
Igor GadelhaColunas

Corregedor afasta desembargador preso por vazar informações a TH Joias
Desembargador federal suspeito de vazar informações para o ex-deputado TH Joias foi afastado do cargo pelo corregedor nacional de Justiça
atualizado
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Preso na segunda fase da Operação Unha e Carne, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foi afastado do cargo na noite da quarta-feira (16/12).
A medida foi determinada pelo ministro do STJ Mauro Campbell, corregedor nacional de Justiça. Na decisão, ele aponta o risco de o desembargador macular a imagem do Judiciário, caso permanecesse no cargo.
“Sob tal prisma, deve-se considerar como condutas de marcante gravidade, a autorizar o afastamento cautelar, não apenas aquelas que ainda podem ser praticadas, em situação de continuidade infracional ou de comprometimento das atividades jurisdicionais, como também aquelas que, uma vez realizadas, efetivamente assumiram o potencial de macular a imagem do Poder Judiciário e a confiança nele depositada por parte do jurisdicionado”, diz o ministro do STJ na decisão sigilosa, à qual a coluna teve acesso.
Macário foi preso sob a suspeita de vazar informações relativas à Operação Zargun para o deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias. O juiz era relator da ação contra o parlamentar.
A investigação aponta que o desembargador estava junto ao então presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União Brasil), quando o deputado ligou para TH Joias para informar sobre a operação.
Segundo afastamento
Esta não é a primeira vez que Macário é afastado da magistratura. Ele ficou afastado por 18 anos e voltou há apenas dois anos. O primeiro afastamento do desembargador foi determinado pelo TRF-2 em 2005.
Na época, o magistrado foi afastado do cargo após ser alvo de ação penal que apurava a suposta participação dele em um esquema de venda de sentenças ligado à máfia dos caça-níqueis.
Macário acabou absolvido em 2015, mas permaneceu afastado da magistratura mesmo assim devido a um processo administrativo disciplinar (PAD) que tratava do mesmo tema.





