Igor Gadelha

Análise: Trump não cansa de dar “presentes” para Lula

Ao anunciar taxa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, Donald Trump dá mais um “presente” a Lula e prejudica Jair Bolsonaro

atualizado

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Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula - Brics
1 de 1 Presidente Lula - Brics - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Patinando na relação com o Congresso Nacional e precisando aumentar a arrecadação de forma desesperada para fechar as contas, o presidente Lula recebeu, na quarta-feira (9/7), mais um “presente” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O chefe da Casa Branca — que já tinha “presentado” Lula, na avaliação de petistas, ao sair em defesa de Jair Bolsonaro nas redes sociais — agora entregou o inimigo externo que o presidente brasileiro precisava para tentar recuperar sua popularidade.

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Trump e Jair Bolsonaro
O presidente dos EUA, Donald Trump
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Trump e Jair Bolsonaro

Chris Kleponis-Pool/Getty Images
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O presidente dos EUA, Donald Trump

Andrew Harnik/Getty Images

 

Anunciada por Trump com direito a menção a Bolsonaro, a taxação de 50% sobre produtos brasileiros permitirá ao Palácio do Planalto e a petistas reforçar o discurso nacionalista e jogar no colo dos bolsonaristas a culpa por problemas econômicos.

Setores tradicionalmente alinhados ao bolsonarismo, como a agronegócio, serão especialmente prejudicados com o movimento de Trump de taxar produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. E precisarão se aliar ao governo Lula para tentar mudar a maré.

É um repeteco de Trump. O americano fez um movimento semelhante — e perdeu —, ao provocar recentemente o Canadá. A direita canadense, que liderava pesquisas, acabou sendo derrotada pela centro-esquerda justamente após as ameaças do presidente americano.

Comemoração petista

Não à toa, petistas “comemoravam”, nos bastidores do Congresso ao longo da quarta-feira, a decisão de Trump. A avaliação é de que o atual chefe da Casa Brasil facilita a vida eleitoral de Lula no Brasil com suas bravatas econômicas, das quais costuma recuar.

Na avaliação de aliados de Lula, haverá espaço para negociar a taxação — o próprio americano deixou essa porta aberta. De quebra, Trump fortalece o pré-candidato à sucessão de Bolsonaro que Lula teria mais chances de vencer: o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Ao mesmo tempo, o presidente americano deu mais munição para lulistas atacarem outro possível presidenciável bolsonarista: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também comemorou as falas de Trump em defesa de Bolsonaro.

Já diz o ditado: “com um amigo assim, quem precisa de inimigos?”. Com Trump, Lula pode facilmente inverter o ditado: com um inimigo assim, quem precisa de amigos?

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