Análise: Lula assume ingrato papel entre o pessimismo e a implosão da ONU
Entre o pessimismo com o futuro da ONU e a vontade de Donald Trump de implodir órgão, Lula assumiu papel de tentar manter organização viva

O presidente Lula assumiu uma ingrata tarefa nesta terça-feira (22/9), na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O brasileiro teve a missão de tentar ressuscitar a organização entre o pessimismo e a implosão do multilateralismo.
É um papel que, em seu terceiro mandato, Lula tem adotado sempre que precisa falar de relações internacionais. E que contrastou justamente com as falas do secretário-geral da ONU, António Guterres, e de Donald Trump.
Lula, que falou entre os discursos de Trump e Guterres, defendeu a importância da diplomacia multilateral como única forma de solucionar conflitos e reconheceu o momento de crise vivido pela ONU e pelo Conselho de Segurança.
“Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção”, disse Lula.
Menos opções sobram ainda para o Brasil. O país, cujas Forças Armadas temem uma intervenção americana, só tem voz à mesa de negociações. E sabe que perde força quando os conflitos escalam da diplomacia para as armas.
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Ver todasAs soluções propostas por Lula vieram justamente após Guterres, que deixa o cargo no fim de 2026, reconhecer que a ONU está “ultrapassada” e expressar temor com o esquecimento do direito internacional.
“Nossas instituições e sistemas de governança global continuam a refletir as realidades de poder e os interesses de uma era amplamente ultrapassada. Esse é o desafio central diante de nós”, disse Guterres.
Já Trump representa tudo aquilo a que Lula se opõe, ao propor, na prática, a implosão do modelo da ONU. Ideia que é acompanhada por muitos líderes de direita e que tem no americano seu principal modelo de governança.
O presidente dos Estados Unidos passou boa parte de seu discurso tecendo loas ao próprio governo, como se medidas unilaterais, como o tarifaço e o fechamento de fronteiras, fossem soluções para os problemas da economia americana.
Ainda ameaçou com força militar, e não com diplomacia, quem ameaçar seus interesses. Vangloriou-se de cortar o orçamento da ONU e atacou entidades como o Tribunal Penal Internacional e a Organização Marítima Internacional.
“Não existe governo global e, enquanto eu for presidente, não haverá taxas globais”, afirmou Trump.










