
Igor GadelhaColunas

Pastor conservador defende Messias no STF e explica decisão
Pastor e juiz federal William Douglas saiu em defesa da indicação de Jorge Messias ao STF e disse que muitas críticas ao AGU são por “má-fé”
atualizado
Compartilhar notícia

O pastor e juiz federal William Douglas, membro da Igreja Batista Getsêmani, virou alvo de ataques nas redes sociais após sair publicamente em defesa da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF pelo presidente Lula.
Douglas, que chegou a ser ele próprio cotado ao STF durante o governo Bolsonaro, contou durante um culto que foi alertado de que “poderia se queimar” pela posição pró-Messias. Ele disse, porém, que muitas críticas contra o AGU são de “má-fé”.
“Essa semana eu me posicionei. É o ministro Jorge Messias, da AGU, foi indicado pelo presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal, é diácono batista, é contra o aborto, e o pessoal está atacando muito, massacrando o Jorge Messias por coisas que ele fez, que ele assinou, que ele disse, só que ele fez isso numa circunstância que está sendo interpretada errada, alguns certamente de boa-fé, mas alguns de má-fé. E aí muita gente diz: ‘William, isso vai te queimar’. William, me chamaram de falso profeta. Marcaram a igreja plena para o pastor saber que eu estou defendendo o Messias”, afirmou o juiz.
Apesar de sua posição mais conservadora, Douglas virou, nos últimos dias, uma das vozes em defesa da indicação de Messias. Dentre os pontos citados pelo pastor-juiz está a crítica de que o AGU seria favorável à liberação do aborto.
A crítica se deve ao fato de o advogado-geral da União ter assinado, em 2024, um parecer contra uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre a prática da assistolia fetal, procedimento usado em abortos após a 22ª semana.
No documento, o AGU defendeu que o CFM não tem autoridade legal para proibir o procedimento. A assistolia é um dos alvos de oposicionistas ao aborto, na medida em que permite interromper a gravidez de fetos no limite da viabilidade de parto.
Indicação de Bolsonaro
Douglas foi um dos nomes que Bolsonaro cogitou nomear ao STF em 2011 para a vaga deixada por Marco Aurélio Mello. O ex-presidente, porém, optou por André Mendonça. Já Douglas foi nomeado como desembargador federal no TRF-2.
Fora do Judiciário, o nome do magistrado também funciona como uma espécie de marca lucrativa, apresentada por meio de um site. Lá estão seus sucessos de vendas como escritor, a exemplo da publicação “Como Passar em Provas e Concursos”, da Editora Impetus, da qual ele é sócio.





