Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Naomi Matsui

BNDES não fez registros de reunião com Flávio e dono da Precisa 

Presidente do banco participou de videoconferência; empresa é alvo da CPI

atualizado 20/07/2021 16:12

Flávio Bolsonaro_CPI da CovidRafaela Felicciano/Metrópoles

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não fez nenhum registro de uma reunião do presidente do banco, Gustavo Montezano, com Flávio Bolsonaro e Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos e alvo da CPI da Pandemia. O encontro por videoconferência aconteceu em 13 de outubro de 2020.

Questionado por meio da Lei de Acesso à Informação, o BNDES afirmou que não fez gravações da reunião virtual, tampouco formalizou o encontro em ata. Além de Montezano, Flávio e Maximiano, participou da conversa Danilo Fiorini, CEO da Xis Internet Fibra, que já trabalhou na Precisa.

A reunião foi divulgada no mês passado pelos repórteres Letícia Casado, Daniel Pereira e Hugo Marques e confirmada por Flávio. O banco declarou ainda que a pauta da conversa foi um possível apoio a plano de investimentos para ampliação de internet por fibra ótica em cidades de menor porte.

Renan Calheiros, relator da CPI da Pandemia, disse em entrevista à coluna no último dia 8 que vê na confirmação de Flávio a confissão do crime de advocacia administrativa. “O Flávio, por exemplo, numa intervenção na própria Comissão Parlamentar de Inquérito, confessou que teria levado o dono da Precisa [laboratório que intermediava a compra da vacina indiana] ao BNDES, né? Isso é a confissão de um crime. Advocacia administrativa [quando um servidor defende interesses particulares no órgão em que trabalha]. Isso não é competência de um senador da República. Levar um driblador da lisura e do dinheiro público [Francisco Maximiano, dono da Precisa] a um banco oficial para obter empréstimos não é correto do ponto de vista da atribuição de um senador. Isso foi uma confissão”, disse o senador.

A Precisa representa no Brasil o laboratório indiano Bharat Biotec, responsável pela vacina Covaxin, do mesmo país, cujo contrato com o Ministério da Saúde foi suspenso por ordem da Controladoria-Geral da União. A CPI da Pandemia e o MPF investigam supostas pressões atípicas nessa negociação. A comissão no Senado quebrou os sigilos bancário e fiscal de Francisco Maximiano, o dono da Precisa, que prestará depoimento aos senadores em agosto.

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