Guilherme Amado

Mensagens de Cid mostram dia a dia negacionista no Planalto na pandemia

Mensagens do gupo da ajudância de ordens mostra como a pandemia do coronavírus era tratada no Palácio do Planalto

atualizado

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Hugo Barreto/Metrópoles
Jair Bolsonaro, Laura (laurinha) e Tenente Coronel Mauro Cid - Metropoles
1 de 1 Jair Bolsonaro, Laura (laurinha) e Tenente Coronel Mauro Cid - Metropoles - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

No grupo de WhatsApp da ajudância de ordens do Palácio do Planalto durante o governo Jair Bolsonaro, há um retrato preciso do negacionismo que predominava no governo sobre a pandemia do coronavírus.

O conteúdo consta na quebra de sigilo das mensagens do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, agora analisadas pela Polícia Federal (PF).

A Covid-19 era chamada de “peste” ou “peste chinesa” pelos assessores. Em 25 de fevereiro de 2021, o ajudante de ordens Osmar Crivellati informou: “Silvio [Kammers] deu positivo o exame de COVID (sic), disse que está bem, sintomas normais da peste”.

Cid respondeu: “Perfeito!”. Kammers também fazia parte da ajudância de ordens.

Naquele momento, a doença se espalhou pelo Palácio do Planalto. Em 1º de março, o próprio Crivelatti informou que começou a “ter sintomas da peste chinesa” e que aguardava o resultado de um teste.

Tenente Alencar, outro integrante do grupo, deu uma atualização do status da equipe no dia 4 de março. “TC (Cid), situação do nosso pessoal afastado, falei com todos eles agora pela manhã: ten Crivelatti está bem, motorista Frota tomando medicação se recuperando de uma pneumonia viral e o Morais está com dores no corpo, mas está bem em dispensa médica aguardando resultado do exame covid”.

Kammers morreu naquele mesmo dia, vítima da doença, o que foi informado também no grupo.

Embora os ajudantes de ordens tenham se mobilizado no velório e na assistência à família de Kammers, o Palácio do Planalto tentou abafar a notícia e só publicou sobre a morte no Diário Oficial da União (DOU) cinco dias depois.

No dia 5 de março, o grupo tomou conhecimento de que a esposa do motorista Frota ligou e pediu ajuda para conseguir uma vaga de internação em um hospital em Brasília – supõe-se que para seu marido, que estava doente.

O mês de março foi um dos mais letais da pandemia, com hospitais lotados. Naquela época, o governo Jair Bolsonaro estava atrasado na compra de vacinas, disponíveis em outros países em escala muito maior do que no Brasil.

O grupo também espalhava desinformação sobre o tema. Em 23 de março de 2021, Cid enviou informações falsas sobre a eficiência do “tratamento precoce”, termo que bolsonaristas usavam para se referir a remédios comprovadamente ineficazes defendidos por eles.

“O protocolo do tratamento precoce funciona!”, disse mensagem encaminhada por ele. “Principalmente se for aplicado corretamente, por pessoas idôneas, como foi o caso do médico militar, tenente Canela, nesse depoimento emocionado do paciente. Mais uma vez, #BolsonaroTemRazao.”

Em junho, quando outro assessor do Planalto adoeceu, Cid buscou saber se ele estava “tomando tudo” de medicação, possivelmente se referindo a drogas ineficazes.

Crivelatti repassou as perguntas ao assessor, um sargento, que, por sua vez, mandou uma foto de sua receita médica. Cid fez mais perguntas sobre a medicação, mas em um áudio, ao qual a coluna não teve acesso.

Era comum que o grupo da ajudância de ordens fosse usado para entrar em contato com negacionistas com quem eles se solidarizavam, como uma médica de Camaquã (RS) demitida por usar remédios ineficazes contra a Covid-19.

“Camaquã está em polvorosa porque o hospital demitiu uma médica que receitava tratamento precoce e tentava, para pacientes terminais, alguns tratamentos experimentais que estão sendo usados com sucesso”, escreveu Cid no grupo.

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