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Ilca Maria Estevão

Covid-19: C&A, Gap e mais marcas deixam de pagar fornecedores

Pesquisa mostra quais etiquetas estão agindo com responsabilidade em relação aos trabalhadores e colaboradores durante a pandemia

28/04/2020 12:00, atualizado 02/01/2023 20:05
Ken Lee / 500px via Getty Images
Costureira

Diante do cenário econômico instável e incerto, devido à pandemia do novo coronavírus, centenas de marcas têm se posicionado para ajudar a frear o avanço da doença. No entanto, alguns gigantes da moda continuam sem divulgar dados ou ações, dificultando a transparência com os consumidores e as indústrias. As portas das lojas físicas ainda estão fechadas, mas quem está pagando os funcionários? Estudos realizados com o objetivo de monitorar os passos de marcas de moda respondem a essa pergunta.

Vem comigo saber mais!

Indiano bordando
Diante do novo coronavírus, marcas e confecções fecham as portas (foto ilustrativa)

Nomeado como Covid-19 Brand Tracker (rastreador de marcas da Covid-19, em tradução livre), o projeto tem sido alimentado com a colaboração da organização Worker Rights Consortium (WRC), em parceria com o Penn State’s Center for Global Workers’ Rights (CGWR), da Universidade Penn State, dos Estados Unidos.

“A Covid-19 significou enorme queda na demanda por roupas”, informou o WRC em seu portal. E continuou: “Muitas marcas e varejistas responderam à crise atual cancelando pedidos ou exigindo reduções retroativas de preços para mercadorias já em produção ou concluídas e prontas para enviar. Em alguns casos, as marcas exigem grandes descontos, mesmo em pedidos já em trânsito”.

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Os reflexos da pandemia são sentidos na indústria fashion. Na Europa e nos Estados Unidos, varejistas suspendem ou cancelam os pedidos de produtos ou produções por causa da crescente quantidade de infectados pela doença.

Confecção em Bangladeshi
Diversos funcionários e fábricas terceirizadas estão desamparados
Confecção em Bangladeshi
Colaboradores que não foram demitidos vão trabalhar com medo e em condições arriscadas para a saúde
Confecção em Bangladeshi
Algumas labels cancelaram produtos já confeccionados
Confecção em Bangladeshi
A iniciativa Covid-19 Brand Tracker visa indicar quais brands estão cumprindo as obrigações trabalhistas

Com a diminuição das solicitações, vários funcionários e colaboradores situados na Ásia perderam os seus empregos por conta das paralisações das fábricas, que estagnaram por recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). O intuito da entidade é evitar o aumento de casos da doença.

Advogados e organizações trabalhistas cobram restituições aos milhões de trabalhadores do setor que foram demitidos e não receberam indenização legal – atuam também em prol dos que não tiveram direito a acordo judicial.

Atualizada na última quarta-feira (22/04), a análise aponta que grandes etiquetas não tiveram compromisso com o pagamento dos produtos já produzidos por colaboradores e confecções parceiras. Entre elas, estão Asos, Bestseller, C&A, EWM/Peacoks, Gap, Primark, Urban Outfitters, o grupo Arcadia, e a linha de vestuário do Walmart, Asda.

Confecção em Bangladeshi
Advogados e organizações trabalhistas cobram restituições aos trabalhadores do setor que foram dispensados
Confecção em Bangladeshi
As marcas Asos, Bestseller, C&A, EWM/Peacoks, GAP, Primark, Urban Outfitters, Arcadia e a linha de vestuário Asda (do Walmart) foram indicadas pelo estudo como descumpridoras de suas responsabilidades
Loja de tecidos
A WRC e o CGWR, nomes por trás do levantamento, reconhecem o momento delicado, mas cobram responsabilidades dos gigantes da moda

A análise é baseada no monitoramento das declarações públicas das empresas, incluindo entrevistas a veículos confiáveis, ligação direta com a WRC ou com o CGWR, além de informações enviadas por associações e empresas que terceirizam os serviços.

Por outro lado, o Covid-19 Brand Tracker também destaca as empresas que estão cumprindo suas obrigações com funcionários e produções.

Na publicação, as marcas Adidas, H&M, Nike e Target são algumas das que ganharam espaço no levantamento por estarem observando os direitos dos tralhadores e cumprindo os contratos assinados antes de o vírus devastador prejudicar as cadeias de fornecimento da indústria da moda. A lista será atualizada com frequência.

Colaborou Sabrina Pessoa