
Ilca Maria EstevãoColunas

Crise no luxo: varejista perto de falência busca empréstimo bilionário
A holding Saks Global estuda pedir empréstimo de até US$ 1 bilhão para manter as operações em meio à desaceleração do mercado de luxo
atualizado
Compartilhar notícia

A Saks, uma das mais importantes varejistas de luxo dos Estados Unidos, busca soluções para conter os prejuízos acumulados ao longo do último ano. Um dos planos é conseguir um empréstimo que pode chegar a US$ 1 bilhão (quase R$ 5,5 bilhões) para manter as operações. A expectativa é de que o valor seja garantido como parte de um pedido de falência nas próximas semanas.
Vem entender!

Varejista de luxo enfrenta crise
A Saks Global — conglomerado que controla nomes como Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman — atravessa um momento de forte crise que pode culminar em um pedido de recuperação judicial nas próximas semanas.
A falência que a Saks deve pedir se trata de uma reorganização de ativos existentes, principalmente na forma de dívidas. Uma vez confirmado, o plano de recuperação se torna um contrato entre o devedor e os credores, estabelecendo direitos e obrigações.

Após meses negando a possibilidade de falência, a holding agora enxerga a medida como um último recurso diante da forte crise. A gota d’água para a decisão teria sido o atraso no pagamento de mais de US$ 100 milhões em juros de dívidas acumuladas, que venceu na virada de 2025 para 2026.
Famosa também pelas decorações de Natal, a Saks Fifth Avenue em Nova York reuniu milhares de pessoas no fim do ano, mesmo com o cenário negativo economicamente. Confira:
Aposta de alto risco
A situação atual da Saks é reflexo de uma aposta arriscada feita em 2024, quando a Hudson’s Bay Company, então proprietária da Saks, adquiriu o Neiman Marcus Group por US$ 2,7 bilhões.
O que deveria ser a criação de uma grande potência no mercado de luxo foi financiado por títulos de alto risco, um movimento desde cedo classificado como insustentável. Em vez de competir com rivais como Nordstrom e Bloomingdale’s, a compra sobrecarregou o caixa da empresa em um período de retração geral no consumo.

Relatórios indicam que a Saks tem levado, em média, de 27 a 41 dias além do prazo para quitar suas faturas, um atraso que gerou um efeito cascata de desconfiança na indústria. Com isso, as principais garantidoras de crédito da rede suspenderam as parcerias.
Para tentar evitar o colapso total, a Saks Global também explora a venda de ativos valiosos. Entre as opções estão a alienação de propriedades imobiliárias e a venda de 49% da loja de departamentos Bergdorf Goodman, que poderia injetar cerca de US$ 1 bilhão nos cofres da empresa.

Cenário incerto no luxo
Ao longo do ano de 2025, o mercado de luxo viveu momentos de forte crise e incertezas. Uma grande prova foi a desvalorização vivida pelo conglomerado LVMH — que reúne marcas como Louis Vuitton, Dior, Tiffany & Co e Bulgari. O grupo enfrentou um dos períodos mais desafiadores de sua história, com forte perda de valor de mercado e queda nos lucros, refletindo a retração da demanda por produtos de alta moda e acessórios de luxo.
A crise não foi isolada. O desempenho financeiro de grandes grupos de luxo mostrou sinais de fraqueza logo no primeiro semestre de 2025, como a Burberry e a Kering — grupo dono da Gucci, Saint Laurent e Bottega Veneta.
Mesmo com uma recuperação nos últimos meses, o ano de 2025 ficará marcado como um período de desafios e transformações profundas no mercado de luxo, com oscilações expressivas no desempenho de grandes marcas, mudanças no comportamento de consumidores e adaptações estratégicas, como o possível empréstimo em momento de desespero da Saks.











