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Igor Gadelha

Cabeçalho da "carta aos brasileiros" enfraquece versão de Bolsonaro

Defesa disse ao STF que Bolsonaro "jamais soube" que carta lida por Flávio seria publicizada, mas cabeçalho do documento contradiz versão

15/07/2026 17:24
Divulgação
Flávio Bolsonaro com a carta do pai -- Metrópoles

O cabeçalho da carta escrita por Jair Bolsonaro e lida publicamente por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfraquece a versão apresentada pela defesa do ex-presidente ao ministro do STF Alexandre de Moraes.

Na manifestação enviada ao Supremo na quarta-feira (15/7), os advogados de Bolsonaro sustentam que ele “jamais soube” que a documento seria tornado público, nem orientou ou combinou o seu uso nas redes sociais.

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Flávio leu carta de Jair Bolsonaro em live
O ministro Alexandre de Moraes
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Reprodução/Youtube Flávio Bolsonaro
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Hugo Barreto/Metrópoles
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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

“A defesa esclarece, objetivamente, que o peticionário jamais soube que a carta seria publicizada, tampouco houve qualquer orientação, ajuste ou combinação prévia acerca da utilização de redes sociais para esse fim”, escreveu a defesa.

O documento lido por Flávio, contudo, traz no cabeçalho que se tratava de uma “carta aos brasileiros”. O destinatário sugere que o texto foi elaborado para ser divulgado de alguma forma, com amplo alcance.

Único caminho para Bolsonaro

Nos bastidores, aliados de Bolsonaro admitem que a argumentação da defesa foi fraca. Mas ponderam que era o único caminho possível para evitar a revogação da prisão domiciliar huminitária do ex-presidente.

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Bolsonaristas lembram que, na decisão em que autorizou a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente, Moraes deixou claro que o ex-chefe do Palácio do Planalto estava proibido de se manifestar publicamente.

Assim, admitir que Bolsonaro sabia previamente que a carta seria divulgada significaria reconhecer uma possível violação das medidas cautelares, o que poderia levar o ex-mandatário de volta ao regime fechado.

Até agora, Moraes puniu apenas Flávio pela divulgação da carta. O ministro proibiu o senador de visitar o pai por 90 dias. Com isso, os dois só poderão voltar a se falar em 11 de outubro, uma semana após o primeiro turno.