha jeans” que deu o que falar há alguns anos.
- O trabalho na grife rendeu a ele dois prêmios ANDAM, em 2017 e 2020.
- Já na Diesel, fundada em 1978 pelo grupo OTB – dono da Margiela – e sediada na Itália, ele restabeleceu o interesse dos compradores e da crítica na marca, especializada em jeans.
- Na Maison Margiela, ele ocupa o cargo deixado por John Galliano em dezembro de 2024, após 10 anos no controle artístico das coleções da marca, inclusive de alta-costura. O desfile de estreia de Martens ainda não teve a data revelada.

Olhar vanguardista, mas antenado no presente
Já na coleção de formatura, Glenn Martens chamou atenção do renomado designer Jean Paul Gaultier, que o convidou para trabalhar como designer júnior nas pré-coleções femininas e na marca G2, de vestuário masculino.
O estilista chegou a ter uma linha masculina com o próprio nome, mas durou somente três temporadas, entre 2012 e 2013. Antes disso, em 2011, ele havia ingressado na Y/Project, e virou diretor criativo da marca dois anos depois, após a morte de um dos fundadores.
Considerada uma grife “cult” francesa, a label se tornou um dos desfiles mais hypados de Paris sob os cuidados de Martens. Nas roupas, ele aplicou conhecimentos técnicos que adaptou do design de interiores, dando origem a silhuetas volumosas, desconstruídas e unissex.
Outra característica marcante da estética do artista belga é a mistura de influências e períodos históricos distintos, mas sempre com um pé no presente. Ele fez isso, por exemplo, mesclando elementos do streetwear e da alfaiataria.

Ao longo dos anos, o estilista chamou atenção com elementos característicos. Entre eles, drapeados que criavam ondulações irregulares, especialmente em mangas e calças; cortes desproporcionais ou inesperados em itens como camisas ou casacos; cós de calças que brincavam com a altura da cintura; botas retorcidas de cano alto e proporções exageradas; estampas inspiradas na anatomia natural do corpo humano, entre outros estilos.




Experimentações com jeans
Já na Diesel, especializada em jeans, Glenn Martens se destacou por trabalhar o material de diversas formas, desde versões quase translúcidas do material têxtil a lavagens e texturas diferenciadas.
As criações divertidas de Martens agradaram ao público e à crítica, e a ousadia do designer também se estendeu para além da passarela. Ele já chamou atenção, por exemplo, ao enviar preservativos (em collab com a marca Durex) e plugs anais como convites de desfile.




Mergulho na alta-costura
Uma curiosidade que vale mencionar é a alta-costura criada com a Jean Paul Gaultier, para a temporada primavera/verão 2022. O trabalho foi o segundo no formato de coleções de couture assinadas por designers convidados, que a maison tem investido desde que Gaultier se aposentou das passarelas. Martens não deixou a desejar, efeito esperado também nas coleções da linha Artisanal da Margiela.
