Caso Master periga ressuscitar a “antipolítica” às vésperas da eleição
Citação ao ministro Dias Toffoli no celular de Daniel Vorcaro reforça sentimento de que “nada presta” faltando oito meses para as eleições
atualizado
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O ministro do STF Dias Toffoli e setores do Congresso Nacional e do TCU parecem empenhados em trazer de volta um velho “monstro” que desperta calafrios em muita gente na época das eleições: a antipolítica.
Ao longo da quinta-feira (12/2), a sensação em Brasília, centro do poder político no Brasil, foi a de ver um “remake”. O caso do Banco Master teria virado uma espécie de “Lava Jato 2”, com envolvimento de boa parte da República.
E, assim como foi a operação contra desvios na Petrobras, as recentes movimentações de membros do Judiciário em relação ao Banco Master reforçam, a oito meses das eleições, a sensação de que “nada presta” em Brasília.
As citações a Dias Toffoli encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro — mais recente desdobramento do caso Master — colocou de vez o Supremo no meio do escândalo. Mas a Corte não está sozinha.
Enquanto Toffoli dá explicações, a cúpula do Congresso alega que não há “ambiente” para instalar uma CPI para apurar e dar publicidade ao escândalo, deixando o tema ser tratado de forma tangencial por outras CPIs.
Até mesmo o TCU, com a decisão do ministro Jhonatan de Jesus de limitar o acesso do Banco Central aos documentos do caso Master, reforça o sentimento de “grande acordo” para que ninguém saia queimado.
Há ainda uma trama paralela neste longa-metragem: a Câmara decidiu, para arrepio dos espectadores, criar um penduricalho extrateto para servidores da Casa, permitindo que ganhem mais do que o limite constitucional.
Todo o roteiro se desenvolve justamente no momento em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência e candidato a protagonista da antipolítica, dá sinais de que não quer esse papel no pleito.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ator principal da antipolítica em 2018, indica que será fiel aos princípios do pai, mas sem apelar para o “nada presta”, promovendo o diálogo em diversas frentes, inclusive com o Supremo.
Resta apenas saber o quanto o eleitorado está disposto a ver a refilmagem de 2018 e quem assumirá o papel de protagonista da antipolítica. Toffoli, Congresso e TCU já deram os ingredientes para um novo blockbuster.






