Boulos diz que Galípolo foi uma “decepção” no comando do BC
Em entrevista ao Metrópoles, Boulos disse que Lula indicou Galípolo com expectativa de reduzir juros: "Ficou muito aquém do que poderia ser”

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou, em entrevista ao Metrópoles nesta quarta-feira (8/7), a atuação do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo.
Boulos afirmou que Galípolo foi uma “decepção” no comando da autoridade monetária e teve uma atuação “muito abaixo” do esperado em relação à taxa de juros que, atualmente, está em 14,25% ao ano.
“Não é porque o Galípolo foi indicado pelo governo do Lula que nós não vamos criticar a atuação dele. Tem que ser criticado. Muito abaixo. Esses juros são escorchantes. Deveria ter começado a baixar antes, deveria ter baixado mais. Essa é a realidade. E acho que foi uma decepção. O presidente Lula indicou ele com expectativa de que ele trabalhasse para poder baixar os juros no Brasil. O Brasil estar crescendo mais de 2% ao ano, em média 2,5% ao ano nos três anos Lula, é um milagre com a taxa de juros que a gente tem”, afirmou.
O Brasil está no topo da lista dos maiores juros reais do mundo, segundo levantamento das consultorias Lev Intelligence e MoneYou. Entre as principais economias, o país supera Rússia, Turquia e México.
Receba no seu email as notícias da coluna Igor Gadelha
Frequência de envio: Diário
Ver todas“A gente pode criar Desenrola 1, 2, 3, mas, se não tiver uma redução na taxa de juros, vai ter um endividamento alto da sociedade brasileira. O trabalhador, para poder — não estou nem falando de comprar uma casa ou comprar um carro — fazer uma compra no crédito, tem que pagar um rotativo do cartão que não existe”, disse Boulos na entrevista.
Na avaliação do ministro da Secretaria-Geral, que tem assento no Palácio do Planalto, a justificativa de que as forças do mercado atuam para manter a taxa de juros elevada “não cola”.
“E aí você vai dizer que isso são as forças do mercado. Olha, não cola, não cola e, por isso, te digo aqui com todas as letras: eu acho que a atuação do Banco Central, também sob o comando do Galípolo, ficou muito aquém do que poderia ser para estimular a economia brasileira e reduzir as taxas de juros”, afirmou.









