Igor Gadelha

Barrada na Fazenda, ambulante acusa coordenadora do Tesouro de racismo

Após ser impedida de usar banheiro do Ministério da Fazenda, ambulante acusa coordenadora do Tesouro Nacional de racismo; caso é investigado

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida da fachada do Ministério da Fazenda, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF) - Metrópoles - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Uma vendedora ambulante que trabalha nas imediações do Ministério da Fazenda acusou a coordenadora-geral de Desenvolvimento Institucional do Tesouro Nacional, Nathalia Baena Ohana, de racismo.

De acordo com o boletim de ocorrência ao qual a coluna teve acesso, a acusação foi feita pela vendedora Iolanda Antônia da Silva Pereira, de 57 anos, que diz ter sido impedida de usar o banheiro do órgão pela coordenadora

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Segundo seu relato à polícia, Iolanda afirma que trabalha regularmente vendendo doces nas imediações do ministério e que tinha autorização para utilizar o banheiro do prédio. Mas que isso foi alterado por ordem de Ohana.

Relato da ambulante

Segundo o boletim de ocorrência, o episódio de racismo começou na terça-feira. Iolanda disse que se identificou na recepção do anexo do Ministério da Fazenda e entrou para usar o banheiro, quando foi vista por Ohana.

Ao retornar horas depois, foi informada pela recepcionista que, por ordem da coordenadora, só poderia entrar novamente se estivesse acompanhada por um segurança. O que se repetiu na quarta-feira (17/9).

Na sexta-feira (19/9), ao tentar usar novamente o banheiro, entretanto, não havia um segurança para acompanhá-la. Sozinha, a vendedora foi abordada por Ohana no corredor, que teria gritado que ela não poderia permanecer no prédio. Diante disso, a ambulante questionou o motivo e ouviu da coordenadora que “era uma ordem”.

“Iolanda alega que ficou muito constrangida com a situação e por ser hipertensa começou a sentir vertigens, sendo amparada pelos recepcionistas e brigadistas do ministério. Uma equipe da Policia Militar compareceu ao local e conduziu Iolanda até esta delegacia circunscricional. Porém, estava passando muito mal e foi conduzida pelo CBMDF até a UPA do Núcleo Bandeirante-DF”, diz um trecho do depoimento registrado no boletim de ocorrência.

Além disso, a vendedora diz que não foi o primeiro entrevero entre as duas. Segundo ela, em julho, houve uma briga entre elas no estacionamento do ministério.

O motivo seria uma briga por espaço dos carros. Ohana teria estacionado muito perto do carro de Iolanda, que pediu para a servidora manobrar para que saísse do  automóvel. A coordenadora teria dito que ela cometeu “um abuso” como pedido.

O que diz a acusada

De acordo com o boletim de ocorrência, Ohana afirmou em depoimento  que, em razão das novas regras de segurança “orgânica”, explicou a ambulante que ela não poderia “permanecer livremente” no interior do prédio. E que um segurança acompanharia a vendedora até o banheiro,

“Em razão das novas regras de segurança orgânica que estão sendo implementadas para controlar o acesso do público às dependências da Secretaria, a declarante explicou à senhora que, naquele momento, não poderia permanecer livremente no interior do prédio e que um segurança privado a acompanharia até o banheiro, caso necessitasse utilizá-lo, a fim de observar os novos protocolos”, disse a coordenadora.

A coordenadora argumentou  ainda que “em momento algum se dirigiu de forma ofensiva, tampouco impediu o acesso da senhora ao banheiro, tendo apenas buscado fazer cumprir as normas internas em fase de implantação”

“A declarante afirma que jamais praticou qualquer ato discriminatório, não havendo impedimento de acesso por motivo de raça, cor, religião, etnia, procedência regional, orientação sexual ou qualquer outra forma de preconceito. Ressalta que a referida senhora utilizou o banheiro normalmente, mesmo após o pedido para que respeitasse as novas regras de acesso. Natália esclarece que o prédio da Secretaria possui câmeras de segurança na entrada, no corredor e na área externa, capazes de comprovar que não houve ofensa, intimidação ou crime de preconceito”, diz outro trecho do BO.

Economista, Nathalia Ohana afirma ter 20 anos de experiência profissional como Auditora de Finanças e Controle da Secretaria do Tesouro Nacional.  Em 2020, foi convidada para trabalhar na Secretaria de Governança e Coordenação de Estatais Federais – SEST, no então Ministério da Economia.

O que diz a pasta

Em nota, a Secretaria do Tesouro afirmou que “tomou conhecimento” do caso, e que “os fatos foram encaminhados às instâncias internas competentes para apuração do ocorrido”.

A coluna também procurou a coordenadora, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

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