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Ilca Maria Estevão

Exposição com peças de Ema Klabin retrata a moda do século 20

Aberta nesse sábado (30/10), a mostra reúne um acervo inédito de roupas e acessórios da colecionadora, e ficará disponível até dezembro

31/10/2021 05:00
Casa Museu Ema Klabin/Divulgação
Ema Klabin em cruzeiro

O século 20 é um dos períodos mais marcantes para a moda. Para as pessoas interessadas no vestuário do período, uma ótima oportunidade é a exposição recém-inaugurada na Casa Museu Ema Klabin. A mostra, que ficará aberta até 19 de dezembro, reúne um acervo inédito de roupas e acessórios da colecionadora que dá nome à instituição.

Vem saber tudo!

Giphy/Casa Museu Ema Klabin/Reprodução

A exposição

Batizada de “Ema e a Moda no século XX – as roupas e a caligrafia dos gestos”, a exposição tem curadoria do pesquisador Brunno Almeida Maia e expografia assinada pela diretora de arte Vera Hamburguer. O título é inspirado na obra da filósofa e socióloga Gilda de Mello e Souza.

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A mostra conta uma breve história da moda dos anos 1920 aos anos 1980 por meio de peças pessoais. “Temos uma ‘costura’ da história individual com a coletiva, justamente para mostrar que elas não estão desvinculadas. A maneira como nos vestimos reflete não somente os nossos gostos e o nosso estilo pessoal, mas também o espírito do tempo da sociedade na qual estamos inseridos”, explica o curador, em entrevista à coluna.

Entre as 18 peças de vestuário exibidas, estão vestidos, casacos, tailleurs, conjuntos de blazer e saia, além de trajes tradicionais chineses, usados por Ema em festas à fantasia nos cruzeiros de navio. Na lista de grifes, Jean Patou, Christian Dior, Maggy Rouff e Loewe.

Bolsas, malas, binóculo, leques, sombrinhas e frascos de perfume também podem ser conferidos. Todos os itens passaram por processo de restauração e catalogação, além de pesquisa histórica. Para completar a experiência, é possível ver um panorama de fotografias históricas do arquivo da instituição.

Casa Museu Ema Klabin/DivulgaçãoEma Klabin
Ema Klabin (1907-1994) era colecionadora de arte
Casa Museu Ema Klabin/DivulgaçãoEma Klabin na Grécia
A Casa Museu Ema Klabin preparou uma exibição inédita com peças de vestuário e acessórios. A foto é de 1954
Casa Museu Ema Klabin/DivulgaçãoEma Klabin na Grécia
“A exposição entrelaça a história individual de Ema Klabin, permeada pelos acontecimentos de sua biografia, com a narração, em paralelo, da história da moda dos anos 1920 até o fim dos anos 1980”, conta Brunno Almeida Maia. Este look (foto) foi usado na Grécia, em 1961

No local, o público também pode assistir a um vídeo de realidade virtual. “Permite fazer uma imersão digital pelos ambientes da casa museu e conferir detalhes da exposição. Realizado pelo multiartista Tadeu Jungle e sua produtora, a Junglebee, o vídeo apresenta, de forma inédita, a coleção e algumas das roupas que estarão expostas na Casa Museu, criando novas possibilidades de fruição das obras e peças da coleção”, destacou a organização.

Segundo a instituição, os óculos utilizados na ação são higienizados, para seguir os protocolos de biossegurança, devido à pandemia de Covid-19. O vídeo também está disponível no YouTube.

“A exposição apresenta, pela primeira vez, o núcleo de moda da Coleção Ema Klabin, e se insere no tema anual Outras Narrativas, com uma forma inédita de abordar a história de Ema Klabin e da moda, considerando suas roupas simultaneamente como criações artísticas e como documentos do período em que viveu”, informou Paulo de Freitas Costa, curador da Casa Museu Ema Klabin, em comunicado.

Isabella Matheus/Casa Museu Ema Klabin/DivulgaçãoPeças de Ema Klabin
A mostra foi inaugurada nesse sábado (30/10)
Isabella Matheus/Casa Museu Ema Klabin/DivulgaçãoPeça de Ema Klabin
Ficará aberta até 19 de dezembro na Casa Museu Ema Klabin, em São Paulo
Isabella Matheus/Casa Museu Ema Klabin/DivulgaçãoBolsa de Ema Klabin
Acessórios estão no repertório
Emma Klabin e a moda

Nascida no Rio de Janeiro, em 1907, Ema Klabin era filha de imigrantes lituanos. Ao longo da vida, além da atividade empresarial, Ema Klabin se dedicou a atividades filantrópicas e assistenciais. Ela era apreciadora de música e de arte. A partir do fim dos anos 1940, passou a adquirir importantes obras de colecionadores e também em galerias europeias e norte-americanas.

Como ressalta Brunno Almeida Maia, a moda é um dos elementos que expressam o modo de vida de Ema Klabin e de sua personalidade. Ele a descreve como uma mulher à frente de seu tempo. Ao longo dos anos, o estilo da colecionadora passou por um desdobramento que acompanhou as próprias vivências .

“Na juventude, nos anos 1920 e nos 1930, ela seguia muito a moda do período. Depois, começou a criar uma personalidade mais clássica, adotando tailleurs, conjuntos com casaco e vestido, ou saia; por conta do papel como mulher empresária. Já em meados dos anos 1970 até o fim de de sua vida, ela usava estampas mais extravagantes e kaftans. Ou seja, ela começou, de uma certa maneira, a criar uma liberdade ao se vestir”, exemplifica o pesquisador. 
Isabella Matheus/Casa Museu Ema Klabin/DivulgaçãoLook de Ema Klabin
Vestido da década de 1950, com tule, da Maggy Rouff Paris
Isabella Matheus/Casa Museu Ema Klabin/DivulgaçãoLook de Ema Klabin
Traje de seda bordada, adquirido em 1956 por Ema Klabin
Isabella Matheus/Casa Museu Ema Klabin/DivulgaçãoLook de Ema Klabin
Vestido by Michel Goma para Jean Patou Paris, da década de 1960, com faixa de tafetá
Isabella Matheus/Casa Museu Ema Klabin/DivulgaçãoPeças de Ema Klabin
Vestido dos anos 1970, feito de crepe e chiffon
Isabella Matheus/Casa Museu Ema Klabin/DivulgaçãoLook de Ema Klabin
Vestido da década de 1980 com ombreiras e amarração
Casa Museu Ema Klabin

Oficialmente fundada em 1978, a Fundação Cultural Ema Gordon Klabin é uma organização sem fins lucrativos. A sede fica na rua Portugal, no bairro Jardim Europa, em São Paulo.

Os agendamentos para conhecer a exposição devem ser feitos via site ou pelo telefone (11) 3897-3232. As visitas são mediadas de quarta-feira a domingo, às 11h, às 14h e às 16h, em grupos de até cinco pessoas.

Para conhecer o jardim da Casa Museu Ema Klabin e participar da visualização presencial da realidade virtual, a permanência é até as 17h, nos mesmos dias e horários. A lotação máxima é de 70 pessoas.

Colaborou Rebeca Ligabue