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Guilherme Amado

Ex-ministro de Bolsonaro citou ao TSE "preocupação" dos EUA com eleição

Ao TSE, o ex-ministro de Bolsonaro Ciro Nogueira disse que a Embaixada dos EUA tinha preocupação com a situação política

05/07/2023 15:26, atualizado 05/07/2023 15:35
Igo Estrela/Metrópoles
Ministro Ciro Nogueira e deputado Hugo Mota, saem da Camara dos Deputados após reunião com o presidente da casa

Em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira, disse que a Embaixada dos Estados Unidos manifestou a ele preocupação sobre a situação política nas eleições.

O sigilo sobre os depoimentos foi levantado em decisão do relator do caso sobre a inelegibilidade do ex-presidente, Benedito Gonçalves, nesta terça-feira (4/7). Bolsonaro foi considerado inelegível devido à reunião com embaixadores, em que disseminou dúvidas sobre a lisura do sistema eleitoral.

Questionado sobre se tratou das eleições com embaixadores estrangeiros, Ciro Nogueira disse que teve uma conversa com a Embaixada dos Estados Unidos, “muito preocupada com a situação dessa discussão (sobre as eleições)”.

“Uma vez, a Embaixada americana, muito preocupada com a situação dessa discussão, estivera comigo o embaixador – não, na época ele não era embaixador, era gerente [encarregado] de negócios – e nós tentamos tranquilizá-los de que nós iríamos ter um pleito tranquilo e sem o menor sobressalto”, afirmou em depoimento em 8 de fevereiro de 2023.

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Depois, Nogueira esclareceu que a preocupação da Embaixada não era em relação à segurança das urnas ou à lisura da eleição, e sim sobre discussões políticas e conflitos. “Eles tinham preocupação sobre a situação dessas discussões políticas e conflitos, né? E nós procuramos tranquilizá-los. Mas sobre a funcionalidade do sistema, não.”

Nogueira não especificou quando a reunião ocorreu e disse que não houve registro formal desse encontro. Ele afirmou também ao TSE que a reunião com embaixadores “poderia ter sido evitada”, mas discordou que ela tenha servido como agressão ao sistema eleitoral e que foi “superdimensionada”.

“Ele (Bolsonaro) só manifestou a sua dúvida sobre o sistema eleitoral, sobre as urnas. Ele tinha preocupação quanto a isso. Mas promoção pessoal, não notei isso, até porque, volto a dizer, o público lá não eram eleitores brasileiros.”

Uma reportagem do “Financial Times” detalhou, recentemente, o esforço do governo dos Estados Unidos em procurar diversos interlocutores brasileiros para evitar que as Forças Armadas embarcassem em uma empreitada golpista. Como mostrou a coluna, o ex-vice-presidente Hamilton Mourão negou que tenha dito temer um golpe de Estado.