Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Paulo Cappelli

Fora da transição, Frota revela ligação de Mercadante e se diz alvo de preconceito

Frota conta como foi o convite para integrar a transição e revela um telefone com Aloizio Mercadante

atualizado 24/11/2022 23:42

Rafaela Felicciano/Metrópoles

O deputado federal Alexandre Frota afirmou nesta quinta-feira (24/11) ter declinado do convite feito pelo governo de transição de Lula, após uma forte reação entre artistas desde que o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin anunciou seu nome.

Em entrevista à coluna, Frota conta como foi o convite para integrar a transição e revela que, aténs de sua desistência, o ex-ministro Aloizio Mercadante telefonou para ele e ofereceu outras opções na transição, de maneira a estancar a crise com artistas que se mobilizaram para pressionar por sua saída.

Frota rebate ainda os ataques que sofreu do ator José de Abreu, e mais uma vez se desculpa com quem atacou no passado, como os compositores Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil. Sobre quem usa seu passando pelo cinema pornô para diminuí-lo, tem a resposta na ponta da língua: “Qual foi o crime que eu cometi? Pornografia é estar no orçamento secreto”.

Leia a entrevista abaixo.

Por que você decidiu não entrar para a transição?

Não vou tumultuar a vida do Lula e nem as escolhas da esquerda para a transição. Vou ficar junto à família, vou viajar um pouco. Só espero que o preconceito não seja a chave para esse novo governo. Essa ala radical da esquerda que segrega as pessoas poderá fazer o Bolsonaro voltar. Mercadante me ligou preocupado com os ataques e os movimentos covardes do Zé e da gangue dele, me propôs outras coisas, mas eu não tenho interesse em nada. Obrigado, Mercadante e boa sorte.

Como surgiu o convite para a equipe de transição? Quem fez o convite?

O preconceito está na transição, que fala em um país plural, da diversidade, de oportunidades para todos, de respeito às diferenças, sem julgamentos, mas não é bem assim. Primeiro, eu não esperava o convite da equipe de transição, e partiu de maneira natural do Geraldo Alckmin e do Felipe, vice-presidente do PROS, por todo o trabalho que realizei defendendo a cultura todos esses anos. Inclusive minha briga com o Bolsonaro se deu nesse tema. Mas nem tive tempo de responder se aceitaria ou não o convite, devido aos ataques que recebi por parte da esquerda sapatênis do Leblon. Aliás, não só eu fui atacado como meus filhos e esposa. Cruel, desnecessário e covarde.O problema dessa esquerda sapatênis do Leblon no Rio é achar que são donos da cultura e querem repetir o passado. O punitivismo ideológico radical dessa turma extrema, que mostra toda a sua ira, preconceito, soberba, está vivo e prova disso é o que estão fazendo, a maneira que estão agindo. É vingança, maldade.

Como você reagiu às críticas feitas por você estar na transição?

Estão me atacando de maneira covarde mas eu não me incomodo com pressão, mas estão atacando meu filhos e esposa. Que isso? Passei todos esses anos na cultura defendendo as pautas culturais. Tenho vários projetos, sou coautor da Lei Aldir Blanc e da Lei Paulo Gustavo. Estive lá sempre ajudando. Todas as vezes em que fui chamado para defender a cultura, eu estava lá, votando por eles, criando projetos, discutindo e defendendo em plenário.

Você é oposição a Bolsonaro desde 2019, pediu o impeachment dele, declarou voto em Lula. Seu histórico de ataques à classe artística ainda o faz uma persona non grata em parte da esquerda?

Sim, pedi o impeachment do Bolsonaro. São 12 pedidos de impeachment que apresentei contra ele. E não me arrependo. Eu sabia que não seria eleito. Ninguém sai impune do bolsonarismo. A minha saída foi muito traumática. Tive muita coragem de sair quando ele ainda tinha muita aprovação. Bolsonaro sabe que, se eu resolvesse falar tudo, a coisa ficaria ainda mais séria. Fui eu que iniciei todo o processo de descoberta das milícias das fake news, como funciona, onde funciona e quem são. Hoje me livrei desse fantasma do Bolsonaro. Estou livre e trabalhei para tirá-lo da mesma maneira como ajudei a coloca-lo. E já por várias vezes me desculpei. Assumi os erros, vi que tinha errado e por isso paguei com o meu mandato. Não fui eleito, principalmente depois que fiquei no PSDB, que não foi para a direita e nem para a esquerda. Essa foi uma eleição atípica. Ou você era um ou outro.

Em abril de 2021, você pediu perdão a Caetano, Gil e Chico, pessoas que você atacou e sobre quem espalhou mentiras. Acha que seu arrependimento foi bem recebido na classe artística?

