A cantora Ivete Sangalo não tem projetos aprovados na Lei Rouanet, ao contrário do que disse Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (5/1), ao deixar o hospital em São Paulo onde ficou internado por obstrução intestinal. Bolsonaro disse que Ivete teria perdido a “teta gorda da Rouanet”. Em 2019, o próprio governo Bolsonaro autorizou uma captação que beneficiava indiretamente a artista.
A artista virou alvo dos bolsonaristas após incentivar um coro contra o presidente em um show na semana passada. De acordo com Bolsonaro, as críticas aconteceram porque ela teria perdido “a teta gorda da Lei Rouanet”.
Desde a campanha de 2018, o presidente associa, sem provas, a oposição que recebe da classe artística a uma suposta dependência dos recursos de incentivo para o setor cultural.
Entretanto, os dados abertos de projetos inscritos em leis de incentivo à cultura não registram nenhum projeto da cantora ou de empresas de que é sócia.

Presidente Jair Bolsonaro depois de receber alta médica em SPFábio Vieira/Metrópoles

Bolsonaro posa para foto ao lado do médico Antônio Macedo, no Vila Nova StarFábio Vieira/Metrópoles

Bolsonaro deixou o hospital com escolta após ficar dois dias internado em SPFábio Vieira/Metrópoles

Bolsonaro tem alta de hospital após tratamento para obstrução do intestinoFábio Vieira/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (PL) recebe alta do Hospital Vila Nova Star, nesta manhã de quarta-feira (5/1)Fábio Vieira/Metrópoles

Bolsonaro após ter alta de sua última internaçãoFábio Vieira/Metrópoles

Michelle Bolsonaro, esposa do presidente Jair Bolsonaro, na coletiva após a alta deleFábio Vieira/Metrópoles
Além disso, só dois projetos têm o nome da cantora no título. Um, de 2016, chegou a ser autorizado a captar até R$ 1,3 milhão, mas não conseguiu nenhum recurso. Tratava-se de um show da cantora com a Orquestra Juvenil da Bahia.
O segundo, de 2017, buscava desenvolver um roteiro sobre uma história ficcional que levava Ivete Sangalo em uma viagem no tempo, mas não foi aprovado.
Em fevereiro de 2019, início do governo Bolsonaro, a produtora Madeirada Produções captou R$ 813 mil pela Rouanet para fazer seis shows da cantora.
Em 2015, o governo federal destinou um patrocínio de R$ 300 mil para um show beneficente da cantora, que foi totalmente revertido para o Hospital Martagão Gesteira, unidade pediátrica de Salvador mantida pelo SUS.