
Igor GadelhaColunas

Inquérito das fake news serviu para proteger outro ministro de ataques
Hoje ferramenta para investigar vazamentos contra Alexandre de Moraes, inquérito das fake news protegeu inicialmente outro ministro do STF
atualizado
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Utilizado por Alexandre de Moraes para investigar acessos indevidos a dados fiscais de sua esposa, Viviane Barci, o inquérito das fake news serviu, inicialmente, para defender outro ministro do STF de ataques.
O inquérito foi instaurado em março de 2019. A investigação foi aberta de ofício pelo ministro Dias Toffoli, à época presidente do Supremo. Coube também a Toffoli a escolha de Moraes como relator do caso.
Em uma de suas primeiras decisões no inquérito, em maio de 2019, Moraes censurou as redes sociais de influenciadores bolsonaristas, citando uma perseguição digital contra o ministro Gilmar Mendes.
No despacho, Moraes mencionou, por exemplo, um depoimento do então deputado federal Alexandre Frota, que havia rompido com o então presidente Jair Bolsonaro, citando nominalmente ataques ao hoje decano do Supremo.
“O mesmo ‘modus operandi’ foi adotado para atacar ministros do STF, notadamente o ministro Gilmar Mendes. O impeachment deste nunca existiu na realidade, mas foi criado e disseminado virtualmente por esse grupo, alcançando enorme repercussão”, diz trecho da decisão.
Moraes ainda listou, na decisão, uma série de tuítes de bolsonaristas com críticas a Gilmar. E apontou uma campanha pelo impeachment do ministro como prova de uma articulação de apoiadores de Bolsonaro.
“Relatório técnico pericial encartado nestes autos constatou a existência de um mecanismo coordenado de criação e divulgação das referidas mensagens entre os investigados”, escreveu Moraes.
Além de Gilmar, Toffoli também foi citado nas críticas . Entretanto, o relatório técnico mencionado por Moraes ponderava que as menções a Toffoli teriam diminuído após um encontro dele com Bolsonaro.
Inquérito renovado
Anos depois, o inquérito das Fake News teve novos desdobramento em fevereiro de 2026, após Moraes mandar apurar o vazamento de dados da Receita Federal envolvendo autoridades da Corte e seus parentes.
Prestes a completar sete anos, a investigação é alvo de críticas, sobretudo de integrantes da direita, que reclamam de supostas violações à liberdade de expressão.
Por outro lado, ministros do Supremo e do governo que defendem o inquérito argumentam que a investigação é uma ferramenta de combate às ameaças contra a democracia.





