Senadora tenta beneficiar charutos na reforma tributária
Senadora Soraya Thronicke já propôs liberar venda de cigarro eletrônicos no país; charutos são associados a diversos tipos de câncer

A senadora Soraya Thronicke, do Podemos do Mato Grosso do Sul, apresentou uma emenda à regulamentação da reforma tributária para reduzir impostos sobre charutos artesanais, produtos cancerígenos. O documento, protocolado no último dia 24, será votado pelos senadores.
Na visão da senadora, o charuto artesanal não é usado constantemente, “o que justificaria a aplicação de uma política tributária menos severa”, segundo a justificativa da parlamentar na emenda.
Especialistas, contudo, são unânimes em alertar para os malefícios à saúde do uso de qualquer tipo de “produtos fumígenos”, como cigarros, charutos, cachimbos ou cigarros eletrônicos. A definição está na lei federal de 1996 que proíbe a propaganda e o consumo desses produtos em locais fechados.
O charuto pode ter a mesma quantidade de nicotina de 20 cigarros comuns, além de 15 vezes a quantidade de tabaco. Ao contrário desses cigarros, o charuto não tem filtro e fica em contato direto com os lábios e as mucosas da boca. Por isso, seu uso é mais associado aos cânceres de boca, língua, garganta e boca, segundo um estudo do governo canadense citado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOutras pesquisas apontam ligação do uso de charuto com tumores no pulmão, no pescoço e na cabeça. No ano passado, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), ligado ao Ministério da Saúde, afirmou que o Brasil gasta R$ 125 bilhões por ano para combater doenças relacionadas ao fumo.
Procurada, a senadora Soraya Thronicke alegou que não faz “juízo de valor” e busca “proteger o pequeno produtor dos altos impostos”.
“Nossa intenção é proteger dos altos impostos o pequeno produtor que trabalha gerando produtos artesanais, em menor escala e de menor risco à saúde. Hoje temos várias famílias que vivem dessa produção na região sul do país, tendo em vista que é um local que tem sua economia fortalecida pela produção do tabaco”, disse a parlamentar, acrescentando:
“Não estamos fazendo juízo de valor, precisamos entender que a produção de charutos artesanais é um negócio e fonte de renda que sustenta famílias brasileiras”, completou.
Em outra demanda de interesse do setor tabagista, Thronicke apresentou no ano passado um projeto de lei para liberar a venda de cigarros eletrônicos, proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O texto, repudiado por 80 entidades médicas, segue tramitando no Senado.















