Itamaraty minimiza pedido de Trump sobre “dissidentes políticos” no Brasil
Segundo membros do Itamaraty, pedido do governo Trump sobre “dissidentes brasileiros” foi rechaçado de pronto pelo chanceler Mauro Vieira

Integrantes do Itamaraty minimizaram, nos bastidores, o documento enviado pelo governo Trump exigindo que o Brasil não detivesse, prendesse ou restringisse “arbitrariamente” a participação de “dissidentes políticos” nas eleições presidenciais de 2026. O documento foi enviado durante a negociação diplomática para rever o tarifaço.
A existência do documento foi revelada na quinta-feira (17/9) pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela coluna. A proposta foi apresentada durante uma missão brasileira a Washington, em outubro de 2025, em meio às negociações sobre a tarifaço de 50% anunciada pelo governo Trump sobre o Brasil.
Segundo fontes do Itamaraty ouvidas pela coluna sob reserva, a sugestão foi feita no nível técnico da negociação e rechaçada na hora pelo chanceler Mauro Vieira. A avaliação da diplomacia brasileira foi de que o documento não servia como base para a negociação e, por isso, a proposta não avançou.
“Nunca foi incorporada a proposta ao diálogo entre os países”, afirmou à coluna um embaixador a par das negociações.
Diplomatas admitem que o chanceler Mauro Vieira chegou a informar o presidente Lula sobre a proposta do governo Trump, já com a negativa do Itamaraty. O mandatário brasileiro, de acordo com auxiliares, teria chancelado a decisão do ministro das Relações Exteriores de rejeitar a proposta.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Igor GadelhaInterlocutores de Mauro Vieira dizem que a proposta foi feita pelos americanos em uma reunião técnica no dia 16 de outubro de 2025. No mesmo dia, o chanceler brasileiro se reuniu em Washington D.C. com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, mas o assunto não teria sido mencionado.
Integrantes do Itamaraty contestam a própria classificação utilizada pelo governo americano. Na avaliação deles, não existem “dissidentes políticos” no Brasil. O termo, segundo esses integrantes, não se aplica ao ex-presidente Jair Bolsonaro, tratado pelo governo brasileiro como um opositor político.
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Ver todas“Opositor e dissidente são coisas totalmente distintas. Em uma democracia, como a nossa, Bolsonaro é opositor. Tanto que tem três parentes concorrendo na eleição. Um deles à Presidência”, afirmou à coluna um integrante da cúpula do Itamaraty.







