Igor Gadelha

Lula e Flávio intensificam “jogo de empurra” sobre tarifaço dos EUA

Adversários, Lula e Flávio Bolsonaro travam uma guerra de narrativa sobre quem seria o culpado pelo possível novo tarifaço dos EUA

atualizado

metropoles.com

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Alice Rabello
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1 de 1 lula-flavio-e-trump - Foto: Alice Rabello

A ameaça de um novo tarifaço contra produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos nesta semana inaugurou um “jogo de empurra” entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre quem carregará o ônus político da medida.

De um lado, Lula tenta associar a ofensiva americana ao clã Bolsonaro. Para isso, usa o recente encontro de Flávio com Donald Trump, na tentativa de colar a narrativa de que o senador teria pedido o tarifaço para prejudicar o petista eleitoralmente.

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Trump e o tarifaço
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Flávio Bolsonaro vai aos EUA para se reunir com Donald Trump
Tarifaço comercial dos EUA atingiu fortemente o Brasil
Brasil voltou a entrar no radar de tarifas dos EUA
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Flávio Bolsonaro vai aos EUA para se reunir com Donald Trump
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Flávio Bolsonaro vai aos EUA para se reunir com Donald Trump

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Tarifaço comercial dos EUA atingiu fortemente o Brasil
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Tarifaço comercial dos EUA atingiu fortemente o Brasil

Reprodução/FGV
Brasil voltou a entrar no radar de tarifas dos EUA
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Brasil voltou a entrar no radar de tarifas dos EUA

Iskandar Zulkarnaen/Getty Images

Nessa estratégia, Lula ganhou uma ajudinha do próprio presidente americano. Horas após o Escritório Comercial dos EUA publicar o relatório em que propõe uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras, Trump postou fotos da reunião com Flávio.

O timing da postagem de Trump contribuiu para a narrativa de Lula, que tenta colar a pecha de “traidores da pátria” no clã Bolsonaro. O governo Lula, inclusive, fez questão de explorar essa tese na nota oficial em que reagiu à nova proposta de tarifaço.

“Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”, diz a nota oficial do governo.

A ofensiva de Lula é baseada na experiência do tarifaço de 2025. Pesquisas às quais o Planalto teve acesso mostraram que a medida trouxe prejuízos ao clã Bolsonaro, sobretudo por Eduardo Bolsonaro ter defendido a medida como uma “resposta legítima” de Trump.

Flávio tenta inverter narrativa

O próprio Flávio e seu estrategistas sabem disso e, por isso, atuam para tentar inverter a narrativa. A estratégia é sustentar que a responsabilidade pelo risco de tarifaço seria do próprio Lula, em razão das críticas frequentes do petista a integrantes do governo americano.

O filho mais velho de Jair Bolsonaro foi aconselhado a investir no discurso de que Lula estaria “cavando” a oficialização do tarifaço, ao responder à proposta com um discurso bélico, especialmente contra o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Além de tentar transferir a culpa, Flávio busca construir uma vacina política. Nos últimos dias, ele concedeu entrevistas afirmando que pediu pessoalmente a Trump, a Rubio e ao vice-presidente JD Vance que não adotassem medidas tarifárias contra o Brasil.

A principal jogada, porém, foi a carta enviada a Marco Rubio na terça-feira (2/6), na qual o senador brasileiro pede explicitamente que os Estados Unidos não aplique novas tarifas. Flávio vê o documento como um álibi concreto para rebater as acusações de Lula.

A estratégia vai além. Se o governo Trump não levar à frente a proposta de tarifaço, o filho mais velho de Jair Bolsonaro pretende usar a carta ao secretário de Estado americano para emplacar a narrativa de que o recuo dos americanos foi fruto de sua articulação.

Por enquanto, o novo tarifaço sobre importações brasileiras segue sendo apenas uma ameaça comercial dos Estados Unidos. Mas, no Brasil, já se transformou em uma disputa política entre presidenciáveis sobre quem ficará com a culpa — ou com os créditos.

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