Sei que errei na situação do Caetano, do Gil e do Chico, por ter compartilhado o que não deveria e ter falado as merdas que falei. Paguei por isso, já me desculpei publicamente, mas não tive retorno de nenhum deles. Conheço Paulinha (Lavigne)  antes de Caetano, morei na casa dela, Caetano me chamava de “Grande”, por causa da peça “Capitães da areia”. Passei carnaval em Salvador com ele, sempre fui muito fã e errei com ele. Já com Chico, joguei muita bola com ele no sítio dele, tínhamos um time que dava trabalho para o do Chico. E fui muitas vezes à casa do Gil, nos encontramos muitas vezes. Gosto da Flora (Gil), da Preta (Gil) e era amigo do filho dele que morreu em um acidente na Lagoa, quase em frente à minha casa quando eu era casado com a Cláudia (Raia). Foi um grande erro por causa do bolsonarismo me indispor com a MPB. Mas o que eu podia fazer, eu fiz: paguei e me desculpei em público.

Você considera que convenceu a classe artística sobre sua mudança?

Todos sabiam que eu votaria desde o início em qualquer um que tivesse condição de tirar o Bolsonaro. Mas ao longo dos anos fui me encontrando e amadurecendo, fui tendo um entendimento com políticos de esquerda, trabalhei muito com eles em pautas e projetos, fui tendo um outro entendimento da vida e de como eu deveria ajudar as pessoas. E foi aí que virei a chave pro social, no combate à fome e à desigualdade social. Ajudei milhares de pessoas e famílias. Fui trabalhar nas ruas, fui entender o meu papel. E sem acordos, sem orçamento secreto, sem emendas extras, sem cargos. E eu sei o que eu fiz na política.

Por que considera que foi convidado à transição?
Fui convidado para a transição primeiro porque me dediquei esses anos à cultura, fiz projetos, votei a favor, resolvi problemas, atendi a todos e me posicionei ao lado deles.

Já participou de alguma reunião? Fez alguma contribuição, qual?
Participei de uma grande reunião com Jandira (Feghali), Benedita (da Silva), Túlio (Gadelha), e (Marcelo) Calero, que eu adoro. Acertamos muitos pontos importantes. Tenho algumas preocupações importantes como os outros e já coloquei tudo detalhadamente no que vou entregar para eles. E aí acaba meu trabalho. Aliás, nem começou.

O ator José de Abreu disse que você é motivo de piada na classe artística, supostamente pela falta de cultura. Como você reage a isso?

Os ataques covardes, preconceituosos que recebi do Zé de Abreu foram absurdos. Ele não me perdoa, e eu sei o motivo. O que o Zé pode falar ao meu respeito? Cuspiu na cara de uma mulher, acha-se o porta-voz da esquerda, mas nem coragem teve para disputar uma eleição. Correu. Ele sabe da covardia dele e o que está falando a meu respeito. Só quem pode me desconvidar é o Geraldo não é o Zé. Ele não tem importância e não trabalho para agradá-lo.

O que você diria a quem te atacou?
Sobre as críticas, estou acostumado. Não me amedrontam. Foi um misto de inveja, covardia, maldade, e com um detalhe: sou ainda deputado federal até o fim de janeiro de 2023, e em dezembro vão precisar muito de mim nas importantes votações. Estão fazendo na prática o que na teoria e nos discursos fazem diferente. Estão sendo extremamente preconceituosos.

Qual sua visão sobre o que deveria ser a política cultural do governo Lula?
Tem que haver a recriação do Ministério da Cultura. O Lula prometeu. Promover uma comunicação clara e transparente da pasta, coisa que não foi feita por Osmar Terra, Roberto Alvim, Regine Duarte, Mário Frias e os demais ocupantes no governo Bolsonaro. Avaliar uma retomada da Lei Rouanet, uma reforma, aumentar o teto da lei e expandir para todo o Brasil. Uma outra preocupação é a Lei Paulo Gustavo, que vence agora em dezembro. A lei acaba. Precisamos fazer com que ela possa ser estendida para 2023. O dinheiro está lá e não foi usado, temos que estender. Para isso já assinei junto com outros parlamentares um projeto do Rubens Bueno que trabalha nesse caminho. Referente à lei setorial do audiovisual, tem algo em torno de R$ 3,8 bilhões que não foram usados. Há ainda a Lei Aldir Blanc, em que também há dinheiro para a classe e o Bolsonaro vetou. E vai precisar de verba pra essa infraestrutura que não é pequena e se faz necessária e urgente. O ministério foi todo sucateado, desmontado, demolido pelo Bolsonaro e aqueles que ele lá colocou. Não sobrou nada, está tudo aparelhado e largado. Fundação Palmares, Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)…

Você espera integrar o governo em alguma posição?

Nunca esperei integrar o governo Lula, nunca estive com Lula e acho que o que eu tenho que fazer é torcer para dar certo, cobrar dele as promessas e desejar boa sorte.

Muitos dos ataques a você usam o fato de você ter feito filme pornô. Como você reage a isso?
Risos. Eu tenho muito fã mesmo. Eles adoram, não esquecem. Fico feliz. A pergunta é: qual foi o crime que eu cometi? Pornografia é estar no orçamento secreto.

Mais lidas
Siga as redes do Guilherme Amado
Últimas da coluna