Nomeações de Lula ao TSE irritam petistas
Lideranças petistas reclamam que, na escolha para o TSE, Lula preferiu prestigiar Alexandre de Moraes a nomear juristas progressistas

As duas nomeações de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) feitas pelo presidente Lula na quarta-feira (24/5) irritaram lideranças e caciques petistas.
Em conversas reservadas, eles reclamam que, na escolha, Lula preferiu agradar o ministro Alexandre de Moraes, atual presidente do TSE, a nomear juristas mais progressistas.
Os dois novos ministros da Corte Eleitoral nomeados por Lula foram o professor de direito da USP Floriano de Azevedo Marques Neto e o advogado André Ramos Tavares.
Ambos são bastante ligados a Moraes e vistos por lideranças do PT como “mais conservadores”. Petistas lembram que Floriano, por exemplo, já advogou para tucanos em São Paulo.
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Já em relação a André, a reclamação é que o advogado chegou a se aproximar de bolsonaristas no governo anterior, quando também tentou assumir vaga no TSE.
Desde o início da semana, petistas passaram a compartilhar em grupos de WhatsApp uma foto do advogado com o ex-presidente Jair Bolsonaro (imagem em destaque) em eventos privados.
Os dois foram escolhidos de uma lista quádrupla definida pelo STF. Além de André e Floriano, estavam na lista Edilene Lôbo, advogada do PT, e Daniela Borges, que tinha o apoio da ministra Cármen Lúcia.
A preferência dos petistas era pela indicação de Edilene. Além de prestigiar as mulheres, a advogada, se escolhida, seria a primeira mulher negra a ser nomeada para a Corte Eleitoral.
Gesto
Interlocutores de Lula dizem que ele optou por prestigiar Moraes para fazer um gesto ao ministro, que comanda inquéritos importantes, como o das fake news e o dos atos golpistas.
Além disso, ao dar preferência a Moraes nas escolhas do TSE, o presidente estaria compensando o ministro por não escolher o preferido dele para a vaga de Ricardo Lewandowski no STF.
O favorito de Moraes é o ministro do STJ Luís Felipe Salomão. Já Lula, ao que tudo indica, deve indicar Cristiano Zanin, advogado que o defendeu na Lava Jato e na campanha eleitoral de 2022.



