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Crise no luxo: LVMH tem queda no lucro do primeiro semestre de 2025
Principal conglomerado de luxo do mundo, o grupo LVMH teve uma queda de 22% no lucro líquido da primeira metade deste ano
atualizado
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O grupo de luxo LVMH, dono de grifes como Louis Vuitton e Dior, teve queda de 22% no lucro líquido do primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Fatores como as guerras comerciais entre países nos últimos meses, bem como a queda do turismo chinês no Japão, estão entre os motivos para a baixa. Ainda assim, segundo o CEO, Bernard Arnault, a companhia tem “demonstrado solidez”.
A queda, para 5,7 bilhões de euros, teve uma participação relevante do segmento de moda e artigos de couro, e contribui para o atual cenário de crise no mercado de luxo. Vem saber mais!

Queda nos lucros da LVMH em números específicos
Os números informados pela LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton em 24 de julho foram ligeiramente abaixo das previsões de analistas – exceto para a divisão de moda e artigos de couro, que representa metade das vendas do grupo. A contração foi de 5% no primeiro trimestre do ano; nessa conjuntura, especialistas esperavam uma queda em torno de 7,82% para o período encerrado em junho, mas o resultado foi de 9%. No semestre, foi de 8%.
Nos seis primeiros meses do ano, as compras europeias e estadunidenses contribuíram para a estabilidade. A área de vinhos e bebidas alcoólicas, um dos destaques, teve uma queda leve nas vendas, para 8%. Outro destaque foi o setor de varejo seletivo, que abrange Sephora, e manteve-se em uma margem estável, de 8,6 bilhões de euros. Já as vendas nas divisões de relojoaria e joias, assim como perfumes e cosméticos, caíram 1% cada.



Cenário macro
Em vendas, a queda da LVMH no primeiro semestre deste ano ficou em 4%, totalizando 39,8 bilhões de euros, comparados aos 41,6 bilhões de euros no ano anterior. Segundo a imprensa internacional, Bernard Arnault está em contato com autoridades de países europeus, como Itália e Alemanha, para evitar uma possível guerra comercial entre Estados Unidos e União Europeia, bem como os impactos das tarifas de 30% impostas sobre o país norte-americano à França.
O magnata também está em contato com os presidentes Donald Trump (EUA) e Emmanuel Macron (França) para viabilizar uma negociação sobre a cobrança. Além disso, há planos para abrir mais uma fábrica da Louis Vuitton no Texas, inaugurada com a presença de Trump em 2019, além da unidade já existente no estado e mais duas na Califórnia.
Alvo de rumores recentes, outro possível passo do conglomerado pode ser a venda da grife homônima de Marc Jacobs, fundada em 1984 e adquirida pela empresa em 1997. É raro que a LVMH abra mão da participação de marcas, como fez com a Stella McCartney e a Off-White, conforme comunicado recentemente. Se confirmado o rumor, a venda da Marc Jacobs por gerar US$ 1 bilhão ao grupo, e já teria WHP Global e Authentic Brands entre as interessadas.



Polêmica recente
Outro fator relacionado ao momento delicado para a LVMH tem relação com a polêmica recente da grife italiana Loro Piana, colocada por um ano sob administração judicial após uma denúncia trabalhista na cadeia de suprimentos. Segundo a investigação, fábricas terceirizadas, contratadas por um fornecedor, exploravam trabalhadores com condições abusivas.
A marca de moda, vale lembrar, estava atrás somente da Louis Vuitton e da Dior em faturamento, no segmento de moda e artigos de couro da LVMH. A Dior, por sua vez, sofre com o declínio nas vendas, mas teve uma coleção bem avaliada recentemente, de primavera/verão 2026 masculina, que marca a estreia de Jonathan Anderson na direção criativa de todas as linhas da maison francesa.
Na galeria abaixo, relembre algumas das principais grifes de moda e artigos de couro do portfólio da LVMH, que detém 75 marcas, somadas todas as divisões:
“Entramos no segundo semestre do ano com grande vigilância e estou confiante no tremendo potencial de longo prazo da LVMH e no comprometimento de nossas equipes para reforçar ainda mais a posição de liderança do grupo em artigos de luxo”, destacou Bernard Arnault, em comunicado. “Nossa principal prioridade compartilhada é oferecer aos nossos clientes os produtos mais excepcionais.”
















