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Ilca Maria Estevão

Acusada de blackface, Target retira fantasia de Halloween das lojas

Fantasia apresentava características semelhantes às de caricaturas racistas; varejista se tornou alvo de boicote do público

Target/Divulgação
Acusada de blackface, Target retira fantasia de Halloween das lojas

A Target virou alvo de boicote após lançar uma fantasia infantil de Halloween associada ao blackface — prática histórica em que pessoas brancas pintavam o rosto para caricaturar pessoas negras. O modelo Kids’ Glow Under Blacklight Circus Clown (palhaço de circo que brilha na luz negra) cobre o rosto e as mãos da criança com tecido preto e traz um sorriso largo estampado no capuz, estética que remete às caricaturas racistas da era das leis Jim Crow. Diante da repercussão negativa, internautas também relembraram o desmonte das políticas e metas públicas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) da gigante do varejo, ocorrido em janeiro de 2025.

Vem entender esse caso!

Justin Sullivan/Getty Images
Loja se torna alvo de boicote após anúncio de fantasia polêmica

Fantasia blackface

Nos preparativos para o Halloween, a varejista americana Target começou a lançar novas fantasias para a data. Contudo, uma peça em especial gerou controvérsia: um modelo de palhaço que brilha no escuro. A reação negativa ocorreu pelo fato de a roupa ser inteiramente preta — cobrindo, inclusive, o rosto e as mãos da criança — e trazer uma boca larga estampada no capuz, estética que remete às caricaturas racistas da época da segregação racial nos Estados Unidos.

Target/DivulgaçãoTarget Blackface - Metrópoles
Fantasia remete às caricaturas racistas da época das leis Jim Crow nos Estados Unidos
Sheridan Libraries/Levy/Gado/Getty ImagesCartaz Jim Crow - Metrópoles
Caricaturas racistas da época de segregação racial nos Estados Unidos

Além da estética da fantasia, o público ressaltou que a pose adotada pela criança no catálogo remetia às atitudes comumente performadas por artistas de blackface no período em que a prática era socialmente aceita e difundida.

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Jasmine Records/DivulgaçãoGeorge Mitchell Minstrels - Metrópoles
Capa do álbum musical do grupo George Mitchell Minstrels

A situação também trouxe à tona o encerramento das políticas e metas públicas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) da Target, em janeiro de 2025. No mesmo ano, a varejista encerrou o programa REACH, sigla para Racial Equity Action and Change, voltado ao apoio e desenvolvimento de funcionários negros.

Justin Sullivan/Getty ImagesTarget Blackface - Metrópoles
Em 2025, a Target encerrou suas políticas e metas públicas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), assim como o programa REACH, voltado para apoio e desenvolvimento de funcionários negros

Após a repercussão negativa, a varejista emitiu um pedido de desculpas na última segunda-feira (24/8). A empresa comunicou a retirada do produto de linha e afirmou estar “examinando atentamente como isso aconteceu e o que precisa mudar para garantir que não se repita”. Já nesta terça-feira (25/8), as ações da Target registraram queda de quase 3,9% durante as negociações da manhã.

@TargetNews/X/ReproduçãoTarget Blackface - Metrópoles
Nas redes sociais, a Target se desculpou pelo ocorrido

 

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Um post compartilhado por Target (@target)

Caso Gucci

Casos envolvendo blackface em marcas, no entanto, não são exclusivos das redes de varejo. Em 2019, a grife Gucci também foi acusada de blackface após lançar um suéter preto de gola alta com um detalhe vermelho na região dos lábios. No site, a peça era apresentada no corpo de uma modelo branca, o que agravou ainda mais a repercussão. Assim como no caso da Target, internautas apontaram que, além do racismo estrutural, a falta de pessoas negras em posições de tomada de decisão nas empresas contribui para a ocorrência de situações como essa.

Gucci/DivulgaçãoGucci Balaclava - Metrópoles
Peça da Gucci também remeteu a caricaturas racistas, sobretudo após a marca usar uma modelo branca na divulgação
Library of Congress/Corbis/VCG via Getty ImagesJim Crow - Metrópoles
Cartaz George Thatcher’s Greatest Minstrels

Origem do blackface

A prática tem origem antiga, remontando à década de 1830, em Nova York. Na época, atores brancos pintavam o rosto de preto para participar de espetáculos de humor, além de fazerem trejeitos exagerados e ridicularizarem sotaques associados à população negra.

NCJ - Topix/NCJ Archive/Mirrorpix via Getty ImagesBlackface - Metrópoles
Prática era comum no teatro e no entretenimento durante o século 19 e início do século 20

Na época em que o blackface surgiu, pessoas negras não eram autorizadas a se apresentar no teatro. Dessa forma, caso uma peça necessitasse de um personagem negro ou asiático, atores brancos tingiam a pele e alteravam características físicas, retratando diferentes etnias de forma estereotipada e preconceituosa.

Devido à carga ofensiva do gesto, a prática foi gradualmente eliminada da cultura do entretenimento e, no Brasil, pode configurar crime, sendo enquadrada como injúria racial, a depender do contexto. Entretanto, marcas e empresas como Target e Gucci ainda protagonizam situações que evidenciam resquícios do racismo estrutural presentes na sociedade.

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4 imagens
Apresentação de jazz com cantor fazendo blackface
Blackface em apresentações musicais
Blackface em encenações teatrais
Blackface no entretenimento
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Blackface no entretenimento

Kirn Vintage Stock/Corbis via Getty Images
Apresentação de jazz com cantor fazendo blackface
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Apresentação de jazz com cantor fazendo blackface

Warner Brothers/Getty Images
Blackface em apresentações musicais
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Blackface em apresentações musicais

PoPsie Randolph/Michael Ochs Archives/Getty Images
Blackface em encenações teatrais
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Blackface em encenações teatrais

Michael Nicholson/Corbis via Getty Images