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Ilca Maria Estevão

Estilistas abrem mão de salários milionários para reduzir custos

Ralph Lauren, Donatella Versace e Michael Kors renunciarão aos seus salários durante o período de um ano em meio à crise da Covid-19

14/04/2020 05:30, atualizado 14/04/2020 10:06
Gilbert Carrasquillo/GC Images via Getty Images
Ralph Lauren

Estilistas renomados do segmento de luxo estão abrindo mão de seus salários milionários para reduzir o impacto da pandemia em seus negócios. Entre eles, o designer norte-americano Ralph Lauren e os diretores criativos das três marcas de luxo do grupo Capri Holdings: Michael Kors, Donatella Versace e Sandra Choi, da Jimmy Choo. O corte é voluntário e valerá por um ano.

A medida é resultado da crise global provocada pela Covid-19, que tem afetado a economia do mundo inteiro com o fechamento de lojas e a dispensa temporária ou definitiva de milhões de funcionários. No caso da indústria têxtil, vale destacar também o cancelamento ou adiamento de semanas de moda previstas para o meio do ano, como as fashion weeks masculinas e a Semana de Alta-Costura.

Ralph Lauren, presidente executivo e diretor criativo de sua própria marca, anunciou que vai abrir mão de todos os bônus do ano fiscal de 2020 e todo o seu salário do ano fiscal de 2021. O valor chegou a cerca de US$ 11 milhões (cerca de R$ 56 milhões) em 2019, segundo o WWD.

A decisão é uma resposta ao afastamento dos funcionários durante a pandemia. Os que não podem trabalhar remotamente estavam recebendo salários integrais, mas foram licenciados sem remuneração a partir dessa segunda-feira (11/04). Os outros executivos da empresa, como o presidente e o CEO, terão reduções de 20% a 50% nos salários durante períodos específicos no próximo ano.

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@laurenralphlauren/Instagram/ReproduçãoRalph Lauren
Ralph Lauren é um dos estilistas que, voluntariamente, renunciarão ao salário durante o período de um ano para reduzir custos em meio aos impactos do novo coronavírus. No caso dele, o montante é estimado em US$ 11 milhões (R$ 56 milhões)
Michael Kors/ReproduçãoMichael Kors cercado por modelos
A medida também será aplicada à Capri Holdings, cujos designers das três marcas de luxo (Michael Kors, Versace e Jimmy Choo) abrirão mão de seus salários. Na foto, Michael Kors posa com modelos
@donatella_versace/Instagram/ReproduçãoDonatella Versace com vestido preto
Outra designer famosa a se comprometer a iniciativa é Donatella Versace, diretora criativa da Versace
Jimmy Choo/Reprodução
Sandra Choi, diretora criativa da Jimmy Choo, também aderiu à proposta
@ralphlauren/Instagram/ReproduçãoMáscaras da Ralph Lauren
Em meio à pandemia, com lojas fechadas temporariamente e empregados afastados ou em teletrabalho, as marcas estão buscando maneiras de reduzir os custos

Enquanto isso, a companhia dona das marcas Michael Kors, Versace e Jimmy Choo planeja reabrir as lojas da América do Norte e Europa somente no dia 1º de junho ou até depois. Até lá, os 7 mil empregados que atendem nos dois continentes estarão afastados do trabalho. Segundo a Capri Holdings, todos eles estão aptos a receberem os benefícios governamentais. No total, a empresa tinha 17,8 mil empregados ao fim do ano fiscal de 2019.

Vários executivos da empresa, incluindo designers renomados, como Donatella Versace, Sandra Choi e o próprio Michael Kors, renunciarão ao salário referente ao ano fiscal 2021. A redução da remuneração anual do conselho administrativo será de 50%. Para manter empregos e a flexibilidade financeira de toda a empresa, salários de outros segmentos devem reduzir em até 20%.

Entre as medidas para diminuir custos com folha de pagamento, a holding anunciou também que está buscando programas nacionais de subsídio para folha de pagamento nos países da Europa. Ao fim da pandemia, a Capri Holdings pretende retormar as atividades de varejo com redução da força de trabalho.

“O objetivo da empresa é que o maior número possível de funcionários de varejo retome o trabalho na segunda metade do ano fiscal à medida que seus negócios forem reconstruídos”, informa o comunicado. Mais reduções afetam o investimento em marketing e o cancelamento da abertura de lojas selecionadas.

Outras grandes companhias de moda, como Abercrombie & Fitch, PVH Corp (dona da Calvin Klein e Tommy Hilfiger) e VF Corp (Vans, Timberland, entre outras) estão trabalhando com diminuições de salário da equipe de executivos e medidas referentes à remuneração de empregados em teletrabalho, ou que não puderem “operar em plena capacidade”.

@donatella_versace/Instagram/ReproduçãoDonatella Versace trabalhando de casa
A Capri Holdings suspendeu o trabalho de 7 mil funcionários na América do Norte e Europa, todos aptos a receberem benefícios governamentais
@michaelkors/Instagram/ReproduçãoModelos com peças da Michael Kors
Além dos estilistas, vários executivos da companhia abrirão mão de seus salários, sem falar nas reduções de outros segmentos
Jimmy Choo/Reprodução
Ao fim da pandemia, a holding pretende “reduzir a força de trabalho”, mas espera voltar com o maior número possível de funcionários
JP Yim/Getty Images
Outras companhias de moda estão adotando reduções de salário e jornadas reduzidas. Entre elas, Abercrombie & Fitch, Hugo Boss, PVH Corp e VF Corp
Michel Arnaud/CORBIS/Corbis via Getty Images
Nos EUA, várias delas estão recorrendo às linhas de crédito, segundo o Daily Mail

Várias varejistas de moda dos Estados Unidos, incluindo Macy’s, Gap e Kohl’s, estão recorrendo às linhas de crédito devido ao fechamento temporário das lojas, que resultou no afastamento de dezenas de milhares de funcionários, como informa o Daily Mail.

Colaborou Hebert Madeira

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